domingo, 20 de janeiro de 2013

A ética do jornalismo segundo Leonardo Sakamoto

O jornalista Leonardo Sakamoto tem um blog no portal UOL, da Folha de S. Paulo, e escreveu dois textos sobre a imprensa e a atuação de seus profissionais. Com doutorado em Ciência Política, cobriu conflitos armados no Timor Leste, em Angola e no Paquistão. Atualmente coordena a ONG Repórter Brasil contra o trabalho escravo no país.



O primeiro texto chama-se "Jornalismo: tomar partido é uma coisa. Vender-se é outra história". Sakamoto aborda problemas profissionais na imprensa que vão além da imparcialidade ou da manipulação. O autor defende que uma imparcialidade deve tentar ser alcançada como um valor, não uma realidade. Veículos de comunicação possuem opiniões e interesses. O jornalista vai além de mostra um descuido interessante que muitos profissionais cometem:

"A manipulação não é a única forma de distorção dos fatos, por incrível que pareça. Nem a mais comum. A preguiça, a arrogância e a incompetência de colegas de profissão diante do trabalho pode fazer estragos incalculáveis."

Leonardo Sakamoto mapeia, neste trecho acima, um dos principais problemas da atual imprensa. Muitas vezes, as reportagens não manipulam, mas elas são feitas de maneira preguiçosa, através de assessorias de imprensa e telefonemas, sem ouvir mais fontes. O autor defende que a melhor fonte sempre é a mais direta, "assistindo-a pessoalmente". E essa é uma das teses que os jornalistas frequentemente ignoram com a modernização das notícias na internet e a necessidade do tempo real.

Sakamoto fez um segundo texto, publicado hoje, chamado "Dez Mandamentos para Jornalistas no Facebook e Twitter". Nesse texto ele parece abordar de maneira ainda mais profunda a questão da responsabilidade dos profissionais de imprensa, principalmente em tempos de internet e de redes sociais.

O autor elabora 10 itens, chamados de mandamentos porque "vivendo em uma sociedade com forte influência cristã, não há nada melhor para chamar a atenção". Os tópicos descritos por Sakamoto tratam de uma postura que os jornalistas deveriam ter em redes de uso massivo, como Facebook e Twitter. Os usuários brasileiros de internet são conhecidos por compartilharem muita informação. Os jornalistas deveriam ter responsabilidade pelos dados que publicam nessas redes.

"1) Não divulgarás notícia sem antes checar a informação.
2) Não divulgarás notícias relevantes sem atribuir a elas fontes primárias de informação.
3) Tuítes e posts “apócrifos”, sem fonte clara, jamais serão aceitos como instrumento de checagem ou comprovação."

Só esses três tópicos já dão um resumo da postagem, que vai além e cobra uma ética dos textos que você "curte no Facebook" e nas opiniões que publica sem responsabilidade com ninguém. Numa época de circulação de dados online, Sakamoto parece esboçar um novo panorama da ética jornalística ainda baseada na apuração direta, para evitar a preguiça e a irresponsabilidade dos jornalistas.

Concordando ou não com os dois textos, eles devem ser lidos para que você tenha suas opiniões. Como leitores ou como profissionais de imprensa, essas publicações afetam a todos nós.

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