Mostrando postagens com marcador comédia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comédia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de julho de 2010

Muito rock no Anime Friends deste mês

O assunto deste post não é novo. Envolvem os shows que aconteceram no Anime Friends, o maior evento de desenhos japoneses e cultura nipônica no Brasil, que ocorreu entre os dias nove e 18 de julho. O evento foi desenvolvido junto com outros eventos, como o SP Game Show, voltado para o público de videogames, e o Comic Fair, de quadrinhos.

Além dos festivais tradicionais japoneses, o rock´n´roll brilhou entre os espetáculos presentes no evento. Segue um resumo de três shows que mereceram destaque:

Foto da matéria de Márcio Pacheco na Whiplash

Angra - Dia 16 de julho. 20h30.

Com 30 minutos de atraso, o Angra subiu no palco ovacionado por seu público heavy metal. A banda goza de estar em boa forma com o retorno do baterista Ricardo Confessori, explícito no novo single deles, Arising Thunder do novo CD Aqua. O espetáculo no telão fez um show com imagens do álbum Rebirth. No entanto, apesar dessa excelente impressão, aliada ao espetáculo que a produção fez com as luzes nos integrantes, o problemas começaram a aparecer.

A saída de som nas caixas estava doendo os ouvidos. Apesar dos instrumentos estarem bem balanceados, a qualidade sonora do palco do Anime Friends deixou a desejar. O segundo problema que ocorreu foi a escolha das músicas: Unfinished Allegro / Carry On e Nova Era / Waiting Silence / Silence and Distance / Angels Cry / Lisbon / The Course of Nature / Acid Rain / The Voice Commanding You / Rebirth / Nothing to Say / Deus le Volt! / Spread of Fire / Pegasus Fantasy. A voz do vocalista Edu Falaschi não foi feita para imitar o falsetes do clássico André Matos, autor de quase metade do setlist. O resultado ficou comprovado nos desastrosos agudos de Silence and Distance, em contraste ao excelente desempenho de Edu em Pegasus Fantasy e Spread Your Fire.

Apesar desses detalhes, foi um excelente show. O Angra está em forma para representar o Brasil neste ano, passada a fase do seu CD Aurora Consurgens, mal recebido pelo público.


Comitiva do Rock - Dia 18 de julho. 13h30.

Trazendo um heavy metal humorístico, o Comitiva do Rock trouxe sua Vaca Metaleira e tiraram sarro dos rapazes emos do NX-Zero, uma famosa banda nacional. Misturando clássicos como Sweet Child O´Mine do Guns´n´Roses com Zezé de Camargo e Luciano. Tocaram também versões que mudavam as letras de temas como Jaspion e He-Man. O intuito desses caras no Anime Friends era divertir todos com suas bizarrices.

Foto de Pedro Zambarda

Mega Driver - Dia 18 de julho. 15h00.

Inspirado pelos videogames, Nino "Megadriver" criou uma guitarra com a carcaça de seu Mega Drive e, depois, confeccionou outro instrumento com o rosto de Sonic. Formou também uma banda de heavy rock que tocasse seus clássicos favoritos dos consoles.

No Anime Friends, os rapazes do Mega Driver tocaram clássicos da Sega como Golden Axe, um game do aparelho Mega Drive, com apoio do vocalista Allan e sua potência musical. Para finalizar, tocaram também o tema do anime Dragon Ball Z, que fez o público pular sem parar. O show não foi realizado no palco principal, mas sim na arena de videogames do SP Game Show, atraindo todo o tipo de nerd para agitar com seu sons favoritos.

sábado, 25 de julho de 2009

De frente com a Pantera

Maria Alice Vergueiro tem mais de cinquenta anos no teatro, mas ganhou fama com um vídeo simples na internet. A diva do underground virou a velha dama indigna da maconha

Por Danilo Braga

“Claro que eu não faço apologia da maconha! Acho que quem quiser fumar fuma. Quem não quiser, não fuma...” Ela é a maconheira de Higienópolis, a diva do underground que foi salva do ostracismo pelo YouTube, pela erva (“todos os dias, sem pular nenhum") e pela arte. Ela é Maria Alice Vergueiro.

Maria Alice é atriz. Nasceu também no underground do teatro paulistano, mostrando o talento em diversos improvisos e montagens nos quase palcos do submundo teatral. Na parte de cima da vida, onde há luz, semáforos e legislação ela é reconhecida por um dos seus papeis mais simples e legítimos de sua carreira: a Pantera.

Ela recebe visitas no apartamento de mais de trezentos metros quadrados, bem localizado em Higienópolis. Surge na sala de visitas apoiada em uma bengala. A tremedeira chama a atenção no instante em que ela tenta se controlar. Não é uma ansiedade, não é a inquietação da atriz: é o Mal de Parkinson consumindo o corpo datado com 74 anos de idade, mas não derrotando-a. Sorri para os convidados como se os tivesse visto crescer. A mãos macias e quentes, acolhedoras são sedutoras: ela ainda é a diva.

O pai foi um dos líderes da Revolução Republicana. Morreu aos 47 anos, alimentando a rebeldia e a fome de arte de Maria Alice. A família foi contra essa decisão, mas da rebeldia ela não relutou.

A casa de Maria Alice evidencia a riqueza herdada da família. Móveis coloniais, pinturas com alarme anti-roubo. Ao lado de um abajur com cúpula de seda, uma cadeira de rodas elétrica e bem equipada indicam a velhice que atingiu a diva, que é mortal e feita de carne e osso. “Eu comecei a discutir comigo mesma essa questão da velhice, da aposentadoria e do Parkinson. Eu estou com início de Parkinson, e senti que não gostaria de esconder essa... não diria decriptude, mas é que a elite passa a ter um tabu de que você é culpado por estar velho.” A velhice é um de seus assuntos preferidos.

Maria Alice vive com a mãe, de 95 anos de idade. Sobrevive com a pensão que o Estado paga, será interrompida quando sua mãe morrer. Para reforçar o caixa, vende ocasionalmente jóias da família. “Mas não quero pensar nisso”.

Maria Alice toma o chá de margarida com seus convidados. É difícil identificar onde exatamente está a personagem da Pantera uma vez que a atriz é natural e autêntica em suas opiniões sobre a droga. A maconha é outro de seus assuntos preferidos.
“Eu também cheguei a um ponto que eu não tenho mais o que perder depois que eu virei uma maconheira que mora em Higienópolis, de 74 anos.” Se é a favor da liberação? Diz que não pode liberar, mas também não se deve proibir. “É preciso acabar com esse tabu. Quem usa isso não são os fudidos do morro ou a moçada, e sim os grandes cartéis, as cambadas dos banqueiros”, confessa a atriz, que diz estar há 27 anos sem tocar em uma gota de álcool.

“Tapa na Pantera” fez do anonimato da atriz, a notícia. Dos impactos que o vídeo causou, o que mais incomodou foi o da família. “Minha filha não fala mais comigo desde o vídeo. É engraçado. Quando você pensa que deu uma educação livre, que cada um faz o que quer, a outra me vira e me dá um ignorada, para eu aprender. Eu acho que o importante é exatamente isso, fazer e mostrar.” Os netos apoiaram e aplaudiram. “Pai, a vó é muito sem noção”, conta a Pantera.

O filme foi uma criação coletiva, que surgiu durante uma reunião entre Maria Alice e os estudantes de cinema da FAAP, Rafael Gomes, Esmir Filho e Mariana Bastos. Estavam em sua casa para fazer o trabalho de conclusão de curso. Tomavam sorvete e a câmera continuou ligada. Surgiu a personagem na atriz. “Foi uma brincadeira que deu certo”.

O vídeo teve 5 milhões de exibições. “O sucesso se deu por causa da dúvida se aquilo era verdade ou não. Porque aquele espaço foi invadido por uma atriz". E com um simples gesto, responde à pergunta que muitos fizeram: De uma pequena caixa de madeira, tira o seu cachimbo e o acende. “Você quer?”.

Posts mais lidos