segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Gamer

Bem vindo aos anos 90!


Era uma vez, há um tempo atrás, uma época na qual o cinema de ação era feito basicamente de sangue. Nesse mundo lúdico, músculos e balas eram o que importavam, e os heróis eram caras carismaticos com braços do tamanho de toras. De vez em quando, o roteiro ainda era preenchido com alguma substância. Quando isso acontecia, criaram-se os “clássicos da ação”. True Lies, Rambo I, Vingador do Futuro e, o maior de todos, Exterminador do Futuro 2 são alguns exemplos. Pois bem, não é que no fim da década de 2000 surge algo parecido de novo no cinema? Gamer, que estreou na última sexta-feira, não faz feio diante de nenhum desses filmes.

Com uma forte pegada sci-fi que caracterizou o genêro no começo da década de 90, Gamer fala sobre um jogo com seres humanos reais. Condenados a morte são controlados por pessoas comuns em uma especie de “Call of Duty” ultra-realista. A recompensa: quem chegar vivo à 24º batalha, ganha a liberdade. O homem que chegou mais próximo disso é Kable. É alguém que, por um acaso, tem algum mistério com Castle, o criador do jogo. Entram também no meio da trama a mulher e a filha de Kable, um grupo de hacker que é acha que a tecnologia de Castle é escravidão e o adolescente que controla o herói.

O filme tem dois grandes trunfos: a direção impecável da dupla Mark Neveldine e Brian Tayor e o elenco recheado de nomes semi-conhecidos. Você não verá nenhuma frescura em Gamer. Aqui é ação nua e crua. Tiros que arrancam pernas, braços sendo quebrados, pescoços torcidos. Tudo retratado de maneira clara, sem pegar leve em nudez e nem nada do tipo. Daí sai a censura de 18 anos.

Mas apesar de todos os méritos da direção e do roteiro transloucado mas atraente, a impressão que fica é que o filme afundaria sem a dupla protagonista. Gerard Butler mosta que não tem pra The Rock, Vin Diesel ou Daniel Craig. Ele é o cara da ação hoje em dia. Um interprete competente nas cenas dramáticas e uma montanha de músculos nos momentos de ação. É facil crer na invencibilidade de Kable quando vemos Butler. Entretanto o show é de Michael C. Hall. Quem já viu Dexter sabe da capacidade do rapaz, e aqui ele entrega um multibilionário maníaco extremamente cativante. A cena da pancadaria entre Butler e os capangas de Hall, enquanto ele dança e canta Frank Sinatra, é clássica.

Enfim, Gamer não é do tipo de ação que se faz hoje em dia. Poderia ser facilmente um filmes do meio dos anos 90, e aí está seu mérito. As vezes é isto que precisamos. Um roteiro extremamente divertido, com atuações bacanas e direção impecável. Para que mais? Deixe isso para os Bournes da vida, que já tem suas inúmeras cópias. O negócio aqui é tiro, sangue e carne. Mas é claro, com aquele toque sci-fi que tanto adoramos.

3 comentários:

Pedro Zambarda disse...

Apesar dos tiros e explosões em excesso que podem repelir algumas pessoas que esperam drama, achei o roteiro rico para a época de hoje.

Games nunca estiveram tão em alta. São é melhor plataforma de simulação eletrônica e tal ;]

zaheyier disse...

Digo mais: os MMOGs (Massive Multiplayer Online Games)nunca estiveram tão em alta.
Os usos que os mais diferentes players, q se conectam de todo lugar do mundo para controlar seu avatar num jogo de guerra, de RPG, de luta, e até mesmo o Second Life; fazem é visto claramente no filme.

Numa época tão tecnológica, render-se a essas conexões é um erro? É uma das questões desse filme incrivelmente atual, cronótipo e sem hipocrisias. A censura de 18 anos é consequência...

Ah, um errinho: o criminoso só é solto se sobreviver por 30 sessões, e não 24.

Thiago Dias disse...

Ah ta certo..valeu cara

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