sexta-feira, 29 de maio de 2009

Para interessados em estágio em Publicidade


Agradecimentos a Fernanda Martinez, pelo anúncio cedido por e-mail
(Sim, publicitários. Aceitamos peças de propaganda entre as matérias do blog)

Queda no repasse do Fundo de Participação dos Municípios deixa prefeituras em alerta

Para conter os efeitos da crise financeira mundial, que se intensificou no fim do ano passado, o governo federal adotou medidas que afetaram diretamente a rotina das prefeituras do Brasil. A iniciativa mais contestada foi a diminuição dos impostos de Renda (IR) e sobre Produtos Industrializados (IPI), formadores da principal fonte de receita de 81% das cidades brasileiras, o FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

As novas regras, que entraram em vigor a partir de janeiro deste ano, acarretarão em R$ 8,4 bilhões a menos nos cofres públicos da União, retirando R$ 1,386 bilhão dos mais de cinco mil municípios brasileiros. O objetivo da medida, segundo o governo, é garantir recursos suficientes no bolso dos consumidores e evitar que o encalhe de estoques nas empresas se transforme em uma onda de demissões.

Para o consultor da ONG ‘Transparência Municipal’, que coopera com órgãos e entidades ligadas ao poder público na aplicação de recursos, François Bremaeker, o governo brasileiro procurou minimizar os efeitos da crise e sinalizou no sentido da manutenção dos investimentos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), mas acabou prejudicando as administrações municipais.

“Foi uma boa atitude para não criar um ambiente de pânico no país. Entretanto, com o intuito de estimular alguns setores da indústria, a União promoveu isenções tributárias que refletiram nas finanças do município, sob a forma de redução dos repasses do FPM”, destacou.

Nas cidades de Guaratinguetá, Lorena, Cachoeira Paulista, Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz – ambas da Vale do Paraíba, em São Paulo -, a queda pôde ser observada nos primeiros meses deste ano. Em relação a janeiro de 2009, a verba repassada em fevereiro teve uma média de 6,7% de redução.

Em Lorena, o corte obrigou a prefeitura a rever gastos e a buscar novas opções de receita. O município, que tem uma estimativa do orçamento mensal para 2009 de aproximadamente R$ 7 milhões, depende em 21% do valor proveniente do FPM.

De acordo com o secretário adjunto de Finanças, Benedito Carlos Bravin, a prefeitura já colocou em prática algumas soluções para aumentar a fiscalização quanto ao recebimento de outros recursos, como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o ISS (Imposto sobre Serviço) e o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). “Tudo isso para evitar a sonegação e aumentar a arrecadação municipal. Não podemos ser tão dependentes do FPM, pois a tendência é que ele caia cada vez mais”, afirmou.

Desconto no IPTU foi uma das formas de driblar a crise

Já em Cachoeira Paulista, onde 13% do valor do FPM é destinado para a Saúde e 25% para a Educação, as medidas foram mais intensas. O prefeito Fabiano Vieira assinou um decreto com diretrizes para combater a crise. Os maiores cortes são de gastos com o pessoal, custeios de verbas e adiantamentos, auxílio econômico e material a festas populares e suspensão do uso ou empréstimo de carros oficiais. Além disso, as contas de água, luz e telefone estarão sob responsabilidade dos secretários municipais que deverão comprovar a sua exatidão.

Mesmo com essas iniciativas, o economista José Augusto Ribeiro acredita que não existem soluções imediatas para o problema. Para ele, o momento pede que se mantenha um número elevado de crédito. “O que deve ser feito é o alto investimento, crédito sempre constante dos bancos nas casas de câmbio e o governo apoiando as empresas na produção. Para, com isso, diminuir o desemprego e, assim, reduzir os efeitos deste mau momento da economia”.

O que é FPM?

O Fundo de Participação dos Municípios é uma transferência constitucional, composta de 22,5% da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do país. A distribuição dos recursos é feita de acordo com o número de habitantes das cidades. São fixadas faixas populacionais cabendo a cada uma delas um coeficiente individual. O mínimo é de 0,6 para municípios com até 10.188 habitantes e, o máximo, é de 4,0 para aqueles acima de 156 mil.

Os critérios atualmente utilizados para o cálculo dos coeficientes de participação estão baseados na Lei nº. 5.172/66 (Código Tributário Nacional) e no Decreto-lei nº. 1.881/81. Do total de recursos, 10% são destinados às cidades das capitais, 86,4% para as demais e 3,6% para o fundo de reserva a que fazem jus os municípios com população superior a 142.633 habitantes (coeficiente de 3,8), excluídas as capitais.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é o órgão responsável pela realização do Censo Demográfico e o Tribunal de Contas da União pela publicação dos coeficientes dos municípios. Os recursos do FPM são transferidos em três parcelas, sendo os dias 10, 20 e 30 de cada mês, sempre com a arrecadação do IR e IPI do decênio anterior ao repasse.

Matéria produzida por Ariane Fonseca e Leonardo Souza

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Como não torcer para esse time?

Nunca simpatizei muito com o Barcelona. Na Europa, desde 1999 meu time é o Manchester United, após aquela vitória histórica contra o Bayer de Munique. Na Espanha, sempre torci para o Real Madrid. Culpa de um tal de Zidane. Ou seja, tinha todos os motivos do mundo para torcer contra o Barcelona na final de ontem contra o (meu) Manchester. No entanto, toda esta torcida que já encontrava uma tremenda dificuldade para se manter em pé, foi derrubada. Derrubada ao mesmo tempo em que eu me erguia para aplaudir o time de Josep Guardiola.
Como resistir a um time que tem como filosófia de jogo o ataque puro e simples? Bola no chão, passando de pé em pé, até encontrar algum espaço na defesa adversária. Como resistir a um time que, numa época onde a posição mais valorizada pelos técnicos é o volante, joga com apenas um? Como resistir a um time que joga 61 partidas no ano e marca 157 gols, média de 2,57?
O que ocorreu ontem foi o duelo entre a melhor defesa do mundo, armada como um muro intransponível por Alex Ferguson, e que encontra nas figuras de Cristiano Ronaldo e Rooney sua válvula de escape para o ataque, contra o melhor ataque do mundo, um time armado de forma que 90% dos técnicos atuais considerariam suicida, baseada não apenas no talento sobrenatural de Messi, mas também na genialidade de Iniesta, na eficiência de Eto’o e na experiência de um Henry que nunca deixou de ser encantador. Atrás, uma defesa que era considerada inconstante, que encontra apenas em Puyol uma âncora sustentável.
O Barcelona da temporada 2008/09 entrou para a história como o Barcelona mais vitorioso da história, conquistando a tríplice coroa, e vencendo mais que qualquer outro. E tal fato é emblemático. Numa época em que até mesmo Brasil e Argentina vêem adotando o futebol pragmático e retranqueiro, a esperança vem da Espanha, que mostra ainda ser possível sim vencer jogando um futebol ofensivo, leve e, até mesmo, bonito.

Se a seleção espanhola havia espantado o mundo no ano passado com a conquista invicta da EuroCopa, o Barcelona deste ano, com um time primordialmente montado com jogadores formados pelo próprio clube, nos dá a adorável esperança -quem sabe ilusão – de que o futebol é cíclico, e esta falta de criatividade crônica seja apenas temporária.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Castroneves e suas lágrimas de leite


Dois dias já se passaram, e o mundo do automobilismo não se esqueceu. Em um esporte onde uma vitória não dura mais que alguns dias, o que ocorreu em Indianápolis, estado do Michigan nos EUA, foi algo que ficará marcado para sempre na história deste esporte que já tem muitas delas. Não apenas pelo lugar, não apenas pela prova. As 500 milhas de Indianápolis, disputadas no centenário Indianapolis Motor Speedway é a prova mais importante do ano. Quem vence lá, entra para a história. Imagine então, quem vence três vezes? Foi o que aconteceu com Hélio Castroneves neste domingo, quando terminou a última das 200 voltas da prova.

A história de Hélio (nada dessa mania boba de diminutivo que nós temos) em 2009 talvez seja a mais intensa do automobilismo. O homem que há 2 meses atrás via como imagem de seu futuro um macacão laranja, sem patrocínios, acompanhado de algemas nas mãos e nos pés, cruzou a linha de chegada aos prantos, esquecendo por alguns minutos aquele personagem que ele mesmo ajudou a criar.

Hélio sempre foi o cara mais simpático, o mais carismático, sempre com um sorriso de 120 dentes que fazia com que qualquer um torcesse por aquele garoto que saiu das pistas de kart em Ribeirão Preto, e chegou aos EUA, seguindo as portas previamente abertas por Emerson Fittipaldi e Gil de Ferran. Participou do Dance with the Stars, foi entrevistado por todos os apresentadores de talk-show do país... enfim, era fácil amar e era fácil odiar Hélio Castroneves. Mas ele sabia disso, e arcava com esse risco, sempre vivendo na corda bamba que a adoração a si mesmo proporciona.

No entanto, quando se viu investigado pelo governo americano, sendo acusado de fraude tributária, a máscara caiu. Os EUA ficaram chocados com a possibilidade daquele ídolo estrangeiro, que de certa forma havia personificado o sonho americano, ir parar atrás das grades. No Brasil, como sempre fazemos, acabamos por condenar Hélio antes mesmo da justiça. A justiça absolveu Hélio. Após mais de 2 meses de julgamento, com todos os aspectos sendo analisados, Hélio, sua irmã e seu pai foram inocentados em um processo que de tão minucioso não deixou dúvidas em relação à sua credibilidade. Então ele voltou, e que volta.

Difícil acreditar que alguém não tenha se emocionado no domingo, quando Hélio Castroneves escalou a grade do Motor Speedway. A partir de agora pouco importa se ele for campeão da temporada da Indy, até porque, as 500 Milhas é a única prova no mundo mais importante que o campeonato em si. Um filme com um roteiro perfeito (por mais clichê que isto soe) teve seu final rodado na linha de chegada feita de paralelepípedos, banhado não com champagne, mas com leite, a verdadeira bebida de luxo do automobilismo. Logicamente, Hélio voltará a ser a personagem que sempre fora, odiado por muitos, e adorado por muitos mais. Mas uma coisa é certa, ele acaba de entrar para a história com a maior voltar por cima que o esporte já viu, comparável apenas, quem sabe, ao retorno de Ronaldo em 2002.
ps: Foto retirada do blog do Fábio Seixas, na UOL.

domingo, 24 de maio de 2009

Entre os bits e bytes


Bate-papo, amizade, namoro, pesquisa. A internet oferece aos jovens uma infinidade de conexões. De clique em clique, eles vão acumulando endereços, imagens e textos que se sucedem de forma ininterrupta. Mas não é somente entretenimento que a nova geração busca na web. Contrariando as estatísticas, há quem use a rede mundial de computadores para mostrar o que sabe de melhor: o seu trabalho.

O designer Guilherme Serrano, de 22 anos, é um exemplo. O primeiro emprego do jovem, em 2004, foi fruto do seu site sobre tecnologia. “Durante a entrevista falei sobre minha página na web e, no mesmo momento, o entrevistador o acessou e gostou. Eu tinha 17 anos e não possuía currículo. Naquele momento eu vi como, por meio da internet, era fácil mostrar o que sabia”.

Hoje, Serrano passa mais de doze horas por dia no ciberespaço, no qual concilia as suas atividades do trabalho com a manutenção de um site colaborativo sobre design e tecnologia (www.andafter.org), seu portfólio online e também uma ferramenta para monetização de blogs. Além de participar de comunidades no Orkut sobre sua área de atuação e manter sua networking (rede de contatos) no Twitter, MSN e Gtalk.

“Expor os conhecimentos em redes sociais mostra que você tem interesse em aprender e que é uma pessoa informada na sua área. Isso conta pontos para qualquer um que pesquise mais sobre você na internet. Já consegui clientes e parcerias profissionais pelo Orkut e Twitter”, relata o jovem.

O estudante de webdesigner, Yury Veiga, de 21 anos, também descobriu na rede uma aliada profissional. Ele administra, edita e escreve em três blogs; conversa com clientes; envia currículos e marca entrevistas de emprego pela web. Seu principal trabalho é com o blog Trocistas. “Invisto na internet porque ela é um meio de acesso mundial. É muito mais fácil do que qualquer outro tipo de veículo e o retorno financeiro é rápido também”.

Para o Analista de Novas Tecnologias, Paulo Moraes, qualquer ferramenta disponível na web pode ajudar o jovem na divulgação do seu trabalho, desde que ele seja objetivo e estrategista em seu foco. “A internet tem um potencial enorme, pois dá ao internauta a liberdade de expressão e a possibilidade de acessar um conteúdo, aderi-lo e fazer parte integrante dele. É o que chamamos de geração da colaboratividade onde todos têm espaço livre para apresentar seus talentos e qualificações profissionais”.

Mas esse cenário ainda não é explorado como pode no Brasil. Jovens como Guilherme e Yury ainda são raridades na rede. Segundo uma pesquisa da Revista Veja – divulgada na edição 2100, de 18 de fevereiro de 2009 – o jovem gasta, diariamente, 3 horas e 40 minutos navegando na internet fora do trabalho ou do ambiente escolar. Nesse período, mais de 80% do tempo é dedicado a entretenimento no Orkut e MSN.

A psicóloga Angelita de Souza acredita que a ferramenta ainda não é tão explorada pelos jovens no âmbito profissional porque eles buscam nela uma afirmação autônoma, um lugar onde exercitam critérios de amizade e onde buscam padrões de comportamento. “Jovens não costumam apreciar burocracias e intermediações e, na internet, seus desejos são acessados diretamente. A tecnologia parece ajudá-los a lidar com os dilemas típicos dessa faixa etária – identidade, personalidade, desejos e auto-expressão”, finaliza.

Onde divulgar meu trabalho na web?

Veja aqui algumas ferramentas gratuitas da internet que você pode utilizar para divulgar o seu trabalho:

Twitter
www.twitter.com

Rede social e servidor para microblogging que permite que os usuários enviem atualizações pessoais contendo textos de 140 caracteres via SMS, mensageiro instantâneo, e-mail, site oficial ou programa especializado.

Blogger
www.blogger.com

Ferramenta de publicação de blogs grátis do Google que permite aos usuários compartilhar seus pensamentos facilmente com o mundo. Basta se cadastrar e escolher um dos temas disponibilizados.

Via6
www.via6.com

Rede de conteúdo que conecta profissionais de todas as áreas. O objetivo é fazer com que a vida profissional dos usuários se aprimore adquirindo novos conhecimentos e informações, bem como aumentando sua rede de relacionamentos.

Scribd
www.scribd.com

Serviço gratuito definido por alguns como uma espécie de "Youtube para documentos". Atualmente o site hospeda, em várias comunidades, mais de 350.000 documentos como e-books, apresentações, ensaios, artigos acadêmicos, álbuns de fotos, trabalhos escolares, entre outros.

Regrinhas para um bom twitter


Texto original do blog Wii Are Nerds.

Pensou que era apenas postar 140 caracteres e só? Esse pequeno guia vai apontar alguns toques fundamentais para você se manter nessa rede social. Caso contrário, é muito provável que você ache que ela virou um porre (e talvez você seja interessante a ponto de precisar de uns toques...).

1 - Faça SUA política de following/follow. Não siga a idéia "preciso seguir menos pessoas do que as me seguem". Se você quer seguir 1 milhão de pessoas, você pode, desde que saiba os endereços dos twitters que realmente importam (pra não ficar procurando atualização na página inicial, aquele trabalhinho bacana...). E, bom, seguir alguém não se trata apenas de ler a pessoa, mas em muitos casos você pode/deveria interagir. Nunca esqueça disso (mandando mensagens "@" e repassando com "RT:").

2 - Seja um "twitteiro com bom senso". Isso significa: NÃO responder a pergunta "what are you doing?" do sistema. Ninguém quer saber quantas vezes você vai ao banheiro e, às vezes, repito, às vezes, seu cotidiano chega a ser interessante. Mas você não é a "última bolacha do pacote". Simples.

3 - Comente as informações e links que recebe. Com o tempo, você vai notar que o twitter aos poucos pode até substituir seus leitores RSS. E há uma vantagem adicional nisso: você pode conversar diretamente com os autores dos textos. O @marcelotas, com seus quase 70 mil seguidores, pode ser que não te responda, mas blogueiros menores sim. Isso é ótimo.

4 - Faça reflexões bizarras. Pode não ser legal o tempo inteiro, mas é interessante uma discussão saudável por alguma idéia suspensa em 140 caracteres.

5 - CUIDADO com o que você posta. Seu chefe pode ler, sua mãe (se ela usa PC) pode ler e o Google tá ai pra isso. Twitter é público, mas o povo costuma esquecer esse detalhe.

6 - Quer ficar popular no twitter? USE. POSTE. Mas tenha consciência que você precisa ser o @manomenezes de fato pra ter a popularidade dele.

7 - Utilidade do twitter no celular: cobertura de eventos e em situações onde o PC não é possível. Esse recurso é batido, mas é muito interessante se usado da maneira correta.

E vale lembrar: se você acha o twitter inútil, se acha que ele vai virar outro orkut, pode se retirar, fechar conta e o caramba. Mas tenha consciência de uma coisa: o Facebook não criou nada inovador, o Myspace é pouco funcional e, mesmo assim, eles são populares. O que conta nesses sistemas não é o que eles fazem, mas a eficiência. Se você quer ir pra um sistema que ninguém conhece, mas é melhor, vá em frente. Só que a falta de pessoas é um problema.

Depois não diga que eu não avisei.

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E caso queira acompanhar o Bola via twitter, clique aqui.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Valer

Hoje, às 12h20, um homem berrava na Avenida Brigadeiro Luís Antônio que "paulistas não valem nada". Segundo o homem, ele estava passando fome desde o dia anterior e ninguém se dignou a lhe pagar uma refeição.

Repreendia as pessoas, o motorista do ônibus Terminal Capelinha, os balconistas de boteco e até vociferava aos céus. Resta saber se alguém conseguiu ajudá-lo, uma vez que a fúria o afastava de todas os presentes.

Poucos metros dali, no cruzamento da Paulista com a Brigadeiro, sentido Jardins, o Capelinha conseguiu evitar um atropelamento de uma mulher jovem por pouco mais de 2 metros. Auxiliada por um homem, a moça foi retirada da rua.

Vale a pena falar sobre isso?

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Star Trek

J.J.Abrams indo ao nenhum diretor jamais foi

Quando o novo filme de Star Trek foi anunciado como um reboot, ou seja, uma retomada na história original, todos se questionaram: ainda existe espaço para Star Trek? Quem se encarregou de responder tal pergunta foi o diretor escalado, um tal de J.J. Abrams (aquele carinha que criou séries como Lost, Alias e Fringe, além de filmes como Missão Impossível 3 e Cloverfield), “O mundo precisa daquele otimismo de volta”. Essa declaração foi feita em meados de 2008, quando ainda vivíamos sob as rédeas de George W. Bush. O tempo provou que Abrams estava certo, e, ao invés de surgir como um último grito de otimismo e esperança, Star Trek surge como um marco de início da nova era Obama.

A primeira coisa a se dizer do novo filme é que Abrams é no mínimo um cara corajoso. Em vez de escolher retratar mais uma das inúmeras missões da S.S.Enterprise, o diretor colocou a mão no vespeiro e simplesmente rebobinou tudo, contando a gênese da tripulação liderada por James T. Kirk e Spock. Os fãs obviamente não gostaram muito quando ficaram sabendo disso, e desconfiaram ainda mais quando Abrams disse que sempre fora um “star wars guy”. Ou seja, não era nem de longe um profundo conhecedor do universo trekker.

O resultado disso tudo? Enquanto metade dos fãs foi aos cinemas otimista em relação à volta do maior ícone do sci-fi, a outra metade se reuniu em uma multidão raivosa munida de tochas e tridentes. Já o resto do mundo, e esse era o público que Abrams queria atingir, ficava cada vez mais curioso sobre o que seria e o que significava Star Trek.

Para que tudo funcionasse com perfeição, a primeira coisa necessária era um grande roteiro, algo que justificasse o novo filme. E pode-se dizer que tal meta foi atingida. O roteiro escrito pelos medianos Roberto Orci e Alex Kurtzman (dupla de Transformers), e supervisionado por J.J.Abrams, se vale do artifício clássico das histórias de ficção cientifica - a viagem no tempo - para criar uma história completamente nova, mudando aspectos essenciais da trama original.

A partir daí se ganhou a liberdade necessária para se trabalhar novamente àqueles personagens clássicos, com suas principais características mantidas, mas atualizadas para um público que necessita cada vez mais de ação e cada vez menos de "falação" (uma característica marcante da série). O resultado disso é uma histórica épica, fantasticamente bem amarrada, que carrega toda a grandiosidade que os tripulantes da Enterprise merecem para brilhar.

Outro ponto tão importante quanto o roteiro era a escolha do elenco. William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelly e companhia se tornarão verdadeiras lendas graças a seus personagens, e desta forma, qualquer deslize seria motivo suficiente para estragar todo o filme. Sabendo disso, Abrams e sua equipe fizeram uma das mais criteriosas escolhas de elenco pela qual um blockbuster passou recentemente. E boa noticia é que eles acertaram em cheio. Os primeiros nomes liberados foram os da equipe “coadjuvante” da nave. Simon Pegg como Scooty, Anton Yelchin como Chekov, John Cho como Sulu e Zoe Saldana como Uhura. E cada um caiu como uma luva em seus personagens, se mostrando tão carismáticos e únicos como a equipe original, e em alguns casos (leia-se Pegg e Yelchin) superando seus interpretes originais. Já o vilão Nero, personagem original do filme, ficou à cargo do talentoso Eric Bana, que o interpreta com um prazer que salta à tela.

Mas é claro que todos eles, apesar de suas qualidades, acabam funcionando como escadas para o trio principal, Kirk, Spock e McCoy. E se DeForest já não está mais entre nós, William Shatner e Leonard Nimoy devem ter ficado muito orgulhosos de Chris Pine e Zachary Quinto. Desde sua primeira cena percebemos a canastrice, arrogância e impetuosidade de Kirk, tudo junto a uma mente que a seu modo se torna genial. Das duas uma, ou Chris Pine é um excelente ator ou o filho bastardo de William Shatner. Já Zachary Quinto, que admitiu ter tido aulas com o próprio Nimoy, não deixa dúvidas de que aquele que vemos na tela é a versão mais jovem e inexperiente de Spock. Um jovem que preza pela lógica como todo Vulcano, mas que dentro de si ainda guarda a erupção emocional de todo ser humano. Por fim, Karl Urban assusta em sua semelhança com o Leonard McCoy original. Desde o modo de falar, passando por todos os trejeitos físicos, até sua mente altamente passional. Todos eles brilhantemente dirigidos por um Abrams inspirado, que não erra em nenhuma cena (erros que nunca foram graves, mas que se tornaram comum em seus filmes), e acerta a medida certa de nostalgia, algo necessário, mas que ,em excesso, poderia comprometer a obra.

Para encerrar, um parágrafo para o melhor ator do filme. A participação de Leonard Nimoy não era segredo para ninguém, mas que ela fosse tão significativa, foi uma surpresa. Nimoy não surge como o Spock de Quinto, mas como o seu próprio Spock, do universo original de Star Trek (é necessária uma certa dose de concentração para entender viagens no tempo). E a sua interpretação é simplesmente espetacular. Mais de 25 anos depois, Nimoy ainda sabe que o Spock pensa, indo além do próprio roteiro, fazendo com que qualquer direção de atores se torne desnecessária. O antigo Spock surge como uma força carregada de serenidade, experiência, sabedoria e, mais do nunca, emoção.

J.J.Abrams ainda não é nenhum George Lucas ou Steven Spielberg, embora sua idolatria aos mestres seja clara. No entanto, o americano com cara de nerd ousou remoer o ícone máximo do sci-fi para provar que ainda existe espaço para o genêro em sua forma clássica, sem a necessidade das artimanhas deste século que ele próprio ajudou a criar. Pode ser que ainda lhe falte um Star Wars ou um E.T., mas Star Trek prova que ele pode ser sim a salvação de um genêro que há muito já era dado como morto.

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