sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Editora da USP participa Feira Internacional do Livro da Suécia

Por Leila Kiyomura, do Jornal da USP
Via Agência USP de Notícias, Creative Commons

Os livros da Editora da USP (Edusp) estarão, em setembro, na Feira Internacional do Livro de Gotemburgo, na Suécia. O evento, a ser realizado entre os dias 25 e 28, é reconhecido como um dos mais importantes programas literários e de negócios para os profissionais do livro na Europa. Neste ano, o foco da programação é o Brasil. Daí a Edusp ser convidada para apresentar, por intermédio do seu catálogo, a diversidade cultural brasileira. A pintura de Cândido Portinari, Lasar Segall, Aldo Bonadei e Marcello Grassmann, a origem das modinhas e do samba, a arquitetura das praças e igrejas e a literatura de Clarice Lispector estão entre os destaques.


“A Edusp irá representar o Brasil entre 50 países e, diante dessa visibilidade, selecionamos obras que revelam a nossa cultura e, ao mesmo tempo, a pesquisa desenvolvida na USP”, observa o diretor-presidente da Edusp, Plinio Martins Filho. “Pretendemos destacar também o projeto editorial e gráfico, que é uma referência para o mercado editorial acadêmico.”

A Feira de Gotemburgo recebe, anualmente, 150 mil visitantes, entre eles professores, bibliotecários, agentes literários e outros profissionais do mercado da literatura. “Esta é a primeira vez que um país sul-americano é convidado para ser homenageado no evento”, observa André Maciel, chefe da Divisão de Difusão Cultural do Ministério das Relações Exteriores. “Trata-se, portanto, de uma ação importante para promoção da cultura brasileira no exterior e também de uma oportunidade para adensar o diálogo com universidades suecas.”

Na avaliação de Paulo Vassily Chuc, chefe de gabinete do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, o evento tem uma importância singular. “Além da ampla repercussão internacional, é um indicador das tendências do Prêmio Nobel, na medida em que a imprensa especializada observa a atenção dispensada a certos escritores pelos membros da Academia Sueca, que costumam comparecer.” Ele destaca que a Feira de Gotemburgo consolida o papel de destaque que o Brasil vem obtendo no cenário literário internacional e lembra as participações pontuais da Edusp na Feira Internacional do Livro de Bogotá, em 2012, e na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, em 2013. “Além disso, pavimenta o caminho para a participação brasileira, também como país homenageado, no Salão do Livro de Paris em 2015. O convite à Edusp surgiu no âmbito da longa cooperação entre a USP e o Itamaraty, que já se mostrou profícua também em eventos como a Feira Internacional de Antropologia no México, a Feira Internacional de Guadalajara e a Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, entre outros.”

Martins ressalta que a participação da Edusp na Feira Internacional do Livro de Gotemburgo será custeada pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Departamento Cultural do Itamaraty. “Teremos um estande no pavilhão brasileiro que vai apresentar uma programação com palestras e encontros com escritores.”

No estande da Edusp, de 15 metros quadrados, os leitores terão oportunidade de perceber que a arte brasileira não tem limites. Nem fronteiras. “Nossos livros de arte surpreendem tanto pelo conteúdo da pesquisa como pelo projeto editorial e gráfico. Dão uma visibilidade para o Brasil atingindo um público formador de opinião”, afirma Martins. Por atuar na divulgação da arte brasileira, a Edusp recebeu, em maio deste ano, o prêmio de Destaque na Cultura da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA).

Portinari, Bonadei, Bonomi

A Edusp selecionou 50 livros para marcar presença na Feira Internacional do Livro de Gotemburgo. Um dos destaques é a história do paulista de Brodowski Cândido Portinari (1903-1962), filho de imigrantes italianos, que Elza Ajzenberg aborda no livro Portinari – Três momentos. Nele, a crítica e professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP analisa a obra do artista, que alia arte e engajamento social, buscando a construção de uma nova consciência artística brasileira.

Outro artista também inserido no contexto artístico e histórico do século 20 é apresentado por Lisbeth Rebollo Gonçalves, também professora da ECA. Em Aldo Bonadei – Percursos estéticos, a vida e obra do artista, considerado um dos pioneiros da pesquisa abstrata no País, vão fluindo em uma análise sistematizada. Lisbeth enfatiza a constante preocupação de Bonadei em compreender o processo de criação artística, a percepção da cor e a construção do espaço pictórico.

Na seleção de livros sobre artistas contemporâneos, a Edusp destaca Maria Bonomi – Da gravura à arte pública, organizado por Mayra Laudanna, professora do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. Dividido em três partes, documenta a produção da artista ítalo-brasileira desde seu início, nos anos de 1950, até os dias atuais. As gravuras, painéis, esculturas e instalações são apresentadas em 420 páginas.

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