segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Trocando as bolas do sci-fi

Mesmo com suas falhas, Distrito 9 é mais nova pérola do genêro



Todo ano tem sua surpresa no cinema. Aquele filme que chegou de mansinho, ganhou fama na internet – geralmente por conta de virais – e acaba sendo mais elogiado do que devia e fazendo uma ótima bilheteria. Bom, este ano não poderia ser diferente, e o escolhido da vez foi Distrito 9. Com a benção de Peter Jackson e dirigido pelo novato Neil Blomkamp, o filme inverte todos os clichês do filmes sobre invasão alienígenas, e é um exemplo de como o sci-fi continua vivo e criativo.

No fim dos anos 80, do nada, uma nave gigantesca estaciona sobre a cidade Johanesburgo. Nada acontece. Nenhum ataque, nenhuma mensagem para os seres humanos. Nada, por dias. Até que o governo, sob os olhos do mundo, decide invadir a nave e se depara com mais de 1,5 milhão de extraterrestres que pareciam camarões humanóides. Sua nave está quebrada e eles não têm como ir embora. E mesmo se tivessem, ninguém deixaria.

O filme se passa 20 anos após a chegada dos Camarões – como são prejudicialmente chamados – que já estão estabelecidos em uma favela, com tráfico de drogas presente, miséria constante e excluídos da população humana. Com a constante pressão pública – tanto de negros quanto de brancos – para a saída dos ETs da área urbana, o governo planeja o despejo do Distrito 9. No entanto, os Camarões precisam ser avisados com 24hrs de antecedência. E a cabe Wikus ven de Werne e sua equipe da MNU (agência que os controla) avisá-los. No meio do processo, Wikus é contaminado com DNA alienígena, e começa a lentamente se transformar em um deles. Deu. Mais que isso estraga o filme.

Para se aproveitar todas as qualidades de Distrito 9, antes é necessário estar aberto para seus defeitos. O primeiro, por mais estranho que pareça, não é culpa de ninguém. O mundo todo tentou impor um contexto político em Distrito 9, estabelecendo comparações óbvias com Apartheid. De fato a relação existe, e é bem explicita em alguns momentos, e implícita em outros. No entanto, tais referências existem a tantos outros absurdos cometidos pela humanidade, em tantos momentos, que focar apenas neste ponto enfraquece a obra. Distrito 9 é acima de tudo uma ficção cientifica com uma boa história. Ponto.

Outro defeito está na escolha do “documentário ficcional” que é mostrado em vários momentos, especialmente no começo e no fim. Faria todo sentido se o filme fosse inteiramente feito assim, ou apenas pontos específicos, mas da forma como foi usado, soa totalmente perdido, embora alguns “depoimentos” sejam muito interessantes. Depois disso, começamos a enxergar algumas qualidades que realmente fazem Distrito 9 valer a pena.

Como em todo grande sci-fi, a força está nos personagens. Sharlto Copley, um surpreendente novato, entrega um Wikus fantástico. Se no começo parece um burocrata retardado, sua transformação ao longo do filme é impactante. E não me refiro a sua transformação física, mas na forma como se torna um homem forte, que é capaz de tudo para se salvar, e por fim, salvar aquilo que vale a pena ser salvo. E há também Christopher, o ET. Sua relação com seu filho é tocante, garantindo a “humanidade” a seres não-humanos, humilhados sem nenhum sentido, apenas querendo ir para casa.

Se a direção da Blomkamp peca na escolha do formato de documentário, acerta em cheio nas cenas de ação. Extremamente bem dirigidas, sem invencionices e, mais importante, sem medo de mostrar sangue. Não são poucas as vezes que vemos cabeças sendo explodidas, corpos dilacerados, entre outras coisas. Outro ponto alto é a meia hora final, onde o clímax da produção é muito bem conduzido.

Enfim, se Distrito 9 não revoluciona como muitos disseram, ele acerta em cheio no que propões. Invertendo todos os clichês possíveis, o filme é um grande exemplo de sci-fi em um ano muito bom para o gênero. E é muito bom saber que caras do porte de Peter Jackson estão com os olhos abertos para gente como Blomkamp. O bom sci-fi ainda tem muito tempo de vida.

3 comentários:

MissBruno disse...

verei =D

Roxane Teixeira disse...

Humm, eu não. Particularmente, eu até gosto so gênero, mas o trailler me decepcionou. Poxa vida, contrabando de comida de gato? Não me parece uma coisa tão perigosa...

Thiago Dias disse...

Hahaha...belo argumento Roxy, mas acredite, na história faz todo o sentido. Digamos que a comida de gato tem um efeito..narcotizante

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