segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dicas musicais pro Dia do Rock e pra sua semana

No dia 13 de julho de 1985, Bob Geldof organizou um evento chamado Live Aid, um gigantesco show de rock com as melhores bandas da categoria e muitos pops (de Led Zeppelin até Michael Jackson e Madonna) simultâneo em Londres, Inglaterra, e na Filadélfia, Estados Unidos. O objetivo era combater a fome na Etiópia e sua transmissão teve apoio da rede BBC.

Desde então, esse ficou conhecido como o Dia Mundial do Rock. Uma homenagem ao evento e ao estilo musical.

Por esse motivo, caso você queira sugestões hoje ouvir hoje e nesta semana, faço algumas recomendações necessárias da música. São contribuições do rock para a história, que você deve encontrar na internet ou deve ter entre seus CDs, vinis e gravações, mesmo que esteja empoeirado.

Combo Clássico: The Kinks e The Rolling Stones

Os grupos de Ray Davies e Mick Jagger fazem aquele rock que atende bem aqueles querem algo bem sessentista (e até com um swing dos anos 50). Kinks terminou em 1996, os Stones ainda estão na estrada. Por essa história, a carreira mais atual de ambos não é ruim, mas nada supera os velhos tempos. Se for dar destaque às músicas, pode ser algo bem tradicional como You Really Got Me até algo mais obscuro como Paint in Black. Vá ouvir, sem erro (e ouça os covers, que também são ótimos).



A Tríade "Madura" do Rock: Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath

Criadores do heavy metal, do hard rock e influência de muitos músicos, sempre será rico ouvir qualquer um dos três. Purple, para os que gostam dos eruditos Richie Blackmore e Jon Lord, é um prato cheio. Até sua nova fase com Steve Morse merece ser vista com frequência. Zeppelin vale pelo enigmático Page, vale pela riqueza que John Paul Jones trouxe ao baixo e vale também pela história de John Bonham. Robert Plant é o projeto que todo vocalista de sucesso quer ser, mesmo sendo odiado por alguns. Sabbath vale pelo toque pessoal de Ozzy Osbourne e seus sucessores, além da proeza de Tomy Ionni na criação de riffs, "fraseados"na guitarra. Por mais que você não goste de peso, essa tríade foi uma das transformadoras do estilo.



A raiz: Elvis e os anos 1950

Não se trata apenas do senhor Presley, mas de Chuck Berry, Mud Waters, B.B.King e todas as personalidades que deram o swing inicial do rock, além de preenchê-lo com blues. A origem norte-americana é necessária para que muitos entendam o estilo.



O fenômeno The Beatles

Falar sobre eles é repetir o que um monte de gente diz. Mas não custa dizer que Paul, George, Ringo e John não foram encaixados com outras bandas porque eles representam um processo diverso dentro da música: antes de depois de 1966. Fizeram músicas que continuam sendo adoradas no mundo todo e não tem um som "uniforme", embora os primeiros discos dêem a entender isso. Duas músicas não são suficiente para definí-los, mas não custa tentar, não é mesmo?






As guitarras do rock: de Hendrix até Van Halen

Mas essa recomendação não fica restrita a esses. Se você ouve Jimi Hendrix, deveria ouvir Eric Clapton, George Harrison, Neil Young, David Gilmour e todos os contemporâneos do negro que popularizou a guitarra estilo stratocaster, especialmente as da empresa Fender. Já para os mais modernos que ouviram Eddie Van Halen e sua banda nos anos 80, Yngwie Malmsteen, Jason Becker, Marty Friedman e todos os guitarristas virtuose dos tempos atuais são a sua praia. No mais, a guitarra sempre foi um instrumento marcante para a rebeldia do rock.



Punk Rock: música e ideologia

Embora questionável, simplista em determinados momentos e nonsense em outros, é fato que a explosão do punk rock, entre 1974 e 1977, mudou para sempre o show business. Ramones, Sex Pistols, Dead Kennedys, Misfits e muitos outros vieram de uma total falta de talento e sorte, direto dos subúrbios pobres da Inglaterra e dos EUA, para mudar a mensagem e as inovaçãos do rock. "Do it yourself" é o lema deles, inspirados por outros "dinossauros" como The Stooges, Iggy Pop e o glam rock do New York Dolls. Vale a pena, pelo menos, dar uma conferida no tio Iggy e na molecada do Pistols.





Rock Progressivo e Experimental

Indo para além das fronteiras do estilo e da técnica, ouvir rock progressivo é sempre uma riqueza aos ouvidos. Explorando os sentidos e a teoria musical, ele é um óbvio opositor ao punk. Bandas a se escutar? Desde o tradicional Genesis, de Peter Gabriel e Phil Collins, em plenos anos 70, até o moderno Porcupine Tree, de hoje. Basicamente todo o rock´n´roll foi contaminado pelas viagens, músicas de 20 minutos e evoluções conquistadas pelo pessoal do progressivo.





Glam/Glitter Rock: Muito laquê e purpurina

Quem disse que o rock´n´roll não pode ter androginia, homossexualismo ou bissexualismo explícito? Quem disse que todo o vocalista aparentemente afeminado é gay? O rock nesse segmento ganhou, literalmente, brilho. E o que pouca gente sabe é que a purpurina criou o heavy metal e o punk, vindos diretamente de David Bowie, New York Dolls e até de bandas mais modernas como o Hanoi Rocks (que já acabou, infelizmente). A aparência, especialmente nos anos 70 e 80 contou muito para essas bandas, tendo expoentes como o Kiss e Twited Sister.





Há muito o que se escutar e entender no rock, mas essas são algumas seleções para fãs, para pessoas que querem entender melhor a história e para outros que querem apenas festejar a data, o prazer de aproveitar música.

Um Teto para o Brasil

Um rádio. Foi o que Rita de Cássia Batista pagou pela sua atual moradia. Quando ex-proprietária do barraco, a baiana Beatriz, resolveu retornar para seu estado de origem, trocou o local pelo rádio do filho de Rita, Felipe. Depois de seis anos morando em condições precárias, Rita e seus três filhos irão receber uma nova casa da ONG Um Teto para meu País.

"Eu tinha acabado de ver esse pessoal na televisão quando eles apareceram aqui", conta ela. A ONG fora divulgada pela TV Globo no dia em que ela preencheu o formulário para candidatura ao benefício. E deu certo. No dia 28 de Junho, domingo, os voluntários da organização foram até sua moradia, em Suzano - SP, anunciar à família que ela havia sido selecionada entre outras 40 para ter sua casa reconstruída.


A nova moradia, feita de madeira e elevada do solo, evitará a entrada da chuva, de insetos e o contato direto com o barro. Em dois dias de Julho, por volta de 80 membros da ONG vão construir outras 9 residências emergenciais no Jardim Gardênia, bairro de Rita.

As casas não são definitivas, porém. A previsão é de que durem 5 anos, em média. “As casas são uma medida emergencial para ajudar de imediato as famílias que mais precisam”, conta a estudante de arquitetura da USP Julia Nogueira. A intenção, diz, não é somente solucionar o problema da moradia, mas estimular a família a sair da condição de extrema pobreza.

Da casa, cujo valor é cerca de 2500 reais, os futuros moradores pagarão uma taxa simbólica de 120 reais, “para sentirem que a conquistaram, que é deles”, contou a voluntária. O valor padrão, de 250 reais, foi reduzido em virtude da dificuldade dos moradores de Suzano com o pagamento. O dinheiro vem, principalmente, de doações. Cada casa é erguida em cerca dois dias com materiais cedidos por empresas de construção, na maioria da própria cidade.

Constituída basicamente de universitários e recém-formados, a ONG atua principalmente no período de férias escolares, quando os voluntários têm mais tempo livre. Embora a ação nas favelas seja planejada o ano todo, ela se concretiza em apenas três dias, que é quando os "pedreiros" acampam em escolas municipais da cidade escolhida e erguem as casas."Mas no último mês de Janeiro ficamos 6 dias construindo 24 casas", conta com orgulho Felipe Mello, estudante de Psicologia da P
3675998456_02d5ab4417.jpg

Construção de uma das casas emergenciais, no Brasil.

Em três anos de Brasil, a Um Teto para meu País já contou com a participação de pelo menos 530 voluntários na construção de 112 casas nos municípios de São Paulo, Guarulhos e Itapeva. Agora será a vez de Suzano, o décimo sexto PIB mais pobre do Estado de São Paulo. Mas a ação da ONG no Brasil, chamada carinhosamente de “Teto”, ainda tem muito a melhorar em relação ao Chile, seu país de origem. Lá, a Teto existe desde 1997 e conta com apoio oficial do governo da presidente Michele Bachelet. Com a ambição de erradicar a pobreza na América Latina, os chilenos já exportaram a ONG para outros 14 países.

No Brasil, a ONG ainda está no que os voluntários chamam de Fase I: a construção de casas emergenciais. Além da ajuda imediata às famílias, a Fase I coloca os participantes universitários da organização em contato com uma realidade diferente e tocante. “Quando se constrói uma casa, todos da comunidade ficam animados, querem ajudar e querem aquilo para eles também, e aí a habilitação social vai evoluindo” relata Julia.

As fases intermediárias envolvem o estímulo da cooperação entre os moradores e a capacitação para o trabalho. "Depois, vamos tentar descobrir o que cada comunidade precisa: esgoto, escola, creche, plantar árvores, catar lixo, microcrédito, ir atrás do governo para reivindicar infra-estrutura, cada lugar é diferente", conta ela, que com 8 meses de Teto já viajou para o Paraguai e construiu duas casas, uma delas em uma aldeia guarani.

A fase final, alcançada apenas no Chile, é simbolizada pela construção da moradia definitiva e o desenvolvimento de soluções habitacionais, em parceria com o governo, a sociedade e as empresas. A comunidade, nessa etapa, é chamada de auto-sustentável, pois os moradores se emancipam do intermédio da ONG e já podem reivindicar seus direitos junto à sociedade. Espera-se que, assim, a favela se integre à malha urbana da cidade.

Como no Brasil a última etapa ainda está um pouco distante, os planos imediatos da Teto são fortalecer a atuação e a imagem da ONG, conta Lucas, estudante de Ciências Econômicas da PUC. “Queremos que a Teto seja a primeira opção das pessoas que querem fazer trabalho voluntário. Que seja uma referência no voluntarismo universitário no Brasil”.

O crescimento do terceiro setor no Brasil é cada vez maior, mas isso não implica na sua independência em relação aos outros setores. Daniela, graduanda em Arquitetura pela USP, ressalta que o sucesso do projeto no Brasil só é possível com o apoio do governo. "Não podemos passar sem o poder público de maneira nenhuma. O que fazemos é ajudá-los a se organizarem, se associarem, para poderem reivindicar seus direitos de posse de terra, de cidadania junto ao governo". Por fim, solicitou: "A prefeitura tem que cooperar com a regulamentação fundiária e prover as famílias de infra-estrutura".


Mais informações


São Paulo, Junho de 2009


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Medo segundo Muse

Black Holes and Revelations não é o único álbum de sucesso do trio britânico Muse, formado por Matthew Bellamy (voz, guitarra e piano), Christopher Wolstenholme (baixo, voz secundária e teclado) e Dominic Howard (bateria e percussão). Absolution traz a temática do medo humano em um rock alternativo que mistura a elaboração do progressivo, o peso de distorções bem encaixadas e a empolgação de uma banda entrosada. Vai agradar desde aqueles que querem uma música pra agitar até os que desejam ouvir e refletir.

Por Pedro Zambarda

Lançado em 2003, começo da Guerra do Iraque, desde a introdução o CD já traz a realidade de sua época. Em 22s, nos momentos iniciais, há sons de marcha de soldados. Apocalipse Please começa com um piano repetitivo, com poucas notas, que faz o fundo para a voz melódica de Bellamy. Em tom de fim inevitável, a letra se transforma no "corpo" principal da música, especialmente no trecho: This is the end / This is the end / Of the world. Matthew Bellamy brinca com a voz ao longo da canção, sendo acompanhado por alguns efeitos eletrônicos, encerrando a introdução.

Time is Running Out também conta com efeitos de sintetizador em seu começo, sincronizado com estalar de dedos. Em seguida, uma guitarra abafada surge até encombrir a música com sua distorção pesada. Bellamy consegue tocar rápido, em palhetadas ao melhor estilo punk rock, e modular sua voz. Proeza de poucos, com uma letra que gruda na cabeça, junto com todo o peso. Our time is running out / And our time is running out / You can't push it underground / We can't stop it screaming out.

Como o próprio nome diz, Sing for Absolution soa como uma prece por absolvição dos pecados e das penas. Traz a temática do CD, que é o peso dos males que causamos e daqueles que infringimos. Stockholme Syndrome, música seguinte, traz justamente o "outro lado" dos crimes: o da vítima. And i won't hold you back / Let your anger rise / And we'll fly / And we'll fall /And we'll burn. A sindrome citada no nome se refere aos sequestrados que compactuam das torturas dos algozes para sobreviver, que se transmite claramente pela melodia que oscila entre o distorcido e algo mais leve, quase afetivo.

Falling Away With You é essencialmente eletrônica, após uma introdução acústica, e fala sobre o peso na consciência dos nostálgicos, que jamais terão acesso ao passado tão exaltado. Com o som de uma distorção acima do comum, quase uma dissonância pura, Interlude é a introdução de Hysteria que pela guitarra estremamente caótica já transmite sua mensagem. Bellamy canta com sentimento e uma interpretação única da loucura, entre a agressão e a passividade. Wolstenholme Dominic fazem a retaguarda necessária no baixo e na bateria.

Tímida, Blackout começa reconfortante para trazer uma enorme interferência no final da canção. Mattew Bellamy favorece a interpretação de sua forma de cantar, repetindo uma letra ao longo da música que conta com variações sutis. Don't grow up too fast / And don't embrace the past / This life's too good to last / And I'm too young to care. A vida inteira como um blecaute, uma enorme ruptura.

Butterflies and Huricanes traz a Teoria do Caos como tema, onde "o bater de asas de um ser simples como a borboleta pode causar um furacão do outro lado do mundo". Best / You've got to be the best / You've got to change the world / And you use this chance to be heard / Your time is now diz o vocalista, em frases que começam em sussurro e terminam em gritos. O caos para Muse é isso: a crença que você pode mudar, porque uma pequena atitude pode fazer a diferença. Mais uma vez a interpretação musical é valorizada, ao longo de um instrumental variado, com toques de rock progressivo.

Como um pequeno retrato, TSP (The Small Print) resume as loucuras que o medo da verdade pode trazer, que a lucidez contém. Endlessly trata de amores que não morrem, em formato de balada lenta e valorizando o vocal, mesmo na ausência total do outro, o sentimento que permanece até nos casos acabados. There’s a part in me you’ll never know / The only thing I’ll never show.

Thoughs of Dying Atheist traz uma idéia muito interessante: qual seria o desespero de um ateu, que não espera ninguém além da vida, em sua morte? O ritmo da música é um rock frenético, sem muito peso, quase como uma música feliz. É quase o oposto de Ruled by Secrecy, a última música, que trata da repressão essencialmente sagrada. Os efeitos e o piano que a recheiam quase a transformam em um ritual religioso, apesar da bateria e do baixo que ainda lembram o estilo de Muse.

O álbum é longo - 14 músicas podem cansar o ouvinte -, mas é interessante como a banda aborda com diversidade o tema, seja comunicando por voz ou pelo som instrumental. É uma lição para bandas novatas que acham que apenas meia dúzia de grandes hits implacam. Uma última constatação é notar a semelhança absurda de Muse com a sonoridade de Radiohead. No entanto, mesmo parecidos, cada um tem suas peculiaridades.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Passagem das Trevas para a Luz

Trazendo temas pessoais, dando destaque para solos de guitarra com feeling e com poucas músicas, mas bem progressivas, o Dream Theater revive elementos que cativam os fãs, sem perder o passo em direção ao futuro. As trevas, o peso e a agressividade estão em sintonia com a luz de muitas melodias de Black Cloud & Silver Linings, lançamento de junho de 2009 e receita de uma banda elaborada que continua aclamada por um público fiel.

Por Pedro Zambarda

A Nightmare to Remember é um óbvio retorno às origens do DT: Metallica. Mas a música não é uma cópia, pois apenas tem alguma inspiração no pessoal do thrash metal, ainda tendo sua característica mais progressiva. Portnoy provavelmente estava satisfeito com o lançamento de Death Magnetic e fez um trabalho nessa faixa que abusa do pedal duplo, parecido com a trupe de Hetfield em ...And Justice For All. Os teclados de Jordan Rudess possuem uma variedade de efeitos que fez parte de Systematic Chaos. Muito efeito wah-wah vem da guitarra de Petrucci. Mas há problemas também no instrumental, principalmente no baixo de Myung, que some no meio de uma bateria exagerada. LaBrie está em forma e mostra de cara. Não abusa de agudos e não desaparece, marcando as músicas com sua personalidade.

A nightmare to remember / I'd never be the same / What began as laughter /So soon would turn to pain. Essa faixa tem tantas nuances e uma diversidade que até o próprio Mike Portnoy, sem largar as baquetas, arrisca cantar por volta do tempo 10min. A voz dele dá uma quebra fundamental na canção. A música tem pausa no ritmo frenético por volta dos 4min e passa realmente a impressão de estar em um pesadelo, em um acidente de carro. In peaceful sedation I lay half awake / And thought of the panic inside starts to fade /Hopelessly drifting / Bathing in beautiful agony. Começo, meio e final lindos, por mais que se fale em tragédia.

Depois desse retorno ao peso e ao heavy metal que sempre foram bases do Dream Theater, A Rite Of Passage é uma balada grudenta sobre as passagens da vida e com letra mais positiva em relação à música anterior, mas ainda com um peso e virtuose que a deixa respeitável para fãs do progressivo. Traz na letra, também, referências claras a maçonaria e nenhuma aos integrantes da banda, desembocando em outros assuntos. Turn the key / Walk through the gate / The great ascent / To reach a higher state /A rite of passage. John Petrucci está realmente equipado com pedais, mas não deixa de usar escalas elaboradas em um solo, enquanto Portnoy resolve reduzir o ritmo sem perder qualidade. LaBrie sobe um pouco a voz, sem se comprometer, e, infelizmente, Myung continua apagado.

Wither não é rica instrumentalmente, mas acerta em outra balada marcante e uma letra mais soft (e é a mais curta do álbum, 5min25s). Lembra I Walk Beside You, do Octavarium, que ainda desperta a raiva dos devotos da primeira fase da banda, mas é acessível a fãs de outros estilos. I wither /And render myself helpless / I give in /And everything is clear / I breakdown / And let the story guide me / I wither / And give myself away. LaBrie canta com naturalidade e à vontade, com o coro de vocais de fundo formado por John Petrucci e Mike Portnoy.

A distorção mais pesada da guitarra anuncia a próxima música, acompanhada por intervenções do teclado. The Shattered Fortress traz riffs de músicas anteriores do DT para encerrar a chamada “saga da cachaça”, amplamente divulgada na internet. Com passagens de The Glass Prison, do antológico Six Degress Of Inner Turbulence, e The Root of All Evil, do CD Octavarium, a letra trata sobre reabilitação durante o alcoolismo, feita por Mike Portnoy no melhor estilo "Eric Clapton" de compôr e transmitir mensagens sobre o tema dos 12 passos dos Alcoólicos Anônimos. I am responsible / When anyone, anywhere / Reaches out for help / I want my hand to be there são nitidamente frases de apoio aos que não conseguem se livrar do álcool e aos reabilitados que desejam ajudar (caso do próprio Portnoy).

The Best of Times é uma das mais belas melodias criadas para a guitarra. A banda em si se aquieta nessa música. Rudess começa com um teclado acompanhado por violino, enquanto, aos poucos Petrucci surge com um violão. LaBrie quebra a introdução leve em dueto com Portnoy. A letra resgata o passado do pai de Mike Portnoy e é uma homenagem a sua morte recente (começo de 2009). O encerramento dela é que decepciona um pouco: Petrucci executa um solo de guitarra de dar inveja, mas, ao invés de ser prolongado, ele é bruscamente interrompido.

Com arranjos típicos de Rush, uma novidade para o Dream Theater, The Count of Tuscany fecha muito bem essas 6 músicas. Sendo a mais longa de todas as faixas (cerca de 19min16s), a música pode ser facilmente dividida em três partes. O começo traz a melodia principal, sendo interrompido por um refrão muito mais pesado de LaBrie e Portnoy, como vozes. Entre as passagens do refrão, teclado que lembra Scenes From a Memory e até Images and Words. Não é uma volta completa ao passado, mas agrada muitos fãs.

O tema que encerra o CD é sobre a cidade natal de John Petrucci, Tuscany, trazendo histórias de seu passado familiar e outros detalhes. Linda é a seqüência que segue pelas frases Of course you're free to go / Go and tell the world my story / Tell them about my brother /Tell them about me / The Count of Tuscany. A parte final segue um outro solo de guitarra tão inspirado quanto em The Best of Times, mas retomando, aos poucos, a primeira melodia.

Esse álbum não consegue o mesmo sucesso de um EP como Change of Seasons, mas é bonito como ele trata bem de temas particulares de dois integrantes fundamentais da banda - Portnoy e Petrucci - e aborda o tema da iluminação de maneira concreta. Agora é esperar que eles mantenham LaBrie com a mesma qualidade vocal dos últimos álbuns e, finalmente, que dêem maior destaque a John Myung, principal prejudicado nos últimos lançamentos, deixado de lado nas composições.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O Berlusconi brasileiro?

Comparar o esdrúxulo Silvio Berlusconi com o presidente Lula parece ser uma loucura somente cometida por radicais do DEM. No entanto, desde ontem a noite surgiram indícios que favorecem tal comparação. Se Lula não é presidente do Brasil e do Corinthians da forma que Berlusconi é premier e dono do Milan, ao mesmo tempo, parece que suas relações vão muito além do que a de um simples torcedor.

Segundo Ronaldo, o novo CT do Corinthians será construído a partir de 2010. E será o mais moderno do país, tão bom quanto o de qualquer clube europeu. Foi simplesmente a primeira notícia boa sobre o assunto nos últimos... 15 anos?

Quando perguntado a forma como o CT iria ser construído, Ronaldo revelou a real participação que Lula tem no clube paulistano. O presidente, que é membro vitalício do conselho há muito tempo, vem constantemente se interando sobre a situação econômica e política do clube desde o ano do rebaixamento. Lula teve participação significativa na reviravolta que o clube sofreu nos últimos 18 anos, se tornando o melhor do país.

Segundo Ronaldo, Lula teria passado para Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, alguns contatos de empreiteiras que poderiam “ajudar” o mandatário corinthiano a conseguir seu CT, o que seria seu maior legado como presidente, além de ter trazido o próprio Ronaldo. Tudo estaria pronto para o ano do centenário, a um custo significativamente menor que o habitual.

O sonho da construção de um novo estádio para cidade de São Paulo em virtude da Copa de 2014 parece ter sido enterrado. A obra, que seria repassada ao Corinthians no mesmo ano, se mostrou um rombo orçamentário que ninguém está disposto a bancar, nem a iniciativa privada, e muito menos o Estado de São Paulo. Kassab quer o Morumbi. Serra também, embora seu coração palmeirense torça pelo inviável Palestra Itália e Lula já mandou Ricardo Teixeira abaixar a bola em sua implicância com o São Paulo F.C. O CT surge como uma espécie de prêmio de consolo ao Corinthians, dado pelo presidente que vetou a arena.

Não que exista algum problema Lula ser conselheiro vitalício do Corinthians, ou clamar a todo mundo sua paixão pelo time. Obama o faz com os Chicaco Bulls. Mas o problema é quando sua influência é usada para ajudar o time. Lula não está fazendo nada ilegal até o momento, no entanto a questão ética foi seriamente comprometida. Qualquer favorecimento ao Corinthians em aspectos legais será posto em dúvida a partir da agora. Ronaldo, que é gênio só com a bola, pode ter mais prejudicado que ajudado seu time na noite de ontem. Quanto à ajuda de Lula, nada de mal pode sair daí. Para o Corinthians.

O último show de Michael Jackson




A última imagem que se tem de Michael Jackson em vida, é sobre um palco. Os vídeos de seu ensaio no Staples Center, dois dias antes de sua morte, são simbólicos em certo ponto. O homem que viu sua vida se transformar em um grande tablóide nos últimos vinte anos se despede do mundo fazendo aquilo que sabia fazer melhor que qualquer um: dançando e cantando.

Em entrevista dada a Opra Winfrey, em 1993, Michael admitiu que não sentia-se muito confortável perto de outras pessoas. Por toda sua vida, o convívio público era sinônimo de fotógrafos e fãs o perseguindo. O único lugar que ele se sentia bem era no palco. Dormiria lá se pudesse.

A despedida de Michael Jackson será como sua vida sempre foi, um evento, um espetáculo. Com todos os pontos positivos e negativos que eles trazem. O homem que jamais encontrou a privacidade em vida, não o fará nem mesmo em sua morte. 17 mil pessoas acompanharam seu funeral no Staples Center. O número de pessoas que verão de suas casas, seja pela tv ou internet, é incalculável. Estima-se em mais de 1 bilhão. Audiência maior que muitos jogos de Copa do Mundo e a entrega dos Oscars.

Existe algo além de uma simples curiosidade mórbida em tudo isso. Existe a prova do tamanho que um mito pode chegar. Sim, digo mito, pois de forma alguma a adoração que vemos não é relação ao homem. Nada a ver com sua personalidade ou com as acusações (que nunca foram provadas), mas sim, tudo a ver com limitação de um homem.

A arte de Michael Jackson atingiu um alcance que ninguém mais conseguiu, nem mesmo os outros dois grandes ícones pop mortos precocemente: Elvis Presley e John Lennon. Michael Jackson conseguiu, talvez sem nem perceber, se tornar maior que eles. E o motivo foi ter transformado, voluntária e involuntariamente, toda sua vida em um show. Muito mais pelo talento do que pela sua excentricidade.

Existiu um momento na vida de Elvis que ele não foi famoso, que era apenas um homem com uma grande voz cantando em bares. Existiu um momento na vida de Lennon que ele resolveu se afastar de tudo e viver com sua família – curiosamente no momento em que foi assassinado. Mas Michael Jackson não teve isso. Durante 45 dos seus 50 anos, sua vida foi o maior espetáculo da Terra, e é assim que ela se encerrará, com o maior encore de todos os tempos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

As muitas caras de Octavio Ocampo

As mães nunca podem imaginar o que acontecerá com seus filhos quando dizem a eles “olha, aquela nuvem tem formato de um carro e aquela outra de um cachorro”. A mãe de Octavio Ocampo também não podia saber.

Nascido em Celaya, no México, em 28 de fevereiro de 1943, Ocampo estudou na escola de pintura e escultura Bellas Artes, em seu país, e posteriormente, no San Francisco Art Institute, nos EUA.

Dono de uma produção de pinturas de estética metamórfica, o artista se auto-define em um depoimento para o livro A mágica óptica: Octavio Ocampo, da jornalista e ativista política mexicana Elena Poniatowska.

“Sou metamórfico. Entre o frágil passo de uma imagem para a outra existe um momento mágico no qual me comunico com o espectador em outro nível, por meio do subconsciente e do espírito. Não sou só figurativo, mas sim multifigurativo, polimórfico. Eu gosto. Eu gosto de convidar o espectador a jogar e, com isso, capto sua atenção ao dar uma impressão de beleza ou de horror na primeira imagem; outra ao descobrir que há uma segunda, terceira e talvez, até uma quinta imagem.”

Suas obras, se analisadas bem, mostram ao apreciador da arte muitas figuras, baseadas em um só cenário. Com essa levada moderna, Ocampo é estudado no mesmo contexto artístico de pintores surrealistas como Escher, Dalí, Arcimbondo, Duchamp e Reutersvär, todos criadores de ilusões ópticas.

O pintor mexicano foi protagonista de exposições individuais nos EUA, no Canadá, na Europa e em grande parte do Oriente Médio e da América Latina, assim como em várias outras coletivas ao redor do mundo. Suas obras fazem parte de importantes coleções, como a do Museo Reina Sofia, em Madrid, e do Instituto Nacional de Bellas Artes, na Cidade do México.

Além dos quadros, Ocampo foi o autor de peculiares retratos de diversas personalidades, como a atriz Jane Fonda, o presidente norte-americano Jimmy Carter e a cantora Cher (que expôs o trabalho na capa de seu álbum Heart Of Stone).

Ademais, vale citar seu trabalho como muralista. Ocampo é responsável pela arte estética de importantes edifícios como o Palacio Nacional del México e o Instituto Tecnológico em Cevaya.

Sua grandiosidade artística é um imenso motivo de orgulho para a nação mexicana, e em forma de consagração dessa grandiosidade, será inaugurado, em breve, o Museo Octavio Ocampo, em sua cidade natal.

#foraSarney é um fiasco fora do Twitter

O ato público marcado para essa quarta-feira (1º) em frente ao MASP foi vergonhoso.

Organizada via Twitter, a manifestação do #forasarney em São Paulo não contou com mais de 50 pessoas (pelo menos até as 19h30, horário que o movimento dava sinais de término). Liderados pelo VJ da MTV, Felipe Solari, o grupo se deslocou do vão livre do MASP até o Parque Trianon, ou seja, atravessou do lado esquerdo para o direito da Avenida Paulista, com o sinal verde para pedestres.

Na noite da última segunda-feira o grupo intitulado "Piratas" (@twipiratas), formado por algumas celebridades, incentivou o uso da tag "#forasarney" a fim de fazê-la figurar no Trending Topics da mídia social twitter. O objetivo foi alcançado, mas ficou clara a falta de bom-senso dos organizadores, que se entusiasmaram mais com a audiência que obtiveram do que com a causa em si.

Salvo todos os exageros, ao menos para comprovar a força do movimento na internet o Trending Topics serviu, o que levava a crer que o ato público seria bem-sucedido. Então qual a causa do fiasco de hoje? Bom, provavelmente a notícia de renúncia do coronel, digo, senador.

Segundo alguns twitteiros, o fracasso não foi apenas em São Paulo , mas também em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Porto Alegre.

Por volta das 20h20 o twitter dos "piratas" anunciava a chegada de Rafinha Bastos (do CQC) ao MASP. Disseram ainda que a manifestação chegou a contar com cerca de 100 pessoas.

Posts mais lidos