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sábado, 11 de dezembro de 2010

Ao vencedor, a rede social


Parafraseando Machado de Assis, Mark Zuckerberg não ganhou um saco de batatas com suas empreitadas tecnológicas em Havard, mas certamente é o vencedor de uma disputa por uma rede social. E, retratando esse viés da história, o filme The Social Network, que foi para os cinemas nacionais semana passada, captou bem a mensagem para um público que, hoje, vive o tempo do Facebook.

O filme começa o diálogo de Zuckerberg com a namorada fictícia, criada para a trama cinematográfica, chamada Erica Albright. Zuc fala rapidamente, de um jeito truncado, prepotente e pedante. Erica pede o fim do relacionamento ao ouvir do parceiro que ela será uma "privilegiada" frequentando os clubes secretos americanos que Mark pretende fazer parte. Desolado com o fora, o nerd protagonista vai programar no computador.

Mark Zuckerberg não só lida com números, mas bloga em sua página pessoal, na internet de Havard de 2003. Fala mal dos seios de Erica. Bebe cerveja. Tem um insight e cria, através de uma invasão na rede de Havard, o Facesmash: Uma enquete para escolher qual é a estudante mais gostosa de Havard pela fotografia de rosto. O sistema rende um processo para Zuckerberg, principalmente pelos comentários que deixou salvo em seu blog, mas ele ganha a oportunidade perfeita de continuar em sua empreitada como programador em Havard.

Mas o gênio por trás do Facesmash em 2003 não foi apenas Zuc. Seu colega brasileiro em Havard, Eduardo Saverin, criou o algorítmo que unificou todo a rede social.


Em um ritmo frenético, The Social Network mostra como a brincadeira de Saverin e Zuckerberg os levou até a criação do Facebook, uma encomenda feita pelos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss, membros de sociedades secretas no meio universitário de Havard. Através do algorítmo do Facesmash, Zuckerberg imagina uma rede social maior, conectando estudantes de faculdades americanas e ao redor do mundo. E junto com esse sonho, surgem brigas para viabilização do negócio, além da autoria confusa que, até hoje, ronda o Facebook.


A questão toda é: Quem injetou dinheiro primeiramente no Facebook foi Eduardo, investindo cerca de dois mil dólares no começo da brincadeira. Saverin também foi atrás de publicidade em Nova York para tentar expandir o negócio logo no começo. No entanto, Zuckerberg deixou de dar atenção ao melhor amigo e começou a andar com Sean Parker, ex-fundador do Napster, rede de compartilhamento de músicas, em busca de um futuro maior para a empreitada.

Parker enxergava, de uma maneira correta, seu futuro com o Facebook, que é um negócio livre de brigas com produtoras musicais e direitos autorais sobre obras artísticas. No entanto, sendo boêmio e saindo constantemente com estagiárias do próprio grupo, ele mesmo tornou-se um problema para Zuckerberg.

Ao atingir um milhão de usuários em sua rede, Mark Zuckerberg aplicou um enorme golpe em seus melhores amigos. "Investidores-anjos", nome dado nos EUA aos acionistas bilionários de novos negócios, passaram a se importar com o Facebook e expandiram seus negócios até os 500 milhões de pessoas atuais. Com a entrada de capital, Zuckerberg chutou Parker do negócio e liquidou a parte de Saverin do Facebook.


Vamos simplificar a discussão do filme. Zuckerberg possuía 60% do Facebook no início das operações oficiais do grupo, em 2004. Reduziu esse percentual assim que entraram pessoas no negócio. Eduardo, conforme a sua atuação como primeiro financiador, tinha 30%. Dustin Moskovitz e Chris Hughes, que são apenas personagens coadjuvantes no filme, possuíam 5%. Sean Parker entrou no negócio, posteriormente, com 7%.

No filme é mostrado de maneira coerente que Parker é liquidado do negócio ao ser denunciado e que a parte de Eduardo Saverin é reduzida de 30% para 0,3%. Foi assim Zuckerberg tomou controle do maior império de mídias sociais presente hoje, mesmo que ele conteste em muitas entrevistas.


É por essa fidelidade aos dados, apesar de algumas invenções, que Social Network merece ser visto. Se esse filme fosse feito daqui a 10 anos, seria outra história. Mas hoje, já se mostra interessante para que as pessoas entendam os fenômenos da internet.

Não custa lembrar também que o filme é regado com muita música eletrônica pesada e universitárias de lingerie. Reúne disputas empresariais em um ambiente devasso e... nerd.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Mídias Sociais levadas à sério



"Mídia social é moda passageira?"

Com essa pergunta, um curta-metragem, feito pelo especialista em mídias sociais - Facebook, Orkut, Twitter e todos os meios baseados em comunicação comunitária na web - e socialnomics (a chamada "economia social"), Erik Qualman (@equalman), mostra como a internet mudou em seus números. Superando até mesmo o sucesso de sites pornográficos e conquistando mais popularidade entre as gerações Y e Z (pós anos 2000) do que o e-mail, os chamados Social Media são realmente os espaços mais populares emergentes da web.

O vídeo foi divulgado no final do mês de julho. Para aqueles que não estão interados na influência desses espaços, é a prova viva que o uso constante deles só tende a intensificar atuação na internet. A questão que fica é: apesar dos números favoráveis, somos capazes de fazer bom uso dessa comunicação que vai além de conversas privadas? Ou ainda ficamos restritos na publicidade e nos assuntos banais do cotidiano, dentro das comunidades?

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sobre jornalismo, mídia social e... post pago?

Produção cultural, twitter e blogs é especialidade de Liliane Ferrari, casperiana capa da revista Veja do dia 8 deste mês sobre mídias sociais. Ela já foi jornalista de inúmeras emissoras de TV importantes, como a Manchete, Bandeirantes e até a FOX Kids. Em uma entrevista ao Bola da Foca ela contou detalhes de seu trabalho na internet e na comunicação atualmente, que estão distante da chamada imprensa hard news.

Por Pedro Zambarda

Bola da Foca: Liliane, você atualmente trabalha com produção cultural e em seus blogs na internet. Quais blogs você atualiza? Como é o seu atual ritmo de trabalho?

Liliane Ferrari: Faço a produção executiva da EXS 09 exposição internacional de sticker art que traz mais de 120 artistas de 25 paises para as cidades de São Paulo, Curitiba, São Carlos, Rio de Janeiro e Buenos Aires. Dou aula na Escola São Paulo na área de Artes Plásticas e Novas Mídias. E coordeno a área de comunicação e produção da maior escola de dança da América Latina, a Pulsarte.

LF: Escrevo, além do meu blog (http://www.lilianeferrari.com), da Rede M de Mulher da ed. Abril, nos corporativos da Trakinas (http://www.maecomfilhos.com.br), Mapfre (http://redemapfremulher.com.br/vivabela), LG (http://bloglge.com.br/). Também sou colaboradora da revista MundoMundano e do portal IdeaFixa.

LF: Em todos os veículos eu tenho total liberdade de escolha de pautas e desenvolvimento dos assuntos com base no meu olhar e experiência.

BF: Você disse na palestra que fez na FAPCOM, dia 28 de junho, que já foi jornalista hard news, da notícia a todo minuto, e que agora não é mais. Como era naquela época? Quais lugares você trabalhou?

LF: Trabalhei na TV Gazeta, TV Bandeirantes, TV Manchete, SBT, FOX Kids. Fui desde rádio-escuta a produtora executiva, passando por editora de matérias internacionais e repórter. O ritmo de trabalho era tão intenso como o que tenho hoje como produtora. Mas ainda não tinhamos a presença forte da internet nas redações era tudo mais à moda antiga.

LF: Penso que o jornalismo se perdeu um pouco justamente pela essência do seu existir, que é trazer fatos todo dia, toda hora, todo minuto. Dizer algo sobre as pautas do momento fez a coisa ficar desinteressante. E essa situação está ainda mais neste estado com a ideia do distanciamento e a não-opinião, que fez com que todos os jornais (impressos/radio/tv) ficassem de tal forma pasteurizados que em '"testes-cegos" parecem que todas as matérias foram feitas em um mesmo local.

BF: Você ainda considera que faz jornalismo, mesmo envolvendo outros tipos de trabalho?

LF: Acho que uso algumas técnicas do jornalismo para levantar informação, redigir rapidinho um post por exemplo. Por outro lado, me distancio do jornalismo quando imprimo pessoalidade e intimidade nos meus textos. Não acho que faço jornalismo não, até penso que os blogs seriam uma "terceira via" na área de Comunicação Social.

LF: Quando cuido do blog de uma empresa, ou estou na produção de alguma exposição sempre uso o critério de 'quem está na redação' ou seja procuro dar enfoque aquilo que é realmente interessante e pautável e não aquilo que o cliente acha bonitinho e pensa que é assunto. O press release, a meu ver, já morreu faz tempo e é hora de novas fórmulas de comunicação entre assessorias e veículos.

BF: Você faz posts e textos pagos em seu blog e em outros blogs? Como ocorre esse tipo de trabalho? Há críticas do público? E elogios?

LF: Faço post pago desde o ano passado. A maioria dos blogueiros detesta essa nomenclatura. A mim não incomoda, afinal é post é pago.

LF: Quando a gente faz um blog, não se pede autorização. Por isso explico: não é como uma TV que recebe concessão para funcionar e ainda faz merchan de muitos produtos. Então deve ser o critério do blogueiro que decide topar ou não escrever um publieditorial. Só a ele cabe decidir. Geralmente a agência entra em contato e apresenta a pauta. Com base na pertinência do assunto para o blog e valor da remuneração, ela é aceita ou não. Costumo identificar esses posts e os incluo na categoria "Publieditorial", para quem ler saber do que se trata. Não é porque está ali que estaria somente "fazendo propaganda", mas para dar transparência sobre o conteúdo.

LF: Sempre há críticas, como não haveria? Eu só faço post pago quando o assunto tem a ver comigo, quando acho interessante para quem lê meu blog e muitas vezes é um assunto que escreveria mesmo se não me pagassem. E as propostas das agências vem bem nessa linha, nunca recebi um pedido de algo que jamais faria. Já os elogios vem naturalmente. Quando eu fiz o post sobre o Carona Chevrolet e contei várias histórias das caronas que já dei por aí muita gente gostou e se divertiu e é aí que está o segredo: não importa se o post é pago. Vale sim se quem o escreve fará de forma chata e burocrática ou de forma bacana e verdadeira. Recomendar serviços e produtos é uma coisa que todo mundo faz na vida, a diferença é que nesse caso uso o blog. Pela visibilidade que eu tenho as empresas me procuram com propostas.

BF: Você é usuária assídua do twitter. Como você acha que o jornalismo pode aproveitar bem essa ferramenta? E outros Social Media? Devemos estar atentos a todas essas novidades?

LF: Quem trabalha com informação, publicidade ou algum tipo de função que seja importante acompanhar as novidades deve ficar de olho nessas ferramentas, pois a agilidade e frescor das novidades está ali em tempo real. Eu adoro o Twitter e para mim tem uma utilidade incrível. Só um exemplo: estava em busca de um apoio para EXS 09 que bancasse a conta pro do Flickr. "Tuitei" e minutos depois já tinha muita gente se oferecendo a ser nosso '"mecenas". Meia hora depois a conta pro estava ativada.

LF: E para o jornalismo a ampliação no nº de fontes que o Twitter oferece é uma preciosidade, além disso é um excelente termômetro para observar a repercussão de assuntos.

Contato de Liliane Ferrari no twitter: http://twitter.com/lilianeferrari

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