quinta-feira, 28 de maio de 2009

Como não torcer para esse time?

Nunca simpatizei muito com o Barcelona. Na Europa, desde 1999 meu time é o Manchester United, após aquela vitória histórica contra o Bayer de Munique. Na Espanha, sempre torci para o Real Madrid. Culpa de um tal de Zidane. Ou seja, tinha todos os motivos do mundo para torcer contra o Barcelona na final de ontem contra o (meu) Manchester. No entanto, toda esta torcida que já encontrava uma tremenda dificuldade para se manter em pé, foi derrubada. Derrubada ao mesmo tempo em que eu me erguia para aplaudir o time de Josep Guardiola.
Como resistir a um time que tem como filosófia de jogo o ataque puro e simples? Bola no chão, passando de pé em pé, até encontrar algum espaço na defesa adversária. Como resistir a um time que, numa época onde a posição mais valorizada pelos técnicos é o volante, joga com apenas um? Como resistir a um time que joga 61 partidas no ano e marca 157 gols, média de 2,57?
O que ocorreu ontem foi o duelo entre a melhor defesa do mundo, armada como um muro intransponível por Alex Ferguson, e que encontra nas figuras de Cristiano Ronaldo e Rooney sua válvula de escape para o ataque, contra o melhor ataque do mundo, um time armado de forma que 90% dos técnicos atuais considerariam suicida, baseada não apenas no talento sobrenatural de Messi, mas também na genialidade de Iniesta, na eficiência de Eto’o e na experiência de um Henry que nunca deixou de ser encantador. Atrás, uma defesa que era considerada inconstante, que encontra apenas em Puyol uma âncora sustentável.
O Barcelona da temporada 2008/09 entrou para a história como o Barcelona mais vitorioso da história, conquistando a tríplice coroa, e vencendo mais que qualquer outro. E tal fato é emblemático. Numa época em que até mesmo Brasil e Argentina vêem adotando o futebol pragmático e retranqueiro, a esperança vem da Espanha, que mostra ainda ser possível sim vencer jogando um futebol ofensivo, leve e, até mesmo, bonito.

Se a seleção espanhola havia espantado o mundo no ano passado com a conquista invicta da EuroCopa, o Barcelona deste ano, com um time primordialmente montado com jogadores formados pelo próprio clube, nos dá a adorável esperança -quem sabe ilusão – de que o futebol é cíclico, e esta falta de criatividade crônica seja apenas temporária.

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