terça-feira, 7 de julho de 2009

O Berlusconi brasileiro?

Comparar o esdrúxulo Silvio Berlusconi com o presidente Lula parece ser uma loucura somente cometida por radicais do DEM. No entanto, desde ontem a noite surgiram indícios que favorecem tal comparação. Se Lula não é presidente do Brasil e do Corinthians da forma que Berlusconi é premier e dono do Milan, ao mesmo tempo, parece que suas relações vão muito além do que a de um simples torcedor.

Segundo Ronaldo, o novo CT do Corinthians será construído a partir de 2010. E será o mais moderno do país, tão bom quanto o de qualquer clube europeu. Foi simplesmente a primeira notícia boa sobre o assunto nos últimos... 15 anos?

Quando perguntado a forma como o CT iria ser construído, Ronaldo revelou a real participação que Lula tem no clube paulistano. O presidente, que é membro vitalício do conselho há muito tempo, vem constantemente se interando sobre a situação econômica e política do clube desde o ano do rebaixamento. Lula teve participação significativa na reviravolta que o clube sofreu nos últimos 18 anos, se tornando o melhor do país.

Segundo Ronaldo, Lula teria passado para Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, alguns contatos de empreiteiras que poderiam “ajudar” o mandatário corinthiano a conseguir seu CT, o que seria seu maior legado como presidente, além de ter trazido o próprio Ronaldo. Tudo estaria pronto para o ano do centenário, a um custo significativamente menor que o habitual.

O sonho da construção de um novo estádio para cidade de São Paulo em virtude da Copa de 2014 parece ter sido enterrado. A obra, que seria repassada ao Corinthians no mesmo ano, se mostrou um rombo orçamentário que ninguém está disposto a bancar, nem a iniciativa privada, e muito menos o Estado de São Paulo. Kassab quer o Morumbi. Serra também, embora seu coração palmeirense torça pelo inviável Palestra Itália e Lula já mandou Ricardo Teixeira abaixar a bola em sua implicância com o São Paulo F.C. O CT surge como uma espécie de prêmio de consolo ao Corinthians, dado pelo presidente que vetou a arena.

Não que exista algum problema Lula ser conselheiro vitalício do Corinthians, ou clamar a todo mundo sua paixão pelo time. Obama o faz com os Chicaco Bulls. Mas o problema é quando sua influência é usada para ajudar o time. Lula não está fazendo nada ilegal até o momento, no entanto a questão ética foi seriamente comprometida. Qualquer favorecimento ao Corinthians em aspectos legais será posto em dúvida a partir da agora. Ronaldo, que é gênio só com a bola, pode ter mais prejudicado que ajudado seu time na noite de ontem. Quanto à ajuda de Lula, nada de mal pode sair daí. Para o Corinthians.

O último show de Michael Jackson




A última imagem que se tem de Michael Jackson em vida, é sobre um palco. Os vídeos de seu ensaio no Staples Center, dois dias antes de sua morte, são simbólicos em certo ponto. O homem que viu sua vida se transformar em um grande tablóide nos últimos vinte anos se despede do mundo fazendo aquilo que sabia fazer melhor que qualquer um: dançando e cantando.

Em entrevista dada a Opra Winfrey, em 1993, Michael admitiu que não sentia-se muito confortável perto de outras pessoas. Por toda sua vida, o convívio público era sinônimo de fotógrafos e fãs o perseguindo. O único lugar que ele se sentia bem era no palco. Dormiria lá se pudesse.

A despedida de Michael Jackson será como sua vida sempre foi, um evento, um espetáculo. Com todos os pontos positivos e negativos que eles trazem. O homem que jamais encontrou a privacidade em vida, não o fará nem mesmo em sua morte. 17 mil pessoas acompanharam seu funeral no Staples Center. O número de pessoas que verão de suas casas, seja pela tv ou internet, é incalculável. Estima-se em mais de 1 bilhão. Audiência maior que muitos jogos de Copa do Mundo e a entrega dos Oscars.

Existe algo além de uma simples curiosidade mórbida em tudo isso. Existe a prova do tamanho que um mito pode chegar. Sim, digo mito, pois de forma alguma a adoração que vemos não é relação ao homem. Nada a ver com sua personalidade ou com as acusações (que nunca foram provadas), mas sim, tudo a ver com limitação de um homem.

A arte de Michael Jackson atingiu um alcance que ninguém mais conseguiu, nem mesmo os outros dois grandes ícones pop mortos precocemente: Elvis Presley e John Lennon. Michael Jackson conseguiu, talvez sem nem perceber, se tornar maior que eles. E o motivo foi ter transformado, voluntária e involuntariamente, toda sua vida em um show. Muito mais pelo talento do que pela sua excentricidade.

Existiu um momento na vida de Elvis que ele não foi famoso, que era apenas um homem com uma grande voz cantando em bares. Existiu um momento na vida de Lennon que ele resolveu se afastar de tudo e viver com sua família – curiosamente no momento em que foi assassinado. Mas Michael Jackson não teve isso. Durante 45 dos seus 50 anos, sua vida foi o maior espetáculo da Terra, e é assim que ela se encerrará, com o maior encore de todos os tempos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

As muitas caras de Octavio Ocampo

As mães nunca podem imaginar o que acontecerá com seus filhos quando dizem a eles “olha, aquela nuvem tem formato de um carro e aquela outra de um cachorro”. A mãe de Octavio Ocampo também não podia saber.

Nascido em Celaya, no México, em 28 de fevereiro de 1943, Ocampo estudou na escola de pintura e escultura Bellas Artes, em seu país, e posteriormente, no San Francisco Art Institute, nos EUA.

Dono de uma produção de pinturas de estética metamórfica, o artista se auto-define em um depoimento para o livro A mágica óptica: Octavio Ocampo, da jornalista e ativista política mexicana Elena Poniatowska.

“Sou metamórfico. Entre o frágil passo de uma imagem para a outra existe um momento mágico no qual me comunico com o espectador em outro nível, por meio do subconsciente e do espírito. Não sou só figurativo, mas sim multifigurativo, polimórfico. Eu gosto. Eu gosto de convidar o espectador a jogar e, com isso, capto sua atenção ao dar uma impressão de beleza ou de horror na primeira imagem; outra ao descobrir que há uma segunda, terceira e talvez, até uma quinta imagem.”

Suas obras, se analisadas bem, mostram ao apreciador da arte muitas figuras, baseadas em um só cenário. Com essa levada moderna, Ocampo é estudado no mesmo contexto artístico de pintores surrealistas como Escher, Dalí, Arcimbondo, Duchamp e Reutersvär, todos criadores de ilusões ópticas.

O pintor mexicano foi protagonista de exposições individuais nos EUA, no Canadá, na Europa e em grande parte do Oriente Médio e da América Latina, assim como em várias outras coletivas ao redor do mundo. Suas obras fazem parte de importantes coleções, como a do Museo Reina Sofia, em Madrid, e do Instituto Nacional de Bellas Artes, na Cidade do México.

Além dos quadros, Ocampo foi o autor de peculiares retratos de diversas personalidades, como a atriz Jane Fonda, o presidente norte-americano Jimmy Carter e a cantora Cher (que expôs o trabalho na capa de seu álbum Heart Of Stone).

Ademais, vale citar seu trabalho como muralista. Ocampo é responsável pela arte estética de importantes edifícios como o Palacio Nacional del México e o Instituto Tecnológico em Cevaya.

Sua grandiosidade artística é um imenso motivo de orgulho para a nação mexicana, e em forma de consagração dessa grandiosidade, será inaugurado, em breve, o Museo Octavio Ocampo, em sua cidade natal.

#foraSarney é um fiasco fora do Twitter

O ato público marcado para essa quarta-feira (1º) em frente ao MASP foi vergonhoso.

Organizada via Twitter, a manifestação do #forasarney em São Paulo não contou com mais de 50 pessoas (pelo menos até as 19h30, horário que o movimento dava sinais de término). Liderados pelo VJ da MTV, Felipe Solari, o grupo se deslocou do vão livre do MASP até o Parque Trianon, ou seja, atravessou do lado esquerdo para o direito da Avenida Paulista, com o sinal verde para pedestres.

Na noite da última segunda-feira o grupo intitulado "Piratas" (@twipiratas), formado por algumas celebridades, incentivou o uso da tag "#forasarney" a fim de fazê-la figurar no Trending Topics da mídia social twitter. O objetivo foi alcançado, mas ficou clara a falta de bom-senso dos organizadores, que se entusiasmaram mais com a audiência que obtiveram do que com a causa em si.

Salvo todos os exageros, ao menos para comprovar a força do movimento na internet o Trending Topics serviu, o que levava a crer que o ato público seria bem-sucedido. Então qual a causa do fiasco de hoje? Bom, provavelmente a notícia de renúncia do coronel, digo, senador.

Segundo alguns twitteiros, o fracasso não foi apenas em São Paulo , mas também em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Porto Alegre.

Por volta das 20h20 o twitter dos "piratas" anunciava a chegada de Rafinha Bastos (do CQC) ao MASP. Disseram ainda que a manifestação chegou a contar com cerca de 100 pessoas.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Borat e Johnny The Monkey no OUTs

Com um repertório passando por músicas como Ruby, do Kaiser Chiefs, até mesmo Hit The Road Jack, do saudoso Ray Charles, a banda novata Johnny The Monkey trouxe um show focado em um rock moderno, descompromissado. Retirado do filme Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América, o nome da banda demonstra o jeito despojado da apresentação deles.

Por Pedro Zambarda.

Mas ser uma banda que não faz tanta questão de ter um nome sério não significa uma apresentação sem qualidade. No último dia 20, no palco do OUTs, casa de shows da Rua Augusta, nº486, o grupo tocou um repertório curto, mas que mostra claramente suas influências.

Além de Ray Charles e Kaiser Chiefs, Reptilia dos americanos do Strokes soou fiel a original e, por outro lado, Miss You dos Rolling Stones teve a personalidade da vocalista Bárbara Monteiro ao mudar a voz desse clássico sem se perder na execução, assim como a moderna Still Taking You Home, do Arctic Monkeys.


Just, cover de Radiohead, mostrou a habilidade na guitarra de Vinicius de Oliveira, que pegou o timming do solo com distorção pesada de Johnny Greenwood, auxiliado por sua pedaleira Boss. You, primeira música executada em público pela banda, mostra um lado mais feminino da vocalista Bárbara, que possui uma voz grave o suficiente para covers masculinos. Base e alguns solos do guitarrista conhecido como "Tuts" também se destacaram na apresentação, além da bateria rápida e forte de Jay Viegas.

Você não sabe o que perdeu, da banda Cachorro Grande, fechou a noite, como um "extra" (o show teria se encerrado com Hit The Road Jack), contando o vocal de apoio do baixista Alex Scoch. Mostrando mais um pouco da língua portuguesa no rock, Johnny The Monkey encerrou uma apresentação curta e que pode ainda ser mais diversa e com mais produção. Mesmo assim, pra uma banda iniciante com vocalista feminina, mostrou potencial com o repertório escolhido.

Pra quem quiser conferir Ruby, que foi tocada no OUTs, dia 20, veja o vídeo abaixo:

domingo, 28 de junho de 2009

#forasarney em Brasília

De maneira descentralizada (embora alguns blogueiros como André Dutra tenham ajudado a fundamentar a idéia), uma manifestação contra o atual presidente do Senado, José Sarney, está sendo disseminada e organizada pela rede social digital Twitter, com quase total exclusividade.

Tendo por base palavras-chaves (trends ou tags), que ajudam a localizar assuntos no sistema, #forasarney é um termo que está sendo repetido diversas vezes nas mensagens de brasileiros dentro do sistema, reforçando o repúdio ao político, que está no cargo desde fevereiro deste ano, ou relacionando a palavra com a passeata que ocorrerá dia 1º de julho, na frente do Congresso Nacional, começando às 19h. Embora a propaganda possa não corresponder ao número físico manifestantes, é interessante notar como a internet está se tornando uma boa plataforma de disseminar outras idéias políticas, com crítica sólida.

Há uma conta twitter @forasarney que está organizando outras passeatas. Quem estiver interessado, fique atento às mensagens.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Rock Pesado e Pop à Mineira


Os dicionários e definições comuns sobre a palavra epifania chegam em "compreensão e manifestação espiritual". Os jovens Rodrigo Vilaça, na guitarra; Paloma Luiza, nos vocais; Fabiano Evangelista, na bateria; e Marcus Brina, no contrabaixo, procuram trazer essa "aura" em suas músicas. Epifania começou em 2007, com a união inicial de Paloma e Vilaça nos primeiros acordes e sons do grupo, em Belo Horizonte.

Para quem pode conferir o MySpace deles, a linha de composição é um pop rock eclético, que abusa de baladas com letras simples e diretas. Alguns riffs e melodias dão um peso agradável para o ouvinte, chamando atenção para a música, mas sem exageros.

Com pedais wah-wah, Pra te ver do teu lado traz uma letra romântica com melodia instrumental em sincronia com a voz de Paloma. A música não corre, mas mantém uma velocidade que não distrai o ouvinte, não soando nem lenta e nem impossível de absorver. O solo no final é repleto de feeling e muito bem preso ao refrão principal: "pra te ver / pra te ver do meu lado".

Dias Assim tem um violão que abre suave antes de guitarras mais pesadas. Os outros integrantes fazem coro com o refrão pop da música, parecida com Avril Lavigne. Já Algo Mais traz, dentro da temática romântica o choque entre relacionamentos casuais e longos, uma guitarra bem semelhante a do Slash do Guns´N´Roses, bem "encorpada" (e não simplesmente com peso).

Mudando o tom, Apuros traz a vocalista Paloma mais agressiva, falando sobre brigas em relacionamentos com muitos bends e uma "cozinha sólida" de instrumentos e vozes, uma banda sólida. Em seguida, com um fraseado digno do Metallica, E daí abre com guitarras abafadas e mais distorcidas do que as demais músicas, além de quebras no tempo da música, efeitos na voz da vocalista e artifícios interessantes para o rock.

Me escondo limpa as guitarras e deixa todos os instrumentos fluírem, para contar a história de sentimentos reprimidos e mais profundos. O solo retorna com feeling e sintonia com a vocalista Paloma. Resumindo: a banda se centra em manter uma linha comum de melodia, coisa rara nas bandas dissonantes de hoje. Especialmente aquelas com influência do heavy metal (que eles tem, mesmo que seja menor).

Para pessoas que não apreciam tanto a música pop internacional, a banda pode não agradar tanto como rock, mesmo com o peso. Para os de "cabeça aberta", vale ouvir e prestigiar os mineiros. Certamente o som deles não vai ferir seus ouvidos, especialmente com a boa edição que foi feita nas faixas.

Agradecimentos a Rodrigo Vilaça, pelas informações no e-mail e a paciência.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Luto


Me recuso a falar sobre seus problemas pessoais. Me recuso a falar sobre acusações, sobre dividas, sobre excentricidades... hoje me sinto obrigado a falar sobre o artista. O artista com A maiúsculo. O maior cantor do pop que o mundo já viu ou chegará a ver.

Michael Jackson causava arrepios em qualquer ser humano com a menor sensibilidade musical. Desde o início de sua vida, com apenas 8 anos, chocou o mundo com sua voz. Ele roubou a atenção de uma familia inteira no Jackson 5. Conforme o tempo passava, o mundo viu que aquele garoto prodigio não iria desaparecer como muitas outras crianças. O Jackson 5 se foi, mas ele continuou.

Em um show em 1979, James Brown, o criador do funk americano, parou sua apresentação para anunciar a presença de "um garoto timido, com vergonha, mas que fazia seu sangue gelar toda vez que cantava e dançava". Esse garoto era Michael. Sua carreira solo começou de forma avassaladora, compondo músicas com uma qualidade que o mundo nunca vira. Era a energia de James Brown com a magnitude de Elvis Presley.

E então, chegou 1982. E o mundo se chocou com Thriller. Se chocou com o melhor disco pop da história. Se chocou com as vendas do album: mais 60 milhões de cópias. Se chocou com seu clip, que foi o melhor de todos os tempos.

Meu Deus, o que era aquilo? Aquele homem que dançava como o demônio, e cantava como ninguém. Mas era além disso... ele também compunha. E como compunha. Só Michael Jackson para trazer Eddie Van Halen para uma disco pop e misturar tudo de forma única. Só Michael Jackson para misturar tudo de uma forma única, em músicas impossíveis de resistir. Michael se transformava no palco. Deixava de ser um homem frágil e se tornava um monstro invencível, uma figura que não encontrava paralelo.

Ele não parou por aí, Depois de Thriller veio Off the Wall e Bad. A genilidade era pulsante. Entrou na década de 90 e mudou tudo. Pisou mais fundo no soul, se aventurou pela música romântica, tudo feito com magnificiência. Com a música Black and White ousou misturar o rap ao rock. E finalmente, em 1996, fez um dos trabalhos de composições mais espantosos de sua carreira. No Brasil, na favela da Rocinha, Michael trouxe o Olodum. Nunca, jamais, se viu o Olodum tocar como tocou naquela música. Nunca se virá aquilo. They Don't Care About Us era a prova que seu talento ainda pulsava.

O dia 25 de junho de 2009 acaba de entrar tristemente para a história. Escrevo estas linhas com as mãos trêmulas e um nó na garganta. Uma parte muito, muito grande da música morreu hoje.

Michael Jackson nunca será superado. E é, e sempre será, o único rei do pop.

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