quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Jornalistas do Rock: Legs McNeil

"Holmstron queria que a revista fosse uma combinação de tudo em que a gente se ligava - reprises de televisão, beber cerveja, trepar, cheeseburguers, quadrinhos, filmes B e aquele rock´n´roll esquisito que ninguém além de nós parecia gostar: Velvets, Stooges, New York Dolls e agora os Dictators.

(...)

Então eu achei que a revista deveria ser feita pra outros fodidos como nós. Garotos que cresceram acreditando só nos Três Patetas¹. Garotos que faziam festas quando os pais não estavam e destruíam a casa. Sabe como é, garotos que roubavam carros para se divertir.

Então eu disse: 'Por que a gente não chama de Punk?'

A palavra "punk" pareceu ser o fio que conectava tudo o que a gente gostava - bebedeira, antipatia, esperteza sem pretensão, absurdo, diversão, ironia e coisas com um apelo mais sombrio".

McNeil na frente da fachada do CBGB, em Nova Iorque

O jornalista Legs McNeil (que no começo não escrevia muita coisa, mas conseguia material para a revista a partir de depoimentos orais, geralmente para um colega transcrever) disse essas frases em 1975, quando os Ramones buscavam sucesso em clubes do underground novaiorquino, como o CBGB. Esse nome com definição degradante para uma revista, Punk (que significa, na tradução literal, "lixo" para pessoas), foi o fio condutor de uma revolução no rock´n´roll e na indústria fonográfica que explodiu, principalmente, depois da passagem dos Sex Pistols pela América, em 1977, 78 e 79.

McNeil esteve no centro desse movimento, entrevistando pessoas como Lou Reed do Velvet Underground, que foi capa da primeira edição, o frontman dos Stooges, Iggy Pop, e inúmeros músicos que fugiam dos padrões impostos por bandas de rock progressivo e pelas evoluções técnicas dos instrumentos. Muitos desses heróis subiam ao palco apenas com seu protesto e a presença de palco, sendo registrados pelos artigos de Legs McNeil. A maioria de seus textos iam para um viés mais cômico, sem muito comprometimento além do gosto pela contra-cultura local.

Quando a trupe do empresário Malcolm McLaren - Johnny Rotten, Sid Vicious e companhia, os Sex Pistols - chegou a Nova Iorque, todo um movimento descontrolado pregando a anarquia, a violência e a revolta pura e simples impregnou nas apresentações. Nenhum desses eventos foi gratuíto, principalmente depois de uma experiência bem-sucedida na Inglaterra, país de origem dos Pistols (que gerou um verdadeiro movimento operário por todo o país).

"Após quatro anos fazendo a revista Punk, e praticamente me divertindo com isso, de repente tudo era "punk". Então eu sai da revista" confessou, mostrando como o descontrole do fenômeno o fez se afastar e se desinteressar pelo meio. Somente a overdose de Vicious, em 1979, daria um fim a essa febre de "faça você mesmo", que tornou músicos sem nenhuma habilidade ou técnica verdadeiros mitos em um palco.

McNeil trabalhou, posteriormente, na revista Spin, concorrente no jornalismo musical da bem-sucedida Rolling Stone, durante os anos 1980. Nessa revista de renome, Legs McNeil foi editor-chefe. Além disso, também foi fundador e editor da revista Nerve, criada em 1992.

Mas o reconhecimento como "escritor de seu tempo" veio muito depois de seu envolvimento como jornalista em todos os grandes acontecimentos do rock pós-Beatles. McNeil é reconhecido pela coletânea de depoimentos orais, que editou com o jornalista Gillian McCain, chamada Mate-me Por Favor: a história oral sem censura do Punk. A obra se transformou em um clássico para quem pretende se aprofundar em conhecimentos musicais e históricos do punk rock.

Legs McNeil também, como todos aqueles que se envolveram com o chamado "movimento punk", teve conhecimento da produção erótica e pornô que predominava nos subúrbios novaiorquinos de 1970 e 80. Outro livro, chamado The Other Hollywood: The Uncensored Oral History of the Porn Film Industry (ainda sem tradução), conta os bastidores desses filmes que tem um mercado expressivo, mesmo que seja velado. Jennifer Osbourne e Peter Paiva foram os co-autores que ajudaram McNeil nessa obra, em específico.

Para as pessoas que esperam encontrar histórias underground de jornalistas e sobre jornalistas, Legs McNeil é um bom autor para ser aprofundado. Não há muitas traduções dele no Brasil, mas ele é, sem dúvida alguma, um ícone norte-americano único.

1 - Referência ao The Stooges, banda de Iggy Pop, Ron Asheton e músicos que foram "avós" (predecessores dos Ramones, os "pais") do punk rock e de atitudes revoltadas em palco.

3 comentários:

Thiago Dias disse...

Rock, porno, punk! O cara não valia um tostão! huauhauha
Zuera..Cara, sinto falta de pessoas assim no jornalismo cultural de hj, e menos dos arrogantes que mal vão em shows

Mariana Bruno disse...

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Anônimo disse...

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