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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O dia em que o protesto do MPL terminou em beijo na boca e a Tropa de Choque invadiu uma estação de metrô

Por Pedro Zambarda

O 3º Grande Ato do Movimento Passe Livre contra o aumento das passagens de ônibus e de metrô tinha tudo para dar errado e não deu. Começou pela decisão de sair da Praça Silvio Romero, perto da estação Tatuapé de metrô e com 35 graus de temperatura. Era a primeira mobilização no ano que ocorria numa terça-feira (20) e na zona leste de São Paulo.


A primeira coisa que se podia notar, por volta das 17hrs, é que visivelmente estavam menos pessoas do que no 2º Ato, que acabou em provocação ao prefeito Fernando Haddad e bombas gratuitas da PM do governador Geraldo Alckmin.  A Polícia Militar, no entanto, já tinha cinco viaturas em uma concessionária Honda ao lado da estação de metrô local. A Força Tática da PM chegou com suas viaturas na Silvio Romero e se pôs diante dos manifestantes que ainda preparavam cartazes. Cada esquina da praça tinha pequenos grupos policiais.


“Acho que o couro vai comer forte aqui hoje. Estou com dúvidas se realmente conseguiremos sair da praça. Quando saí de casa, aqui perto no Tatuapé, achei que fosse tomar um enquadro por conta da cor da minha camiseta, que é amarela”, me disse Tatiane, integrante do coletivo Juntos ligado ao PSOL. Outro coletivo, chamado Território Livre, também compartilhava dos mesmos temores naquele momento.


Mesmo com essa tensão no ar, idosos jogavam cartas em mesas da praça. Outro grupo também se divertia com dominó.

Dada a quantidade de pessoas, o Movimento Passe Livre iniciou sua assembléia pública para definir o trajeto e decidiu, por ampla maioria dos demais integrantes do protesto, percorrer o bairro do Tatuapé por dentro até Radial Leste. Era arriscado, mas todos os presentes tentaram mesmo assim.

Descemos a Rua Serra de Bragança e o protesto passou por uma extensa área residencial, com os poucos comércios já fechados. Passando por um condomínio de alto padrão, os moradores saíram em suas sacadas para ver a manifestação. A maioria mostrava um olhar de reprovação, mas uma senhora fez sinal de positivo e começou a cantar para que todos fossem até a rua. Um grupo de crianças que se divertia na piscina foi para a grade de outro condomínio e pegou os panfletos do MPL. Funcionários de um McDonald’s ergueram panfletos com os dizeres “Aumento Não”.


Quando nos aproximamos da Radial Leste, enorme e com um tráfego intenso de carros que liga uma metade de São Paulo com a outra, a PM deu a entender que jogaria bombas, embora a Tropa de Choque estivesse no meio da massa que protestava e não na frente. Percorri a Radial e havia poucos policiais, exceto a ROCAM e a Força Tática.

 Como a mobilização foi impedida de prosseguir, ela voltou e ficou sem roteiro muito bem definido, percorrendo ruas e fazendo pausas para tentar se decidir. O Movimento Passe Livre então puxou as pessoas de volta para a Radial Leste. Um clima de tensão se instalou. Achamos que, naquele momento, o Choque correria para frente e faria a repressão. Isso não aconteceu. E a Força Tática da PM abriu espaço para que a mobilização tomasse a pista sentido Centro da Radial.
“Achei que fosse voar bala de borracha aqui e fiquei escondida atrás desta mureta. Não to acreditando que os caras estão deixando a gente entrar na Radial! É a primeira vez que eu vejo isso acontecer”, me disse uma mulher no local.

O clima de empolgação aumentou. A polícia não tinha reprimido o protesto, os black blocs, sempre presentes, não haviam depredado nada significativo, e tudo permaneceu pacífico, embora nós não tenhamos percorrido nenhuma rua com agências bancárias.

A mobilização passou pela estação de metrô Tatuapé e prosseguiu até o Belém. Eu corri na frente e fui até o terminal de ônibus para ver o que nos aguardava mais à frente. Caminhões do Choque estavam aguardando o avanço da massa e pensei que poderia ocorrer novamente conflito. Não aconteceu e o protesto virou à esquerda, na Rua Silva Jardim, saindo da Radial Leste com sucesso. Fez o contorno e subiu pelo Viaduto Guadalajara, para estender faixas diante dos motoristas que passavam por baixo. Naquele ponto, rolou uma tensão entre alguns PMs e pessoas que estavam andando por fora da concentração da manifestação, como eu mesmo que estava na calçada e fora da rua. Mas não ocorreram brigas. Por fim, o protesto parou n Largo São José.


Ali, o 3º Grande Ato do Movimento Passe Livre estava encerrado, com muita comemoração, emoção e vibração das pessoas. Ninguém tinha tomado tiros de balas de borracha e nenhuma bomba havia sido detonada. Vi dois casais se beijando, sendo que um deles tinha uma moça que chorava sem acreditar naquela felicidade. Amigos ligavam uns para os outros para avisar que estava tudo bem. E que a manifestação tinha sido pacífica e sem repressão da PM.

Até alguns policiais pareciam felizes, ou pelo menos sem olhares ameaçadores. No entanto, duas viaturas protegiam uma agência da Caixa Econômica Federal. O MPL estima que oito mil pessoas compareceram neste protesto. Eu estimo mais ou menos cinco mil. A Polícia Militar afirma que deslocou cerca de 650 policiais, um efetivo bem menor se comparado ao protesto que terminou em correria na frente da Prefeitura, de mil pessoas.


O Movimento Passe Livre conversou com vários jornalistas que estavam presentes. “A gente consegue fazer uma manifestação pacífica sem repressão. O que aconteceu hoje é a prova disso. A gente consegue passar uma mensagem mais claramente sem as bombas e nem as balas de borracha da polícia”, disse uma ativista depois de abraçar seus amigos com força e gritar.

“A luta pela tarifa zero parece utopia pra maioria das pessoas, mas acho que elas só aceitam tanto assim o aumento do preço das tarifas porque foram condicionadas a pensar assim. Essas revistas de hoje, como a Veja, ainda tem um puta poder sobre parte da população”, me disse um simpatizante do MPL enquanto caminhávamos na rua, retornando do ato público.

Andamos até a estação Belém de metrô. E lá ocorreu o único problema daquela noite.

Os manifestantes queriam encerrar seu protesto contra o aumento das passagens de R$ 3 para R$ 3,50 defendendo a tarifa zero. Por isso, tentaram pular as catracas. Os guardas do metrô não permitiram e a Tropa de Choque da Polícia Militar invadiu o local.


As entradas da estação foram fechadas às 21h20. Quando eu tentei ver o que estava acontecendo, mais soldados do Choque subiram e ocorreu uma confusão com manifestantes que estavam estendendo faixas nas rampas do metrô. Por pouco não estourou o primeiro tiro de bala de borracha em um espaço fechado, e com pessoas tentando entrar e saindo do metrô.

O Choque ainda arrumou briga com o grupo de primeiros-socorros que ajuda manifestantes na rua. Uma moça gritava com os policiais. “Vocês são todos uns fascistas por nos abordar desta forma!”. Os oficiais limitavam a entrada do metrô, criando um corredor lotado de “RoboCops”.

Por fim, a PM foi embora da estação Belém jogando spray de pimenta no local, o que provocou algumas lágrimas nos olhos irritados dos repórteres que ainda estavam lá. Policiais fizeram enquadramentos em áreas próximas, mas nenhuma prisão foi relatada após o protesto na zona leste de São Paulo, que desta vez não acabou em tiro, porrada ou bomba.

A sensação que tivemos com o fim do ato foi positiva e negativa: Vimos menos pessoas nas ruas, mas mesmo assim o MPL se mobilizou desta vez sem atrair violência das autoridades, sobretudo promovendo diálogo entre os coletivos ali presentes.

No protesto anterior, que terminou em tiros e muitas bombas da PM, um jovem ciclista de 22 anos levou um tiro de bala de borracha no olho direito. Os médicos ainda não sabem informar se ele ainda terá sua visão, mas sua agressão lembrou bastante os abusos policiais de 2013 ocorrendo novamente dois anos depois. Se a repressão for ainda mais violenta, teremos resultados pesados ainda em 2015.

Chegando exausto em casa, vejo uma mensagem de uma amiga: “Pela primeira vez na minha vida, tomamos a Radial Leste. Eu sou filha da zona leste e isso pra mim foi histórico. Foi trazer para a minha terra os sonhos que sonhamos coletivamente. Esse ato foi muito vitorioso. E amanhã, sem dúvida, vai ser maior!”.

domingo, 18 de janeiro de 2015

O dia em que o MPL provocou Haddad e tomou bomba de graça da PM de Alckmin

Por Pedro Zambarda
Originalmente escrito para o Diário do Centro do Mundo (DCM)

Compareci, nesta sexta-feira (16), ao 2º Grande Ato do Movimento Passe Livre contra o aumento das passagens de ônibus e de metrô em 2014. O protesto estava marcado para as 17hrs, mas cheguei a passar pela Praça do Ciclista, no fim da Avenida Paulista, horas antes, entre 15hrs e 16hrs.


Não havia nem 10 pessoas no local marcado para começar a marcha, mas já rodavam viaturas da Polícia Militar cruzando a rua para se alocar nas laterais, na Rua Bela Cintra. Amigos me avisaram pelas redes sociais que outros veículos da polícia rondavam a Sé. As autoridades vieram ainda mais preparadas para este protesto. Se antes foram estimados cerca de 800 policiais, eu acredito ter visto mil efetivos colados na manifestação, além de helicópteros e viaturas de suporte.

O protesto começou às 17hrs completamente frágil, pouco concentrado e fraco. A Praça do Ciclista é um péssimo local para reunião de grupos. À frente da estátua do herói venezuelano Francisco de Miranda há uma sacada circular com uma visão do túnel que liga a Paulista com a Rebolças e a Doutor Arnaldo. Por isso, o grupo ficou espalhado e pouco concentrado, no mesmo tempo em que a Tropa de Choque se concentrou do lado da Paulista e mais PMs se aglomeraram na Consolação.


Naquele momento, o MPL deveria fazer uma assembléia pública para decidir o trajeto. Mas o medo da reação da polícia e a pouca concentração de pessoas atrasaram tudo, embora as baterias dos coletivos de partidos políticos e de movimentos sociais batessem com força. Eu decidi, então, passar o cordão do Choque e ver quantos policiais estavam na Avenida Paulista.

Vi algo surreal perto do Haddock Lobo: além dos microônibus e dos carros da Tropa de Choque, havia policiais militares encapuzados com armas que certamente não eram de balas de borracha. Pareciam fuzis de relance. Estavam protegendo lojas de conveniência e até o restaurante América naquele local.

Voltei para o protesto. O MPL decidiu rapidamente que seria impossível passar a barreira do Choque e ir em direção à Paulista. Mudou a rota e decidiu descer a Consolação, passando pelo mesmo lugar em que fomos encurralados na Rua Matias Aires, entre outras vias.

O começo da caminhada foi lento. Um grupo de black blocs derrubou uma cabine da PM no final da Paulista. Achávamos que aquilo causaria um confronto com a polícia, acabando com o protesto ali mesmo. As autoridades correram para filmar o grupo, mas não puxaram o Choque para reagir.

A PM chegou a afirmar em seu Twitter que apreendeu supostas garrafas de gasolina de manifestantes. A corporação se retratou em minutos, dizendo não saber o real conteúdo do recipiente. E seguiu postando nas redes sociais a sua visão sobre o que ocorreu.

O protesto foi aumentando de tamanho. De cerca de mil pessoas na Paulista, foram concentrando cinco mil na Consolação progressivamente. Mesmo assim, as pessoas se mantiveram na faixa de descida, sem entrar na contramão. Algumas poucas pessoas foram para a outra pista. Uma senhora, por exemplo, começou a berrar para os ônibus que subiam a Consolação. “É um absurdo pagar 3,50!”. Em resposta, um motoqueiro soltou: “Parem de ficar defendendo o PT!”.

A manifestação passou a estação de metrô Paulista, ultrapassou a Matias Aires e ia em direção ao Mackenzie. Lá estourou a primeira bomba de efeito moral. O Movimento Passe Livre segurou o protesto e conteve os black blocs, mesmo diante da polícia. Não aconteceu quebra-pau, ninguém se inspirou e resolveu apedrejar bancos. Por isso o protesto seguiu.


O clima acalmou tanto que eu vi um senhor passeando com dois cachorros no meio do protesto. Os black blocs andaram perto do MPL, sem pegar pedras e nem ameaçar ninguém. Chegamos ao centro pouco antes das 20hrs. Passamos pela biblioteca Mario de Andrade e pela estação Anhangabaú de metrô. Naquele trecho, vi o Movimento Passe Livre negociando com a Tropa de Choque ao longo do percurso, para evitar reações violentas. E a polícia procurou manter a calma, embora dois policiais arrumaram briga com dois roqueiros bêbados que trombaram com eles próximo dali. Rumamos para o Teatro Municipal.


Amigos meus e jornalistas acharam que as bombas e as balas de borracha iriam voar assim que chegássemos na Prefeitura de São Paulo. Misteriosamente, a PM apenas se posicionou na frente do local e permitiu a passagem do protesto. Manifestantes e imprensa ficaram felizes pela ausência de repressão até ali. O MPL resolveu então fazer uma provocação com o prefeito Fernando Haddad. Apontou uma luz em direção à Prefeitura com os seguintes dizeres: “Je Suis Catraca”. Na imagem de fundo, estava o próprio prefeito. O que o MPL queria dizer era que o petista Haddad também é conivente com o aumento das passagens, não criticando apenas o tucano Geraldo Alckmin.

Integrantes do MPL voltaram a se reunir com a PM na frente da prefeitura. Conversei com Eudes Cassio do Movimento Passe Livre. “Estou tentando negociar com a polícia para que o protesto prossiga até a Secretaria de Transportes”, ele me explicou.


Eu fui para a lateral da prefeitura, perto de alguns fotojornalistas que se sentavam para transferir imagens do protesto pacífico até aquele momento. Aconteceu então algo que nem a própria Polícia Militar explicou nas redes sociais. Do nada começaram a ser disparadas quatro bombas na frente da prefeitura. Notando a movimentação, resolvi correr, porque vieram em seguida as balas de borracha. Logo depois, consegui ouvir fogos de artifício. Foram disparados pelos manifestantes, mas só depois do ataque da PM.

O problema é que eu corri pela lateral, por trás da Tropa de Choque, e dei de cara com a Cavalaria, que fez como se fosse avançar pra cima do grupo de jornalistas. Berrei e bati no topo do capacete de skatista que comprei para não levar balas no crânio, que estava identificado com os dizeres de imprensa. Eles hesitaram, pararam e deixaram a gente passar. Na frente da prefeitura, as pessoas começaram a correr de medo.

Uma amiga tentou fugir pela estação Anhangabaú. Foi separada de suas companhias porque o metrô fechou a entrada antes que ela pudesse correr. Só conseguiu fugir pela Consolação. Outra garota levou spray de pimenta no rosto depois de desmaiar.

Os black blocs, quietos até então, se sentiram livres para depredar e revidar o ataque espontâneo da Polícia Militar, que usou até munição química no ataque. Derrubaram um orelhão, a Caixa Econômica da Rua Líbero Badaró, uma unidade do Banco do Brasil na Xavier de Toledo e um CitiBank da Rua São João.

Atacados pelo gás e pelas balas de borracha, manifestantes tentaram descer a Anhangabaú e foram agredidos por PMs que circundavam a área embaixo. Os que correram até o Teatro Municipal encontraram outra barricada do Choque e mais bombas. A manifestação se dispersou completamente.

Eu corri por fora, através do Largo de São Francisco, até o começo da Brigadeiro Luís Antônio. Exausto e na companhia de outra jornalista, entrei com sede num posto BR para beber alguma coisa. Antes disso, vi a bateria de militantes do PSOL voltando do protesto. Uma menina entre eles tossia muito e passava mal pelos efeitos do gás lacrimogêneo. Outras pessoas andavam em pequenos grupos para evitar agressões com a PM

O Choque então apareceu com lanternas procurando manifestantes na rua. Um amigo meu, fotógrafo freelancer, voltou até o Teatro Municipal para ver como ficou o local após o protesto. Foi recebido com bombas, sendo que tinha acabado de tirar o seu capacete com os dizeres de imprensa para se proteger.

Fui embora pela estação República, que estava sendo vigiada por um cordão de seguranças particulares da Linha Amarela, privatizada por Alckmin. Desviei deles e rumei pra zona norte de São Paulo. E um protesto que tinha tudo pra ser pacífico terminou em tiro, porrada e bomba. Sem que eu entenda até agora os reais motivos por trás disso.

Porradaria da PM encerra o 2º ato contra a tarifa em SP

Por Mídia NINJA
Creative Commons

Tudo ia bem. Mas a PM não se emenda. Bastou que alguns manifestantes lançassem contra os escudos da tropa de choque entrincheirada na porta da Prefeitura algumas garrafas de plástico com água e... Uma pancadaria absurda tomou o centro de São Paulo.


(Seria esse um efeito perverso do racionamento de água, só agora admitido pelo governador Geraldo Alckmin?)

Bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo, balas de borracha foram disparados contra tudo o que se movesse, contra manifestantes e contra pessoas que simplesmente passavam por ali, naquela hora de pânico.


Uma covardia.

No segundo ato promovido pelo Movimento Passe Livre, contra o aumento das tarifas de ônibus e metrô, de R$ 3 para R$ 3,50, nesta sexta-feira, 16 de janeiro, a única guerra real que aconteceu foi a de números. O MPL dizia ter reunido 20.000 manifestantes, enquanto a PM avaliava o número de participantes em 3.000.


Até as 20h33, a manifestação vinha bem, apesar de a PM ter detido um manifestante pelo “pecado” de carregar uma rodinha de skate na mochila. Jogaram-no no chão como a um saco de lixo, imobilizaram-no. Logo ele foi solto. Também explodiu um artefato de gás lacrimogêneo na frente do Ministério do Trabalho, na rua da Consolação, 1272...


Mas a passeata seguiu firme e organizada, apesar de duas agências bancárias (uma da Caixa Econômica Federal e outra do Banco do Brasil) terem sido depredadas não se sabe nem por quem.

Era alta a tensão reinante.

Até que alguns manifestantes arremessaram as garrafinhas de água na tropa de choque.

Motivo ridículo? É, mas foi o que deflagrou a pancadaria generalizada.


“A polícia vê e entende os manifestantes como inimigos. A reação deles é desproporcional em relação aos que seguem pacificamente. Na semana passada um observador legal foi atingido com bala de borracha no pescoço. Outros três foram golpeados com cassetetes. Não há diálogo. O clima é sempre de tensão”, diagnosticou Denize Guedes, jornalista e observadora legal.

Pelo menos 1.000 PMs acompanham a marcha. Tinha de tudo. Cavalaria, Tropa de Choque, Tropa do Braço, Força Tática. Um caminhão, chamado de POE, “Plataforma de Observação Elevada”, de onde sobe um mastro cheio de câmeras, fotografava toda a manifestação.

“A gente tá lutando por vocês também! Vão caçar bandidos, seus covardes!”, gritava um manifestante para a PM. Ele estava irado com a repressão. Tinha visto uma faixa uma faixa estirada debaixo do Viaduto do Chá, em que se lia: “Agora é de R$ 3 pra baixo”. E se emocionou.

Uma mulher ficou desmaiada no viaduto bombardeado. Foi socorrida por manifestantes. Em frente à Prefeitura, um manifestante sangrava no chão.

O Segundo Ato contra o Aumento das Tarifas acabou sob o ataque da polícia. O centro de São Paulo ficou às moscas e restou um cenário de devastação, apesar de os manifestantes terem a intenção (frustrada) de levar o protesto pelo largo S.Francisco, a Sé, até o  Tribunal de Justiça de São Paulo.

Fechado, o  Metrô  Anhangabaú foi o palco da revolta de usuários que protestavam contra a ação policial:  "Somos cidadãos, somos cidadãos!"

Falava-se em oito detidos, que foram enviados para o 78º DP, na rua Estados Unidos, nos Jardins.

A promessa agora, é uma só: “Amanhã vai ser maior!”

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Manifestantes protestam contra posição do Brasil de condenar ofensiva de Israel

Da Agência Brasil
Creative Commons

Mais de 100 pessoas participaram de uma manifestação hoje (30) em frente ao Ministério das Relações Exteriores contra a posição do governo brasileiro de condenar Israel "por uso da força desproporcional" na Faixa de Gaza.


Líderes dos manifestantes foram recebidos pelo subsecretário para Assuntos de África e Oriente Médio, o embaixador Paulo Cordeiro, e conversaram por cerca de uma hora. O embaixador recebeu um manifesto de entidades cristãs e da comunidade judaica no Brasil. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, os documentos serão analisados pelo Itamaraty.

Para os manifestantes, o governo brasileiro errou ao condenar Israel sem fazer qualquer menção ao movimento islâmico Hamas. Os manifestantes, de igrejas evangélicas e da comunidade judaica, também criticaram a decisão do governo brasileiro de chamar o embaixador do Brasil em Tel Aviv para consultas.

Segundo Kélita Rejanne Machado Cunha, que participou da manifestação, o subsecretário disse que o Brasil não tem a intenção de romper relações diplomáticas com Israel, mas não há previsão de retorno do embaixador brasileiro para Israel. De acordo com a manifestante, Cordeiro também enfatizou que o país não é a favor dos atos praticados pelo Hamas.

A manifestante acrescentou que a comunidade judaica e cristãos vão continuar a defender uma mudança na postura do governo brasileiro. “A gente vai continuar a dizer que o Brasil precisa ter uma posição coerente, de equilíbrio, uma postura de mediador. Essa forma do Brasil conduzir a situação não vai levar a nenhum tipo de solução”, acrescentou.

Na última quinta-feira (24), o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, defendeu a posição do governo brasileiro que, em nota divulgada no dia 23, condenou “energicamente o uso desproporcional da força” por Israel em conflito na Faixa de Gaza, levando à morte centenas de civis. O ministro também disse que o Itamaraty já havia divulgado nota condenando o movimento islâmico Hamas pelos foguetes lançados contra Israel, e também Israel pelo ataque à Faixa de Gaza.

O chanceler também defendeu a posição brasileira assumida no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O Brasil votou favoravelmente à condenação da atual ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e à criação de uma comissão internacional para investigar todas as violações e julgar os responsáveis.

Vencedores do chamado Nobel Alternativo assinaram uma declaração em que denunciam a "matança" de crianças e civis em Gaza e exigem o fim do conflito. "Como vencedores do Right Livelihood Award, popularmente conhecido como Prêmio Nobel Alternativo, nós condenamos energicamente a matança de centenas de crianças e civis inocentes, executada em Gaza pelo exército israelita, além do indiscriminado lançamento de mísseis por parte do Hamas sobre civis de Israel", diz o comunicado.

No abaixo-assinado, subscrito por 56 vencedores, é citado o abastecimento precário de água e eletricidade em Gaza, situação que ficou pior ao longo dos 23 dias de confronto, e o fato de "aproximadamente 24% de todos os que perderam as suas vidas em Gaza serem crianças". Entre os assinantes estão o brasileiro Leonardo Boff, professor universitário conhecido pela defesa de causas sociais; o canadense Tony Clarke, fundador do Instituto Polaris, que apoia movimentos civis pela mudança social democrática; e o holandês Theo van Boven, professor emérito de Direito Internacional e ex-diretor da Divisão para os Direitos Humanos das Nações Unidas, em 1977.

O prêmio foi fundado em 1980 e é apresentado todos os anos no Parlamento da Suécia. O prêmio nasceu da necessidade de "honrar e apoiar aqueles que oferecem respostas práticas e exemplares aos desafios mais urgentes que enfrentamos hoje". O Right Livelihood já foi entregue a 153 pessoas de 64 nacionalidades diferentes.

domingo, 19 de junho de 2011

Movimentos sociais se unem na Marcha da Liberdade em cidades brasileiras


Depois de polêmicas com a Marcha da Maconha em São Paulo, manifestantes de inúmeras vertentes se uniram ontem na Marcha da Liberdade. Movimento uniu diversas vertentes - de movimentos feministas, gays e outros segmentos - em 40 cidades brasileiras neste último sábado (18).

Pessoas usaram faixas, cartazes, adereços, malabares e megafones. Os participantes chamaram a atenção da população e convidavam moradores e frequentadores do bairro a se juntar ao grupo, com gritos de “Vem pra liberdade”.

Segundo a organização dos eventos, a ideia era defender a descriminalização do uso da maconha. O movimento ganhou o apoio de outros movimentos e mudou de nome. Nessa última semana, o Supremo Tribunal Federal decidiu liberar marchas pela descriminalização das drogas no país.

Informação via Agência Brasil

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Questão do diploma gera manifestação

Estudantes e profissionais de jornalismo queimam jornais em protesto a Gilmar Mendes

Por Bruno Podolski, Juliana Koch e Paulo Pacheco

Nesta segunda-feira, dia 22, em São Paulo, estudantes de jornalismo de faculdades como Mackenzie, PUC de Campinas (PUCCamp), Metodista, Anhembi Morumbi, Cásper Líbero e UFRJ manifestaram contra a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de suspender a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.

O protesto começou por volta das 10 horas em frente à estação Consolação do Metrô. Vestindo roupas pretas e narizes de palhaço, os estudantes traziam utensílios de cozinha e gritavam “somos jornalistas, não somos cozinheiros”, “informação não é comida” e “diploma não é lixo”, em resposta à declaração do ministro Gilmar Mendes, que, na última quarta-feira, comparou a profissão de jornalista a de cozinheiro: "Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área".

Em seguida, dirigiram-se ao Hotel ver foto Renaissance, na Alameda Santos, onde Mendes participaria do almoço-debate "A Justiça, o homem e a lei", com o Grupo de Líderes Empresariais (Lide). A estimativa da Polícia Militar era de 80 pessoas. Pouco depois, representantes da PUCCamp se juntaram ao grupo, que seguiu rumo à Fundação Cásper Líbero, onde agregaram mais participantes.

“Vão acontecer duas coisas: as universidades pequenas, as chamadas universidades ‘de esquina’, que não investem no jornalismo, vão fechar, pois não vão conseguir se sustentar; e os estudantes de jornalismo vão se dedicar ainda mais, porque a concorrência será maior. Mas eu ainda acho que o jornalismo precisa ser regulamentado, precisa do diploma”, afirmou Murilo Nascimento, 20 anos, coordenador-geral do diretório acadêmico da PUCCamp. Para ele, a decisão do STF foi política e a justificativa de que o diploma iria de encontro à liberdade de expressão não procede, pois há o jornalismo opinativo e o informativo.

O movimento, segundo o presidente do Sindicato de Jornalistas de São Paulo, “surgiu espontaneamente nas universidades”. José Augusto Camargo declarou ainda que “os cursos precisam resistir, porque a luta pela qualificação de jornalista tem quase 100 anos no Brasil e a resistência das universidades é fruto dessa luta. A Cásper Líbero, primeira faculdade [de Jornalismo] do Brasil, foi criada muito antes da necessidade do diploma”.

O protesto terminou por volta das 13 horas, em frente ao Hotel Renaissance, onde os manifestantes atearam fogo em jornais, convidando o ministro a “almoçar” as notícias com eles. Mesmo sem conseguir um encontro com o ministro, Nascimento considerou como dever cumprido a passeata: “Que esse seja o ponto inicial de um futuro que traga o diploma [obrigatório] de novo”.

Simultaneamente, outras cidades aderiram à manifestação, como Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Teresina (PI) e Caxias do Sul (RS). Na quarta-feira (24 de maio), às 13 horas, está marcado mais um protesto, desta em Porto Alegre.

domingo, 17 de maio de 2009

Manifestação contra Lei Contra Cibercrimes

Na noite de quinta-feira, dia 14, às 19, ocorreu uma manifestação contra a aprovação da Lei de Cibercrimes formulada pelo senador Eduardo Azeredo, do PSDB. Segundo a Folha Online, o protesto contou com cerca de 300 pessoas em frente a Assembleia Legislativa de São Paulo, tendo personalidades políticas como o sendor Eduardo Suplicy, do PT.

O projeto, que tornará criminosa a transmissão de dados P2P (ponto a ponto) e exigirá um cadastro por parte do usuário além do número de IP (o padrão atual) na internet, foi chamado no movimento de "AI-5 Digital". Ainda não há data prevista para sua votação.

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