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quinta-feira, 31 de julho de 2014

12ª Flip deve reunir 25 mil visitantes em Paraty. Homenageado é Millôr Fernandes

Agenda inclui cerca de 200 atividades, entre debates, shows, exposições, oficinas, exibições de filmes e apresentações escolares

Por Agência Brasil, via Portal Brasil


A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), um dos maiores eventos literários do mundo, iniciou sua 12ª edição nesta quarta-feira (30). Os ingressos para as 20 mesas de debates foram esgotados em poucos dias e nem mesmo a chuva e o frio parecem incomodar os visitantes que passeiam pelas ruas de paralelepípedos desnivelados da cidade histórica de Paraty, na Costa Verde fluminense, às vésperas do evento.

A estimativa de público para os cinco dias de evento é de cerca de 25 mil pessoas, quase a população total da cidade, de pouco mais de 30 mil habitantes. Segundo a prefeitura, a ocupação hoteleira já chega a 92% e deve alcançar os 100% no fim de semana.

As atividades desta terça (29) ficaram por conta da Flipinha, um dos eventos paralelos à feira, voltado para o público infanto-juvenil. Apesar da chuva e do frio, a tenda de 700 metros quadrados ficou repleta de pais, professores e, sobretudo, crianças, que apresentaram os trabalhos desenvolvidos nas escolas da região ao longo do ano.

A auxiliar administrativo-financeiro, Will Gonçalvez, levou a filha de 3 anos, que se apresentou no palco com os coleguinhas da escola. Para Will, que participa da Flip há dez anos, a inclusão das crianças na festa tem se intensificado. “A organização está tendo uma preocupação maior com as crianças, que estão participando mais. Isso é muito bom, pois contribui para a formação de futuros leitores”, avaliou. “Ela tem os livros dela, gosta de pegá-los, saber do que tratam. Percebo que ela já tem muito interesse”, completou.

A curadora da Flipinha, Gabriela Gibrail, explicou que, além das atividades permanentes, foi criada uma biblioteca com acervo de 12 mil livros para as crianças e adolescentes da cidade. “A Flipinha é uma festa para comemorarmos os resultados deste trabalho de base desenvolvido ao longo do ano”, comentou ela.

Quarenta e sete autores estão confirmados no evento oficial e a agenda inclui cerca de 200 atividades, entre debates, shows, exposições, oficinas, exibições de filmes e apresentações de escolas.

Uma das novidades deste ano é que o show de abertura, com a apresentação da cantora Gal Costa, foi gratuito. Além disso, haverá transmissão ao vivo da programação principal em um telão na praça central da cidade. O evento também poderá ser visto pela internet.

O homenageado desta edição, o escritor, cartunista, dramaturgo e jornalista Millôr Fernandes, que morreu em 2012, terá mesas de discussão sobre sua obra e importância para a sociedade brasileira e até um jornal diário durante todo o evento, o Daily Millôr. Os debates serão divididos em temas: Crítica ao Poder,  Imprensa, Questão Indígena, Ciência e Humor.

Os eventos paralelos são gratuitos e também muito disputados. O FlipZona, criado em 2009, é dedicado aos leitores adolescentes. O Circuito Off Flip, criado há dez anos para prestigiar as produções artísticas e culturais alternativas e independentes, cresceu tanto que divide as atenções dos participantes do circuito oficial com atrações espalhadas pela cidade e dezenas de autores e convidados.

Pela primeira vez em Paraty, a antropóloga equatoriana Janet Yepez pretende assistir aos debates sobre poesia e questão indígena, além de participar de algumas atividades da Flipinha. "Faço canções de ninar para crianças, então, para mim algumas atividades da Flipinha são imperdíveis, pois esse mundo das crianças para mim é incrível", disse. Janet pretende voltar a Paraty para conhecer melhor a cidade. "É uma cidade belíssima, mesmo com chuva. Voltarei com certeza”.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

USP discute: O que Filosofia tem a ver com Jornalismo?

Uma determinada área discute diversas questões relacionadas aos conhecimentos humanos. A outra área lida também diferentes conhecimentos, mas não aprofunda sua pesquisa. Uma é filosofia. E a outra é o jornalismo. Elas tem pontos em comum? Isso vai ser discutido na Universidade de São Paulo (USP), no dia 16 de abril (quarta-feira), na Tenda Cultural Ortega y Gasset, Rua do Alfiteatro.



O 1º Colóquio de Filosofia e Jornalismo propõe explorar os pontos em que se cruzam ou se afastam essas duas disciplinas, com oficinas e um ciclo de debates com especialistas. A organização está com o estudante de filosofia da FFLCH-USP e jornalista Duanne Ribeiro.

Confira a agenda do evento abaixo.

16 abril_ qua_ 14h às 22h
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Visão crítica da mídia_ 14h às 15h30

Dimas Antônio Künsch_ doutor em Ciências da Comunicação. Professor de jornalismo da faculdade Cásper Líbero, onde coordena o programa de Mestrado em Comunicação.

Daysi Bregantini_ editora e diretora responsável pela revista Cult.

Urbano Nobre Nojosa_ doutorando em Filosofia pela Unicamp. Professor no curso de Comunicação e Multimeios da PUC-SP.
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Oficina redação jornalística_ 15h30 às 17h 

Gerson Moreira Lima_ doutor em Ciências da Comunicação pela USP, jornalista e professor.
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Filósofo + jornalista: foucault_ 17h às 17h40 

André Paes Leme_ bacharel e licenciado em filosofia pela FFLCH/USP, onde é mestrando e realiza pesquisa na área de Estética.
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Papel do intelectual público_ 17h40 às 19h

Marcia Tiburi_ doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Autora de vários livros na área, professora e colunista da revista Cult.

Bruno Paes Manso_ doutor em Ciências Políticas pela USP. É autor do livro O Homem X - Uma reportagem sobre a alma do assassino em SP (Prêmio Vladimir Herzog de melhor livro reportagem de 2006).
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Filosofia do jornalismo_ 19h30 às 20h30 

Martim Vasques da Cunha_ escritor, jornalista, doutorando em Ética e Filosofia Politica pela USP, autor do livro "Crise e Utopia: O dilema de Thomas More" e colaborador do jornal Rascunho.

Andrés Bruzzone_ doutorando em Filosofia da Comunicação pela USP, jornalista, editor e publisher. 
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Oficina redação filosófica_ 20h30 às 22h 

Ricardo Fabbrini_ doutor em Filosofia pela USP. Professor-doutor dessa universidade, compõe o corpo editorial de revistas acadêmicas da Unesp, da PUC-SP e da UNB.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Texto de 2007: Primeiro encontro dos Jornalistas Escritores no Memorial

Escrito originalmente por Pedro Zambarda de Araújo para o site de Cultura da Cásper Líbero.
Nunca publicado porque o texto tinha 13 páginas (erro de novato). Texto foi adaptado para este blog.

Realizado nos dias 14, 15, 16, 17 e 18 de novembro, o evento de celebração do centenário da Associação Brasileira de Imprensa reuniu grandes nomes da imprensa escritas no Memorial da América Latina.

Cartaz do evento em 2007

Luís Fernando Veríssimo

Audálio Dantas, o organizador

Heródoto Barbeiro

Caco Barcellos, com Eliane Brum, em palestra
Uma dedicatória ao jornalista Joel Silveira, sergipano de Lagarto, que faleceu no dia 15 de agosto desse ano, foi exposta no saguão principal, que dá acesso ao auditório Simon Bolívar, cenário das principais palestras do evento. Essa foi a homenagem feita pelo jornalista Mauro Santayana para 1º Salão Nacional do Jornalista Escritor, realizado do dia 14 até 18 de novembro de 2007, no Memorial da América Latina.

As atividades foram inauguradas com a presença do governador de São Paulo, José Serra. Exposições de personalidades que fizeram história na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que completará 100 anos em 2008, foram colocadas em painéis na área do evento, com a amostra de Elifas Andreato, chamada “A arte do livro”, mostrando exemplares de desenhos feitos em livros de Clarice Lispector, Vinicius de Moraes e outros autores.
Primeiro dia: 15/11

Luís Fernando Veríssimo disse que é “mais jornalista do que escritor”, por seu texto obedecer as tendências do cotidiano, tendo uma maior identificação com crônicas. Sobre seus livros, Luis Fernando Veríssimo assumiu que a maioria foi feito sob encomenda. Para ele, a proposta e o prazo de um livro servem apenas de partida pra o escritor, que conta com a criatividade desenvolvida, mesmo com esse limite de tempo. 

Perguntado sobre a inovação da internet, Veríssimo diz que não lê blogs e não tem curiosidade mais aprofundada sobre essa nova forma de se expressar na rede, embora considere o e-mail uma revolução. Falou também de suas crônicas publicadas na rede e da fraude de autorias entre algumas delas. “Existe uma bem famosa correndo até hoje na internet. Chama-se ´Quase´ e tem um texto muito bem escrito, mas não fui eu quem fiz. Uma vez, visitei a França e uma famosa editora francesa estava traduzindo textos de brasileiros em uma pequena coletânea. Eu fui escolhido entre os escritores para transcrição e, adivinhem qual texto ela pegou? Foi constrangedor!” disse, entre risos.

Sobre seu passado, lembrou de sua afinidade com a música. Luís Fernando Veríssimo falou de sua relação com o jazz, especificamente da sua banda Jazz 6, embora tenha apenas cinco integrantes no momento. Dentro da banda, ele toca saxofone. Esse gosto pela música internacional não foi acaso. “Fui criado dos 6 anos até os 9 nos Estados Unidos. Tenho mais familiaridade com a literatura inglesa e cresci tendo o inglês como base para comunicação”.

O jornalista mineiro Ruy Castro direcionou as respostas das entrevistas para seu trabalho em biografias e perfis. Disse que os temas desses trabalhos devem ser escolhidos não somente por familiaridade do autor, mas pela relevância daquela vida ou tema para a posteridade. “Só deixo criarem uma biografia a meu respeito sobre o meu cadáver” disse, demonstrando mais claramente seu conceito de boa criação literária. 

Para ele, não pode haver intervenção do objeto biografado sobre o material final. “É impossível criar hoje um bom livro sobre o Pelé. Ele é importantíssimo e há material de sobra, mas ele pode afetar minhas fontes, dar depoimentos mentirosos, imbuir pessoas de omitirem informações curiosas”.

Heródoto Barbeiro, da rádio CBN e TV Cultura, e Ricardo Kotscho, diretor adjunto na nova revista de reportagens chamada Brasileiros, subiram ao palco, mediados por Eduardo Ribeiro. Infelizmente, por problemas de saúde, Fernando Morais, famoso por biografias como Chatô: Rei do Brasil, não compareceu ao evento.

Kotscho abriu falando um pouco de sua trajetória, como conheceu jornalismo em meados de 1960. Entrando em detalhes sobre o destino da mídia impressa, que é um tema muito retomado recentemente, ele não hesitou em expor seu viés particular: “Pra mim, escrever em jornal, revista ou qualquer outro veículo que exija texto não tem muita diferença. É pra contar história que faço isso.”

Segundo dia: 16/11

Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar do famoso O Pasquim falou da primeira entrevista publicada lá, sem nenhuma edição. “Foi uma revolução na época. Conto essa história na maioria das entrevistas, que é um saco, mas, enfim. Os palavrões de Ibrahim Sued saíram todos porque estava todo mundo bêbado no dia do fechamento. A matéria sobrou pra mim, precisava rever as fitas e escrever. Nossa imprensa, naquela época, ainda era toda de ´terno e gravata´. Revolucionamos isso”. Essa forma de fazer jornalismo conquistou fontes para matérias no Pasquim. “Passamos a levar bebidas nas entrevistas. Virou uma zona, perdemos várias fitas cacete depois de dias de apuração”. 

Ao falar dos censores na ditadura, contou uma história relacionada às bebidas. “Dona Marina foi nossa única censora que não era do exército. Era quieta, durona e bem anti-social. Mas, aos poucos, ela foi se encantando com a gente. Chegou num momento que ela estava com uma garrafa de whiskey na mesa. Ela acabava embriagada e deixava sair todas as matérias. Foi demitida pela ditadura e morreu de cirrose”.

Perguntado sobre quem admira entre os cartunistas, citou Angeli e Laerte, “pelos seus incríveis progressos nos quadrinhos, coisa que tenho preguiça”. E, ao citar planos para o futuro, Jaguar falou que está escrevendo um livro de memórias. Confessa não ter saudades de nenhum período, mas adora o presente.

Alberto Dines, fundador e atual coordenador do site Observatório da Imprensa, disse que “a literatura e a ficção se cruzam em inúmeros pontos. Temos esse exemplo nas famosas obras da ´Comédia Humana´, o conjunto de livros de Honoré de Balzac, que traçam um retrato sobre a realidade parisiense”.
O debate com o assunto “Ficção e Realidade, interdependência criativa: de Machado até Graciliano” foi iniciado com mediação de Vera Rotta. José Nêumanne Pinto foi introduzido com comentários de seus prêmios ao longo da trajetória jornalística. “Milita” no jornalismo desde os 19 anos, sem formação acadêmica.

Citou Gabriel García Márquez para dar início a discussão. “Dizia ele que Jonas, da antiguidade bíblica, contou uma balela para a esposa, após sair para uma viagem em um harém com várias mulheres. Foi assim que começaram as ficções”. Entre os renovadores do gênero no Brasil, Nêumanne Pinto considera Machado de Assis um dos principais.

Retratando o século XX na ficção, citou alguns escritores e outros influenciados por estes. James Joyce, Sigmund Freud, Franz Kafka e Marcel Proust foram colocados, pela análise de José, como criadores de estilos de escrita e filosofias que marcaram a literatura desse período. A psicanálise de Freud, por exemplo, não se limitou no campo médico, mas se estendeu nos livros como uma forma de pensar a ser seguida, segundo o jornalista.

Expôs dentro da obra de Kafka, A Metamorfose, a existência de aspectos realistas mesmo em personagens absurdos. O homem transformado em inseto, na trama, ainda tem aspectos e sentimentos típicos de nossa raça, mesmo em um corpo totalmente diferente.

Citou Camus, outro escritor do absurdo, como literatura tipicamente filosófica. Mesmo com fatos chocantes e que colocam os personagens no limite de seus atos, eles não perdem o aspecto íntimo com o leitor mais casual.

Já no Brasil, Guimarães Rosa trouxe em livros como Sagarana conceitos de neologismo empregados nas ficções de James Joyce. “Vi um traço de Joyce em mim, mesmo querendo escrever um livro simples” relatou, falando de suas experiências pessoais como escritor. 

“Romance é uma mentira baseada em uma verdade. Não é simples futilidade, pois aborda em seu texto vários assuntos” disse José Nêumanne Pinto, sobre suas convicções sobre esse gênero. 
José Nêumanne Pinto expôs sua opinião sobre essas duas carreiras. “O que importa no jornalismo ou na literatura é a qualidade do texto. O bom texto jornalístico atravessa o tempo”. 

Ele fez uma comparação de Truman Capote no livro A Sangue Frio. “O assassinato da família Clutter relatado por Truman é a reconstrução da obra literária de Albert Camus, O Estrangeiro. Capote traz a ficção absurda de Camus para a vida real, com sua excelente memória em entrevistas”. 

Terceiro dia: 17/11

“Eu conhecia Paris, Nova Iorque, mas estava conhecendo a Favela do Vigário Geral, próxima da minha casa, somente em 1994, quando fui cobrir a chacina que ocorreu lá”. No livro onde descreve esse acontecimento, Cidade Partida, o jornalista Zuenir Ventura coloca duas trajetórias distintas: um rapaz que vira traficante e outro que virou líder comunitário. “Há um mito na favela que o menino das armas, do tráfico, o soldado, pega todas as meninas. Então, com esse apelo sexual, as atividades ilegais são incentivadas. Não dá pra oferecer um emprego normal, uma vida modesta, para um menino desses”.

O filme Tropa de Elite, na opinião de Zuenir, mostra a realidade do Rio, sem pudores. “Quando repudiam esse filme, eu tenho a impressão que não é correto chamá-lo de fascista por mostrar cenas de tortura envolvendo policiais. Se for assim, então Francis Ford Coppolla pode ser chamado de gangster por ter feito um excelente filme da realidade da máfia, como foi o Poderoso Chefão”.

Fora do mercado de trabalho, Zuenir Ventura lecionou aulas de comunicação por 40 anos. “Ensinei os jovens estudantes a não se envolverem intimamente com os fatos. Essa história que o jornalista tem estética e não ética é mentirosa. Ele é um testemunho dos fatos ainda assim” criticou, e levantando dados de seu tempo, disse: “fui criado numa época em que crescemos sob o mito da objetividade. Hoje em dia, esses valores estão em crise, mas ainda devem ser levados em conta”. Indo profundamente nas imperfeições dos jornalistas, ele comparou a carreira com as limitações de uma câmera fotográfica, que, embora tenha um enorme campo para a criatividade, é restrita aos limites humanos.

Quando cursou a Faculdade de Filosofia, no Rio de Janeiro, Ventura foi aluno do célebre escritor Manuel Bandeira. “Ele não era dos mais carismáticos. A tuberculose, o mal que o afligiu a vida toda, causava pigarro na sua voz. As aulas não ficavam atraentes. No entanto, sendo quem foi, Bandeira recebia de mim uma reverência, que era sempre correspondida” declarou, Zuenir Ventura, orgulhoso.
Quarto dia: 18/11

Juca Kfouri fez Ciências Sociais na Universidade de São Paulo e pretendia ir além da graduação. “Meu time de futebol me fez entrar no jornalismo. Queria provar, numa tese acadêmica que esse esporte não era alienante para o povo. Os presos políticos, ao contrário dos marxistas da faculdade, torciam para o Brasil na Copa de 1970”.

Entrou no começo da revista Placar, da editora Abril. “Logo de cara tive que escolher entre minha pós-graduação e o trabalho jornalístico. Era chefe de reportagem já em 74, mesmo sem ter escrito uma linha sobre isso”.

Conhecendo mais profundamente o futebol, viu um vestiário por dentro graças à credencial da Abril. “Entrei lá e, quando vi o estado do pé dos jogadores, fiquei abismado. Calos, pé-de-atleta, bichos geográficos, pés horrorosos. Consegui convencer meus superiores a fazer uma matéria sobre esse absurdo, mesmo com todos dizendo que isso era normal”. Juca ganhou prêmio Abril pela matéria, que mudou a forma como os clubes de futebol tratam de seus jogadores. Passaram a integrar pedicures nas comissões.
Fora do jornalismo, Kfouri foi perseguido politicamente e participou de grupos de guerrilhas da esquerda brasileira estudantil. Falou da famosa greve de maio de 79, feita por jornalistas. “Audálio Dantas, que criou esse ótimo evento, era a pessoa que mais nos dava segurança dentro do sindicato, naquela situação. Os brasileiros têm, constantemente, o absurdo de esquecer fatos drásticos como o assassinato de Vladimir Herzog, com falsas justificativas. No entanto, avaliamos mal nossas próprias ações, deveríamos ter pensado de outra maneira. Não era pelas armas ou pela guerrilha que deveríamos protestar. Esse país nunca foi Cuba” discursou Kfouri, emocionado.

Avisando os estudantes de comunicação, deu um aviso muito reflexivo: “vocês devem ter ouvido em várias palestras aqui coisas do tipo ´nossa, como essa gente toda quer fazer jornalismo? A gente ganha muito mal´. Bom, vou ser sincero, eu gosto muito do que faço. Rio todos os dias nesse trabalho, acho uma carreira ótima para qualquer pessoa, desde que ela saiba o que fazer. Apesar de estarmos próximos do poder muitas vezes, o jornalista deve ter sempre em mente que é apenas um observador”.

Eliane Brum começou a discussão, mesmo com uma grande timidez para falar em público. “Vou ler um texto que fiz para esse evento e peço, por favor, que encarem isso como se eu estivesse somente falando com vocês, como uma conversa mesmo”. Dessa maneira, a jornalista lembrou há a falta de textos, de muita da nossa cultura atual não engloba bons contadores de história que criam um público leitor digno.

“Nosso compromisso ultrapassa a redação. Somos repórteres até sem emprego. Se não encontramos espaço para nos expressar nas redações, o livro é uma saída muito válida” admitiu. Eliane possui apenas 20 anos de profissão, sendo a mais jovem jornalista que se apresentou no evento todo. Com palavras e emoção, disse que jornalismo é a melhor profissão do mundo por acreditar no que se faz. “Conheço colegas que acreditam que seu jornal embala peixe, que ninguém vai se lembrar. Alguns poucos, mas significativos, acreditam estar fazendo história, pois o que escrevemos não deixa de ser um documento, mesmo que mostre nossa incompetência”.

Para ela, as redações estão fechadas em si mesmas, os grandes conglomerados de comunicação também, mas Eliane apontou alternativas, como a internet. “Há poucos dias, a periferia criou um evento chamado ´Primeira Semana de Arte Moderna´, com artistas da favela. Audálio Dantas, presente aqui e organizador desse salão, fez uma cobertura muito expressiva. Eventos como esse são exemplares na periferia, mas quantos de vocês viram isso nas grandes redes?”.

Atrasado por motivos pessoais, o jornalista Caco Barcellos foi o último a falar. Com sotaque gaúcho fluente, disse que o livro Rota 66: A polícia que mata foi o trabalho mais polêmico de sua carreira, que gerou perseguições por parte de autoridades na época de seu lançamento. No entanto, processos judiciais só ocorreram na reportagem de Barcellos sobre abusos da Polícia Militar no famoso “Massacre do Carandiru”, que foi assunto refletido nas Organizações das Nações Unidas (ONU).

Sobre entrevistas, Barcellos falou dos testemunhos decorados, forjados e rasos, feitos principalmente por autoridades sociais. No seu livro Abusado: Dono do morro Dona Marta, ele teve oportunidade de falar com pessoas faveladas, sem nenhum preparo ou censura prévia sobre seus próprios depoimentos.

Caco Barcellos mencionou, inúmeras vezes e de maneira irônica, o filme Tropa de Elite, mostrando como a classe média aplaudiu as ações policiais de tortura no longa-metragem. “Quando o Bope raptou um playboy com maconha, deu uma lição sem brutalidade e o devolveu às ruas, Juliano VP ficou desesperado, com medo de perder compradores. Quando eles agiram sem violência, o tráfico saiu muito prejudicado” criticou Barcellos. Sobre ameaças cotidianas pelo que escreve, Caco confessou que não sofre. 

Como última palestra, entrevista e acontecimento do Salão do Jornalista Escritor, Mino Carta, jornalista e dono da revista Carta Capital, subiu ao palco para responder entrevistas, às 19 horas e 30 minutos. “Quando saí da Veja, tive que criar meus empregos. Passei a dirigir, aos 26 anos de idade, publicações que não existiam no mercado” enfatizou.

Sobre sua entrada no jornalismo, com muito sotaque italiano, disse que começou com um “senso de mercenário”, buscando apenas dinheiro. O pai, que era jornalista, odiava futebol e convocou o jovem Mino para fazer matéria sobre o assunto. “Fiz as contas e vi que podia comprar um terno azul-marinho. Entrei como jornalista no trabalho querendo esse terno”.

Na editora Abril, foi diretor da revista Quatro Rodas, embora não dirija carros até hoje. Quando assumiu a revista Veja, viu que poderia fazer política pelo jornalismo. “Tenho convicção de que não ficarei na história. Meus empregos, sim, eles ficarão”.

Na opinião de Mino e de acordo com suas referencias, o jornalismo brasileiro está entre os piores do mundo. “Esse ´projeto de IBOPE´ é responsável por um mal texto. A aposta disso é que o povo não passa de um bando de imbecis”.

Sobre suas leituras particulares, responsáveis por sua formação, Mino Carta recomendou autores ingleses, como Jonathan Swift e Charles Dickens. Criticou a postura do escritor Mário Sérgio Conti ao fazer o livro Notícias do Planalto. “Ele resolveu mostrar a visão do patrão, ao me entrevistar. E, para mim, Roberto Civita foi uma das maiores bestas que já conheci na vida. Conti é o típico sujeito que te entrevista sem olhar nos seus olhos, sem perguntar de frente. Ele ficou olhando pro cadarço do meu sapato”.

Ao ser questionado sobre como foi a criação da Carta Capital, Mino diz que surgiu graças à editora Carta de seu irmão, que abrange revistas como a Vogue. “São o tipo de revistas que não tem nada a ver comigo”.

Encerrando a última pergunta, respondeu que não acredita que existiu um New Journalism nos Estados Unidos e no mundo, mas sim um jornalismo bom, com textos de qualidade, que se sobressaiu perante os demais.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Salão do Jornalista Escritor acontece, pela segunda vez, em São Paulo


O Salão do Jornalista Escritor aconteceu pela primeira vez em São Paulo, no Memorial da América Latina, em 2007. O evento vai ocorrer novamente, de forma gratuita, entre os dias 6, 7 e 8 de setembro de 2013, ou seja, a partir de amanhã.

Grandes nomes da imprensa escrita estão confirmados, como Juca Kfouri, Heródoto Barbeiro, Eliane Brum, Fernando Morais, Albert Dines, Mino Carta, Ricardi Kotscho e Caco Barcellos.

O Salão é organizado pelo jornalista Audálio Dantas, numa realização da UBE - União Brasileira dos Escritores com organização da Mega Brasil.

O Bola da Foca estará no evento e postará um texto sobre o primeiro salão, originalmente escrito em 2007.

Mais informações, neste link do Jornalistas & Cia.

sábado, 27 de abril de 2013

Você iria em uma convenção de Doctor Who?

Você iria em uma convenção de seu seriado favorito? Gosta de Doctor Who a ponto de partilhar experiências com outros fãs? No dia 15 de junho, você poderá fazer isso, na Gallifrey Con.


Doctor Who  foi ao ar pela primeira vez em 1963 e ficou na televisão ininterruptamente até 1989, quando a série foi cancelada. Antes da volta triunfal em 2005, com o icônico episódio "Rose", foi lançado um filme em 1996, que apresenta o Oitavo Doutor em uma aventura nos EUA. A série conta as aventuras do Doutor alienígena de 900 anos da raça dos Time Lords de Gallifrey em suas "andanças" pelo tempo e espaço em sua nave Tardis, salvando mundos, como a Terra. Ele faz isso usando sua chave de fenda sônica (sonic screwdriver) ou "revertendo a polaridade do fluxo de nêutrons".

O Doutor já foi interpretado por 11 atores diferentes, dentre eles Sylvester Mccoy (O Hobbit - Uma Jornada Inesperada), Christopher Eccleston (Elizabeth) e David Tennant (Harry Potter e o Cálice de Fogo). As mudanças de elenco são possíveis devido a um dos "poderes" do personagem, de se "regenerar" em outro corpo quando estiver à beira da morte.


A convenção brasileira está na sua segunda edição. Em 2011, contou com um público de mais de 500 pessoas. A Gallifrey Con acontece no dia 15/06/13 na Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social - Bunkyo (Rua São Joaquim, 381 - Liberdade, São Paulo - SP) das 10h às 18h.

Detalhes do evento na foto acima.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Brasileiro participou na final de campeonato de servir chopes


Após vinte anos de profissão servindo bebidas, o garçom piauiense Otagilson de Castro dos Santos, 38 anos, teve seu talento reconhecido. Hoje ele disputou, às 15h, a final do World Draught Master, mostrando que poderia ser o melhor do mundo na arte de servir chopes. Infelizmente foi desclassificado antes da semifinal, mas mostrando sua eficiência.

Otagilson começou vencendo no Brasil, contra 30 participantes do envento. Os candidatos serviram a bebida sem alteração de gosto na etapa nacional da competição para obter as melhores notas. Ele trabalha no bar SeoRosa, em Campinas, em São Paulo, e faturou 3 mil reais com a vitória no campeonato aqui, tendo ainda mais orgulho da profissão que escolheu ao vir para o sudeste brasileiro.

O 14º World Draught Master é patrocinado pela marca de cervejas belga Stella Artois. As rodadas de competição ocorreram com a lavagem de copos, a tirada do chope, a lavagem do copo manchado com espuma e a entrega aos avaliadores para provação.


Fonte: Terra

domingo, 2 de agosto de 2009

Arte moderna paranaense em exposição

Quadro Sonho de Alberto Massuda. Nudez, confusão e contato.

Exposição que começou dia 30 de julho, em Curitiba, Coloca à mostra obras de cinco artistas plásticos do Paraná. O nome “Tributo à arte moderna do Paraná” é uma homenagem aos criadores do Grupo Um (GUM) que, na década de 60, buscou um novo caminho para as artes plásticas no Estado. Eles são Alberto Massuda, artista estrangeiro naturalizado que nasceu na cidade do Cairo, Egito; Álvaro Borges, de Ponta Grossa, no próprio Paraná; Érico da Silva, de Indaial, Santa Catarina; Rene Bittencourt e Waldemar Roza, ambos de Curitiba. Em abril de 1966, no prédio 256 da Praça Tiradentes de Curitiba, os criadores do grupo organizam sua primeira exposição para levar a arte até todos, saindo das galerias e dos circuitos fechados.

Recanto Azul de Érico da Silva. Predominância de tons frios com o mar.

A cada exposição que eles fizeram, dividiram espaço com novos artistas no começo de carreira, que buscavam divulgação. Artistas plásticos como Luiz Carlos de Andrade e Lima, Antonio Arney, Domício Pedroso e Wilson Andrade e Silva foram alguns exemplos dentro do Grupo Um. Fernando Bini, crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA) coordena essa exposição.

“Tributo à arte moderna do Paraná” prossegue até 3 de outubro no Espaço Cultural e Gastronômico Alberto Massuda, em Curitiba, com algumas obras que nunca foram expostas, nunca participaram de nenhuma exposição ou estiveram em público. Além da exposição histórica, com o resgate dos nomes de cinco artistas plásticos do Paraná, estão marcadas duas mesas redondas, a partir das 20h. A primeira, dia 6 de agosto, reúne Adriano Massuda, Bini, Vera Mussi, Fernando Velloso e Max Conradt, que abordarão o tema “Grupo Um e o modernismo no Paraná” e a outra, a 3 de setembro, sobre “Os artistas do Grupo Um” terá Fernando Bini, Xenia Rosa, Fernando Calderari, Nilza Procopiak e João Osório.

Mais dados do evento:

De 30 de julho (abertura às 20h) a 3 de outubro
De segunda a domingo, das 11h30 às 14h30, e segunda a sábado, das 19h à 0h
Espaço Cultural e Gastronômico Alberto Massuda
R. Trajano Reis, 443
(41)3076-7202
www.albertomassuda.com.br

Agradecimentos à jornalista Marisol Vieira e BWP Comunicação, pelos dados cedidos por e-mail.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Corpus Christi reúne mais de 12 mil fiéis em Cachoeira Paulista (SP)


A solenidade de Corpus Christi é uma manifestação pública da fé no Sacramento da Eucaristia. No Brasil, uma tradição ganha às ruas das cidades nesta data: os longos tapetes ornamentados que dão um colorido especial à festa.

Feitos de diversos materiais, os desenhos são variados mas recordam principalmente a presença de Cristo. Na cidade de Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, mais de 12 mil fiéis se reúnem na sede da Comunidade Canção Nova para a Festa de Corpus Christi.

Sob um tapete de 158 metros, confeccionado com desenhos de símbolos litúrgicos, os peregrinos expressaram sua fé e devoção. As atividades começaram às 7h, com a celebração da Santa Missa; e só terminam às 18h.

Corpus Christi

A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição da Eucaristia; sendo o único dia do ano em que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às ruas. Embora a Quinta-feira Santa seja o dia oficial da instituição da Eucaristia, a lembrança da Paixão e Morte do Salvador não permitem uma celebração festiva.


Fotos: Ariane Fonseca

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