quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Eu sou da Cásper!

Escrito por: Felipe de Paula e Henrique Koller / Foto: Natália Russo


Pouco tempo se passa desde a aprovação na tão desejada faculdade e aquela euforia de saber que seu sonho vai ser realizado dá lugar à dúvida sobre o trote a ser enfrentado. E, embora não pareça, há vários tipos de trote.

Um deles é o que se chama de “Trote Solidário”, como o que foi feito em Sorocaba por estudantes de Medicina e Enfermagem. Os recém-aprovados tiveram o trabalho de preparar um café-da-manhã para pessoas carentes, que chegaram de longe para serem atendidos no hospital da cidade. Atitude bonita e saudável que não faz mal a ninguém.

O outro extremo conta com abusos extraordinários em trotes “tradicionais”, que tem por função principal o sofrimento dos “bixos e bixetes”. Dentre esses, há casos de “bixos” que entraram em coma alcoólico ou que tiveram hematomas causados por agressões de seus veteranos. Há, tmbém, casos de “bixetes” semi-nuas e até estupradas durante trotes estudantis.

O auge da inconsequência levou ao trágico caso do trote que matou o calouro de medicina da USP, Edison Tsung Chi Hsueh, que completa 10 anos no próximo dia 22 de fevereiro. Em meio à confusão, uma centena de calouros foram jogados na piscina da Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz. Entre eles estava Edison, que não sabia nadar. Os laudos da perícia que foram divulgados na época apontaram que o estudante foi forçado a se jogar na piscina. Com a sujeira que tomou conta da água, ninguém notou o corpo de Edison, que só foi encontrado no fundo da piscina horas mais tarde.

Apesar das duas matérias de capa que as revistas Época e IstoÉ dedicaram ao caso em 1999, o pai de Edison, Feng Tsung Chi Hsueh, espera justiça até hoje. Mas tudo que ele obteve foi uma placa que veteranos e professores instalaram na Atlética.

No entanto, há sim como se fazer um trote "tradicional" sem maiores transtornos e, inclusive, com veteranos e recém-aprovados curtindo juntos no final. Esse é o exemplo da Faculdade Cásper Líbero, cujos veteranos usam e abusam de muita tinta, farinha, café e afins. E ainda fazem seus bixos realizarem o famoso pedágio nas ruas que tangenciam a Avenida Paulista. No final, todo o dinheiro arrecadado é contado e se reverte em bebida pra todos, o que resulta numa reunião com muitas risadas, divertidas conversas e o início de boas amizades.

O trote dessa faculdade demonstra que é possível haver descontração, brincadeira e entrosamento sem a necessidade de qualquer tipo de agressão àqueles que acabam de chegar!

8 comentários:

Pedro Zambarda disse...

Bixões, parabéns pela matéria, por terem puxado saco da cásper e pesquisado os incidentes Uspianos. Jornalismo, rapazes!

koller disse...

Obrigado. Deu um trabalhinho de pesquisar todos os detalhes e muitos deles a gente teve que omitir pra não deixar a matéria pesada demais...Mas tá valendo!

Mariana Bruno disse...

Parabéens, meninos! Bem-vidos e continuem com o bom trabalho!

Diego disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Diego disse...

Bom texto. Foi mesmo escrito por bixos?

Só há uma pequena imprecisão, quando vocês dizem: "No final, todo o dinheiro arrecadado é contado e se reverte em bebida pra todos".

Seria bom que fosse assim, mas parece que uma parte do dinheiro sempre some...

Bem-vindos à Cásper.

Pedro Zambarda disse...

Foi sim Diego. Se quiser, eu te mostro o Olinda. Definitivamente ele não é um cara pequeno.

Felipe de Paula disse...

Hahahaha, sou o maior pseudo-jornalista que já postou nesse blog. FATO! Valeu os elogios, deu um pouco de trabalho. E quanto ao dinheiro... só sei que bebi bastante no trote. Então tá valendo. =)
Abraço!

André Sollitto disse...

Falta trazer mais colegas bixos pseudo-jornalistas para o blog, em? Estamos divulgando através de cartazes, mas nada se compara ao boca-a-boca.

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