sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Quem apagará a luz?

A temporada da Fórmula 1 já acabou, a maioria dos pilotos está de férias, mas foi na madrugada de ontem que saiu a notícia mais importante do ano para a categoria. Numa entrevista coletiva, em Tóquio, o presidente da Honda, Takeo Fukui, anunciou o desligamento da Fórmula 1. Isso mesmo, uma das marcas mais ligadas a F1 se retira até mesmo do fornecimento de motores, dos quais conseguiu todos os seus títulos (Williams e McLaren).

Ficou claro que depois da morte do antigo presidente, Soichiro Honda, um apaixonado pelas competições, a Honda entrou no rol das montadoras que só visam o próprio lucro, como alertaram o duo que comanda o 'circo', Max Mosley e Bernie Ecclestone. Mas o principal motivo, além da falta de resultados (somente uma vitória! - com Jenson Button na Hungria/06) é a crise financeira mundial. E essa tal crise pode ser o famoso "momento de ruptura".

Outra montadora japonesa, a Toyota, uma das que mais gastam na categoria e com desempenho tão pífio quanto o da Honda, pode ser a próxima. E o principal patrocinador da BMW-Sauber, o banco Credit Suisse, pode também dar adeus.

Ainda sobre a Honda, a questão é que um prazo de três meses foi dado para encontrar um comprador, caso contrário a equipe será extinta e com isso o grid será de apenas 18 carros (isso não acontece desde 1969). Nick Fry, chefe executivo da equipe, confirmou que existem três interessados (alguém do ramo da aviação e pessoas ligadas à DIC - Dubai International Capital - são os que se tem conhecimento até agora).

Não se sabe se a Honda também sairá da Indy (da qual é a fornecedora de motores oficial) e/ou da MotoGP. Demostrando que a crise não se resume a F1, a Audi se retirou da Le Mans Series e da ALMS (American Le Mans Series), duas categorias de sport-protótipos.

Mas tem jeito para isso? Se a bandeira da redução de custos já foi hasteada a algum tempo, por outro lado as imposições para alguma equipe independente entrar na categoria continuam altos (são necessários um "pedágio" de 45 mihlões de dólares, além do fato que câmbio e chassis têm de ser próprios). Mosley aparece inclusive com a possibilidade de um motor padrão, fato que desagradou até o bi-campeão Fernando Alonso, que declarou até a chance de sair da categoria.

Falando em pilotos, interessante ver os movimentos de Jenson Button, Lucas Di Grassi (Indy? WTCC?), Bruno Senna (pode procurar lugar na Toro Rosso) e principalmente Rubens Barrichello, que pode ver a sua última porta na F1 fechada.

O momento é nebuloso, mas o recado está dado. Deste jeito não continua.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sopa de Letras

Prestei jornalismo porque gosto de escrever.

Prestei jornalismo porque era fácil passar (irreal na USP).

Prestei jornalismo porque quero aparecer na Globo, ser que nem (sic) o William Borner (sic) e a Fátima.

Prestei jornalismo porque não sei o que quero da vida.

Prestei jornalismo porque quero entender e fazer comunicação.

Destas 5 situações, é fácil entender quem foi feliz na decisão.
Pode não ser o mais rico, mas não vive castrado.

Sopa de Letrinhas são crônicas (que deveriam ser) publicadas às quintas-feiras.

Falam de comunicação, de protesto e contra-protesto.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Virtuosismo roqueiro


Seja com o Dr. Sin ou em carreira solo, Edu Ardanuy é reverenciado por metaleiros e amantes das seis cordas em geral. Técnica feroz e precisa é uma característica da música de Edu, e algo presente em seu mais novo disco solo, Electric Nightmare.


Apostando em um rock pesado e sem firulas, Edu acerta em cheio. Riffs pesados e contagiantes e solos impressionantes prometem fazer com que estudantes de guitarra fiquem horas sentados em frente a seus CD Players ralando para aprender músicas como Fire in the Sky e Electric Nightmare (esta última com um clima épico de tirar o fôlego).

As fritações e abusos de truques estão presentes ao longo de todas as faixas. Em alguns momentos, inclusive, o estilo de Edu lembra outro grande nome da guitarra: o mago Steve Vai. Essa influência pode ser claramente percebida em Alien Voice (em minha opinião, a melhor música do disco).

Outros destaques vão para a balada Secret, para os pesados riffs de Vertigo e para o fusion In the Mood, com diálogos entre guitarra e trompete.

Indicado para todos que curtem rock competente e amantes das seis cordas em geral.

Guitarra verde e amarela


Um dos maiores guitarristas brasileiros, Kiko Loureiro fez fama no mundo todo tocando com o Angra, tradicional banda de metal brasileira. Além de já ter lançado dois álbuns em carreira solo, No Gravity (2005) e Universo Inverso (2006), o músico possui uma linha de guitarras Tagima e é professor do IM&T (Instituto de Música e Tecnologia).

Universo Inverso, um disco instrumental, mostra a técnica apurada de Kiko, com um diferencial: o heavy metal que o tornou conhecido está diluído em meio a ritmos brasileiros e latinos. A participação do pianista cubano Yaniel Matos, que assina algumas das composições do álbum, foi uma das responsáveis por mudar os horizontes musicais de Kiko. O baterista Cuca Teixeira e o baixista Carlinhos Freitas completam a banda e providenciam a cozinha ideal para os vôos virtuosos de Kiko e os solos jazzísticos de Yaniel.

Abrindo com Feijão de corda, uma mistura de baião e maracatu, Kiko mostra que seu domínio musical se estende muito além de fritações em escalas menores. Além e um contagiante riff inicial, outro detalhe que chama a atenção é o solo de Yaniel que lembra outro grande nome do piano jazz, Herbie Hancock.

Essa influência também está presente na música seguinte, Ojos verdes, de autoria de Yaniel, calcada em ritmos flamencos. Outro destaque dessa música vai para a performance de Cuca na bateria.

Havana, a terceira música, outra composição de Yaniel, é uma mistura de rock, jazz e ritmos latinos muito bem dosada. Em seu solo, Kiko usa toda a sua paleta de truques, de sweeps a ligados, em favor da melodia.

Anastasia é uma espécie de baião de levada mais tranqüila, que, como afirmou Kiko em seu site, é uma homenagem a sua cadela. O disco segue com Monday Mourning, um jazz tipicamente brasileiro, com belo solo de Kiko em uma guitarra sem distorção.

Mais uma homenagem, dessa vez à sua cidade natal, o Rio de Janeiro, Arcos da Lapa é uma mistura de samba com rock. Destaque para o acompanhamento de Yaniel ao piano.

Samba de Elisa, como o próprio nome já diz, é um samba em que fica claro um clima de improvisação jazzística, tanto por parte de Kiko quanto de Yaniel.

Camino a casa, que abre com um grande solo de baixo de Carlinhos, possui uma levada de rock latino que remete o maior nome dessa mistura, Carlos Santana. É uma das músicas mais agitadas do CD e possui um groove contagiante.

As duas últimas músicas, Realidade Paralela e Recuerdos, possuem um clima mais calmo, com solos melódicos, sem virtuosismos. Vale destacar o violão de Kiko em Recuerdos.

Eu já me preparava para desligar o CD Player quando descubro uma música escondida além daquelas dez anunciadas no encarte. O violão de Kiko surpreende com a levada brasileira, que mistura samba e chorinho, assim como a sessão de metais que o acompanha no resto da música.

Como um todo, o CD é muito bom. Tanto pela surpresa em ver um guitarrista de metal tocando temas tão diferentes quanto pelo modo como tratou esses temas e criou grandes composições sobre eles. Um álbum que promete agradar não apenas headbangers como apreciadores de música em geral.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Max Payne

Quando tudo dá errado...


Não se pode mensurar o crescimento da indústria de games no entretenimento nos últimos anos. Desde o início do século, ela deixou de ser algo exclusivo de nerds em quartos escuros para alcançar adolescentes, adultos e até idosos de diferentes gostos e hábitos. Nos países onde ela se instalou de forma sólida, os games se tornaram um passatempo tão corriqueiro quando o cinema ou a leitura. Hollywood é claro entrou de cabeça no ramo, adaptando seus maiores sucessos para as telas, algo que se iniciou e teve pioneiro o filme “Super Mario Bros” de 1992. Desde então são inúmeras adaptações de inúmeros jogos, mas infelizmente, a maioria esmagadora são produções descartáveis. A mais recente delas, Max Payne, estrelada por Mark Wahlberg e dirigida por John Moore, não foge à regra.
A história básica do filme obviamente é a mesma do game: O policial Max Payne tem sua mulher e filha assassinadas por três homens, ele mata dois deles, no entanto um consegue escapar. Amargurado, Max passa o resto de seus dias investigando o crime e caçando o fugitivo, mas acaba descobrindo uma intricada rede de tráfico de drogas e uma empresa farmacêutica que poderiam estar envolvidas no caso. Bom, as semelhanças acabam por aí. Como em outras adaptações que deram errado (vale a pena repetir, a maioria esmagadora delas), o roteiro do game serve apenas como base para uma história que é totalmente alterada na tela grande.
O game de 2001 foi considerado uma obra-prima do gênero policial. Ele praticamente reinventou de forma única o modo de controlar o tempo in game, além de suas sequências de ação que eram incrivelmente bem dirigidas e construídas. Foi um dos poucos games da época que soube aproveitar e retrabalhar efeitos do cinema dentro do próprio habitat. O que se esperava de Max Payne era algo no mínimo semelhante ao original, levando-se em conta que o trabalho já estava praticamente feito. Todas as dicas de como dirigir, montar e editar a produção estavam lá, além de um magnífico enredo, daqueles raros de se encontrar nos vídeo-games, com densidade e ótimos personagens. Enfim, estava tudo feito, era só copiar. A não ser é claro que a produção tivesse ambições maiores, como reinventar o gênero ou coisa parecida, mas este nunca foi o caso.
Todas as alterações feitas no roteiro por Beau Thorne beiram o ridículo. São personagens que entram e saem sem deixar pista, furos horríveis como duas personagens sem um final no filme, erros seqüenciais e falta de timing são apenas alguns dos problemas que me vem à cabeça agora. Mas o grande defeito é transformar Max Payne em um tira acéfalo. O filme é tão previsível que nos perguntamos como o policial demorou 3 anos para resolver todo o caso, além de algumas de suas atitudes e respostas que parecem ser dadas por uma criança de 5 anos. Nada, absolutamente nada que lembra o policial raivoso, brilhante e letal do game. A direção de John Moore, que poderia ao menos contribuir com algumas cenas de ação não corresponde. São pouquíssimas seqüências para um filme supostamente de ação, além de um péssimo uso de alguns artifícios como a câmera lenta e o bullet time (que o game praticamente reinventou a forma de ser usado). Por fim, o elenco não ajuda nem um pouco também. Mark Wahlberg, que concorreu ao Oscar por Os Infiltrados , parece estar ligado no piloto automático, enquanto todo o resto é interpretados por ilustres desconhecidos (o público talvez se lembra de Mila Kunis, de That’s 70s Show).
A questão que fica é: Se Max Payne, que era um ótimo game, com uma ótima história saiu tão errado, o que esperar da avalanche de adaptações que vêm por ai? Num futuro próximo chegarão ao cinema God of War, Gears of War, Halo e, já no ano que vem, Prince of Persia. Este último, um ótimo game, mas com uma história simplesmente razoável então, não parece soar muito promissor, sendo estrelado pelo insosso Jake Gyllenhal. Só nos resta rezar para que alguém aprenda a adaptar games como fizeram com os quadrinhos, ou que deixem obras primas como Metroid, Metal Gear Solid e The Legend of Zelda dentro de nosso consoles.

Radiohead no Brasil

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Depois de até convencer o maridão da Angelina Jolie de ir a Milão para assistí-los, neste mesmo ano, Radiohead dá as caras em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A banda inglesa, que já lançou 13 álbuns (contando os de estúdio, ao vivo e compilações), composta por Thom Yorke, os irmãos Jonny Greenwood e Collin Greenwood e Phil Selway, tocará as músicas da nova turnê In Rainbows. Tem fã chorando as pitangas porque a possibilidade da trupe de Yorke não toque o seu grande hit Creep, o qual, justamente, deslanchou a banda nos saudosos anos 90. Ainda assim, pode-se levar em conta que as novidades do álbum, inovador desde a sua publicação online, como as músicas All I Need, Bodysnatchers, Reckoner e Nude.

A venda dos ingressos começa no dia 5 de dezembro (sexta-feira). O preço oficial é R$200,00, sendo a meia, para estudante, R$100,00. O site ingressos.com disponibilizará os ingressos a partir da meia noite, enquanto as bilheterias do Estádio do Pacaembu (SP) e a Bilheteria 1 do Maracanãzinho (RJ) estarão liberadas somente a partir das 9 da manhã. Serão 35 mil ingressos para o show no Rio de Janeiro e 30 mil, para São Paulo.

O primeiro show, no Rio de Janeiro, acontecerá no dia 20 de março, na Praça da Apoteose. Em São Paulo, Radiohead tocará no dia 22, na Chácara do Jóquei, divisa entre São Paulo e Taboão da Serra.

Radiohead faz parte da programação do festival Just a Fest, que está guardando, em segredo, outras bandas.

(postado também em Culture for the Win)

"Globe Note": música e solidariedade sem fronteiras

Foto: divulgação "Globe Note"

Fanfarra Social

Un, deux, trois*. A música começa. Os metais agitam as luzes verdes da decoração natalina. As pessoas, que passavam tímidas pela Av. Paulista nessa segunda-feira e tiveram a curiosidade de seguir o som e as luzes do Parque Trianon, começam a vibrar também.

A música, que começara com um sousafone (tocado por Quentin Saniez) e um clarinete (Matthieu Gras), agora ganha mais oito novos componentes: Antoine Duchêne (trompete), Perceval Descours (trompete), Rémi Lefebvre (saxofone alto), Edouard Jourdan (eufônio), Nicolas Bonneau (trombone), Emmanuel Thuiller (trombone), Rémy Auricoste (percussão) e Thibault Trinh Van Dam (percussão).

E ganha o contato com culturas em expansão como Índia, Tailândia, Camboja, Quênia, Tanzânia, Peru, Argentina, Chile e Brasil. Serve ao mundo e às crianças com necessidades especiais - como limitações econômicas e físicas. Dando a elas a oportunidade de tocar e criar um instrumento metálico ou de percussão. Um instrumento de expressão. Um brilho forte, metálico e artístico na vida de quem vive à margem.

“Às vezes é difícil” conta Thibault. “Não falamos muito bem português e no começo a comunicação é difícil com as crianças”, continua. A segurança também é uma preocupação em locais como as favelas cariocas, onde passaram entre o dia 1º e 22 de novembro.

Qual é o motivo para os 10 estudantes de engenharia em Lille, na França, fazerem estas escolhas? “É uma troca. Nós também não conhecemos a cultura brasileira. E as crianças alegres também nos tornam alegres.” Thinbault explica, ainda suando de tanto tocar. É a consciência de que algo que você pode fazer vai ajudar ao menos une, deux, trois** crianças.

[*um, dois, três; **uma, duas, três]


Foto: divulgação "Globe Note"
Rio de Jeneiro






Contatos da "Fanfarra" Globe Note:
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por Luma Ramiro Mesquita

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Os “lares” de Interlagos


Apresentado pelo professor e coordenador do curso de jornalismo da Cásper Líbero, Carlos Roberto da Costa, junto com os demais candidatos, o aluno Andrei Sant´Anna Spinassé apresentou um trabalho de conclusão da graduação de jornalismo que transforma histórias comuns e de celebridades que passaram pelo autódromo de Interlagos em retratos de uma mesma paixão pelo automobilismo, de diferentes maneiras. A banca de avaliação do trabalho foi no dia 17 de novembro.

Por Pedro Zambarda

Com uma mesa de avaliadores composta, além de Carlos Costa, pelo também professor Liráucio Girardi Júnior, titular da disciplina Sociologia da Comunicação, e pelo jornalista gaúcho Alec da Silva Duarte, editor-assistente do caderno de esportes da Folha de S. Paulo e professor na Centro Universitário Assunção (Unifai), Andrei fez uma breve introdução contando tantos as emoções quanto as conquistas adquiridas na pesquisa e na formulação de seu livro-reportagem, Em teu lar, Interlagos. Ressaltando a final da Grande Prêmio da Fórmula 1, ocorrido no final de semana anterior a exposição de seu TCC, entre os dias 15 e 16 de novembro, Andrei relembrou que o livro traz, assim como as histórias de competições, histórias diversas que ele considerou interessantes. “Foi impressionante. Abriu um sol no dia da última corrida, dois minutos depois de uma chuva forte que prometia durar o dia todo. Parecia surreal, não parecia de verdade. E eu estava na sala de imprensa, acompanhando . Há, realmente, uma “mágica em Interlagos”, pois a chuva só voltou depois da corrida” disse o estudante, fascinado. A natureza de seu trabalho reflete esse sentimento.


O estudante então discorreu mais sobre o formato específico de seu livro-reportagem e das experiências que passou em sua realização. “Pensei em fazer um livro de histórias secas sobre o autódromo de Interlagos, mas percebi que tinha que ser uma coisa um pouco mais emocional sobre o assunto. No final do ano passado, então, eu resolvi que o livro deveria falar sobre pessoas, muito pouco sobre acontecimentos esportivos. Então, é um livro de histórias e não simplesmente história, com um S que muda muito” enfatizou. Andrei comparou, inclusive, a letra com o “S do Senna”, que mudou o desenho da pista de corrida em 1989. “Antes, não havia preocupações com segurança, gerando acidentes. Olhando a pista antiga, tive até uma nostalgia de um tempo que não vivi”.

Sobre sua orientação, o estudante da Cásper Líbero alegou que o professor Celso Unzelte, da matéria Jornalismo Básico, já era uma opção clara para o trabalho de conclusão de curso. “Ele é um cara da área de esportes que me ajudou e me apoiou muito”. Preparado com uma lista de possíveis entrevistados após a entrega do pré-projeto ainda no final de 2007, em novembro, Andrei acabou se desviando de algumas fontes, como Rubens Barrichello. “Não era bem a coisa da fama que eu queria, apesar dela estar na carreira de pessoas como o pai do Emerson Fitipaldi [Wilson Fitipaldi]. Queria mais histórias desconhecidas do grande público” concluiu.

Um de seus entrevistados, um torcedor chamado Augusto, estava na platéia de exposição do TCC, na sala Aloysio Biondi da Faculdade Cásper Líbero, prestigiando o trabalho de Andrei e sendo lembrado pelo estudante em suas falas. “Até junho, meu trabalho não caminhava muito bem, pois um dos meus entrevistados acabou falecendo e eu fui o último jornalista a entrar em contato com ele” relembrou Andrei, sobre Jorge Lettry, presidente da equipe da Vemag, fabricante de automóveis, e um de seus entrevistados. “O último recado dele pra mim foi ´passa aqui na hora que você quiser´” declarou o estudante com bastante carinho a fonte. O falecido conhecia o período pré-Fórmula 1, quando ainda havia corridas sem arquibancadas na década de 1960, com uma pista muito maior do que o atual traçado.

“Após as férias da faculdade, eu sabia que tinha um atraso para atirar e adotei um ritmo que eu batizei de “encarar como se fosse definição de grid de largada, fazendo os melhores tempos que pudesse” disse Andrei, sobre a situação do livro em agosto, utilizando o jargão e os estrangeirismos do automobilismo. O estudante também fez observações quanto às dificuldades em “decupar”, ou seja, transcrever, várias entrevistas feitas em seqüencia para a conclusão do trabalho. “Fiz pesquisas sobre coisas que não sabia como as categorias que correm em Interlagos, e tenho certeza que as usarei para a vida toda. Eu trabalho com isso” disse Andrei, que trabalha na Folha de S.Paulo.

Convidado pelo aluno, Alec Duarte fez as críticas mais pontuais ao trabalho. “O esporte continua tendo esse poder de trazer pessoas para a profissão, para o jornalismo. Falando sobre o livro, eu senti falta da história do autódromo, embora talvez você possa dizer que há livros sobre o tema. Vendo o desenrolar dos capítulos, os personagens seriam ótimos para contar uma história “editada” do autódromo. Tem muito jornalista falando. Jornalista é ótima fonte, mas um péssimo personagem” destacou o jornalista, se isentando da opinião de leitor simples. E completou: “um dos livros da bibliografia teve que ser retirado do mercado. Isso poderia ter sido revisado no começo da orientação”. Alec se refere ao livro Histórias, Lendas, Mistérios e Loucuras da Fórmula 1, escrito pelo jornalista Lemyr Martins que conta uma lenda sobre a ultrapassagem de Schumacher permitida por Barrichelo no GP da Áustria em 2002 como se fosse fato real. Andrei concordou com os argumentos de Alec Duarte.

“De Fórmula 1 eu não entendo quase nada. Lembro da Lótus preta, o carro do Emerson Fitipaldi, que era o que me fascinava” confessou o professor Liráucio, afirmando ser leigo sobre o assunto, mas também destacando aspectos que poderiam ser melhorados no trabalho de Andrei. “Você tem que imaginar pra quem você está fazendo aquele livro. Eu vejo que você é apaixonado pelo tema e que mostra isso. Acho que isso valoriza muito as pessoas que valorizam a Fórmula 1, o que não é meu caso. No entanto, seria legal investir no memorial, que é tão importante quanto a narração do livro. Também tenho uma ressalva quanto ao título do livro, que eu acho que deveria ser invertido” esclareceu o professor. “O formato livro-reportagem traz uma liberdade que deixa o aluno contido, transformando os trabalhos em grandes perfis ou grandes reportagens, não propriamente um livro”.

Carlos Costa foi o menos energético em críticas, valorizando o esforço de Andrei no trabalho. “Fui juiz em uma banca de TCC em grupo sobre pacientes terminais e achei injusta a cobrança que fizeram do trabalho, exigindo coisas que eles não fizeram. Estou julgando um trabalho que o Andrei fez com o Celso Unzelte, ex-colega meu de redação da Quatro Rodas. É um trabalho de histórias” defendeu Costa. Confessando que não estava muito entusiasmado a ler o trabalho do aluno, o professor disse que nunca foi até Interlagos e nunca teve o interesse de ir, mesmo tendo trabalhado no jornalismo automobilístico.

"Peguei um ônibus Ana Rosa – Barra Funda, peguei metrô até a estação Arthur Alvim e peguei o trem de volta enquanto lia o trabalho do Andrei. Há muito pouco problema na leitura do livro, pois eu tenho o vício de circular erros e alguns trabalhos viram “bordados” nessa correção. No teu trabalho eu só localizei algumas coisinhas muito pequenas, como repetição de palavras” elogiou o professor. Caros Costa alegou que esses tipos de erros são comuns em trabalhos de graduação, sendo um problema no jornalismo.

A banca deu nota 9 ao trabalho de Andrei, apenas pedindo para que fossem dadas mais informações técnicas sobre carros e mais ênfase na história oficial de Interlagos, valorizando as boas entrevistas e reportagens que o aluno fez. Sobre os “lares” do trabalho, os personagens que Andrei descreve, tão distintos e parecidos, Costa complementou: “em todas essas histórias, eu vejo você, Andrei. Esse é um trabalho sobre a sua paixão pelo esporte, sobre a sua admiração por Interlagos”.

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