terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Fabrica dos Sonhos compra a Fabrica de Idéias

4 bilhões para não mudar (quase) nada?

E a Disney comprou a Marvel. A bomba explodiu ontem, no começo da manhã, praticamente madrugada na costa oeste americana. Foi suficiente para que o mundo do entretenimento ficasse perdido. Afinal, o que teria acontecido nos últimos meses de forma tão sigilosa? Sem nenhum boato ter vazado? E o que vai acontecer com Fabrica de Idéias agora que está nas mãos do maior conglomerado de mídia do mundo? Duas perguntas tão pertinentes que foram a síntese da blogosfera e do twitter no dia de ontem.

O que mais espantou na nova aquisição não foi apenas a forma surpreendente que ela ocorreu, mas os valores envolvidos. A Disney pagou 4 bilhões de dólares para ter controle total da Marvel e suas ramificações. Ou seja, entra ai no pacote a Marvel Studios - responsável pelos filmes próprios – e a Marvel Publishing, que nada mais é que a editora de quadrinhos da empresa. De uma forma um pouco simplista, a coisa fica assim: Issac Pelmuter, presidente da Marvel, agora responde à Bob Iger e ao senhor Steve Jobs, chefes da Disney (embora o segundo não de forma oficial).

Outra coisa que chama atenção é o tamanho das empresas envolvidas. Quando a Disney comprou a Pixar, no início da década, o estúdio de animação era um prodígio em ascensão, responsável pelos melhores filmes animados da época, mas pequena quando falávamos em termos empresariais. Em uma jogada de gênio de Steve Jobs, a Disney adquiriu a Pixar, até então sob as mãos de Jobs e de John Lasseter, mas logo em seguida teve boa parte de suas ações adquiridas pelo próprio Jobs. Resultado disso: a Pixar se tornou o braço mais independente da Disney, com total liberdade criativa, e John Lasseter se tornou o diretor de criação da casa do Mickey. Este molde pode ser um bom exemplo do que poderá ocorrer com a Marvel.

Desde a década de 80 a Marvel surra anualmente a DC quando o assunto é venda de quadrinhos. Com exceção de grandes eventos, como as infinitas Crises no mundo da DC, a Marvel sempre vendeu mais. Pertencente a Time Warner, a DC nunca se preocupou muito com isso. Mas a Marvel deu um salto gigantesco nos últimos 3 anos graças ao cinema. Depois fechar acordos com diversos estúdios para licencias seus personagens nas telonas, a Marvel resolveu abrir seu próprio estúdio, e daí saiu o sucesso de Homem de Ferro e o bem recebido Incrível Hulk. Ainda estão por vir Homem de Ferro 2, Thor e Capitão América. Uma mina de ouro feita com a competência de quem criou estes personagens.

No entanto, apesar de seu sucesso, a Marvel Studios ainda encontrava problemas para financiar seus filmes. As gravações de Homem de Ferro 2 só ocorreram depois de muita negociação de custos. Os atrasos de Thor e Capitão América também estavam ligados a isso. Por fim, analisando este “viés cinematográfico” da história, não é muito difícil de imaginar o que cada parte queria. Com a maior parte dos próximos projetos definidos, difícil imaginar que a Disney irá mudar muito estes filmes, além de injetar mais dinheiro e publicidade. Se antes havia alguma dúvida que veríamos Os Vingadores juntos no cinema, com direitos a astros interpretando os heróis, duvido que exista alguma a partir de agora.

E quanto aos quadrinhos, o que é o que a Marvel realmente sabe fazer? Veremos o Dr.Fantástico participando do próximo Fantasia? Piadas a parte, a coisa deve mudar muito pouco, embora uma ou outra mudança de curso possa ser esperada. Tenho um forte pressentimento de que nada na estrutura hierárquica da Marvel se alterará e, assim sendo, Joe Quesada continuará sendo o editor-chefe a Marvel Publishing. Por mais que Quesada seja odiavel em alguns pontos, não se pode negar que o cara entende do mercado de quadrinhos e suas histórias vendem como água para os padrões atuais. No entanto sua filosofia pode esbarrar com o padrão Disney.

Tudo na Disney é certinho. Embora seus produtos televisivos e musicais atualmente sejam de qualidade questionável. Agora, quando o assunto são quadrinhos e filmes de personagens, a história é outra. Quesada faz tudo para vender, até apagar sagas inteiras e jogar no lixo anos de edições. Há de se imaginar que alguns atritos podem ocorrer na definição da linha editorial da empresa daqui para frente, mas se algo mudar, acredito que será para melhor. Estava na hora de alguém colocar Quesada na coleira.

Bom, mas tudo são apenas conjunturas. Hoje pela manhã Stan Lee aprovou a compra. Ontem, pelo Twitter, Joe Quesada disse que espera um espelho da relação Pixar/Disney. Enfim, nada de muito ruim irá acontecer com a Fábrica de Idéias daqui para frente, como alguns teóricos e anti-conglomerados disseram pela internet. Obviamente não são todas as relações da Disney com seus empregados que sempre deram certo, mas levando-se em conta o perfil de ambas as empresas, dá pra apostar muito mais em algo bom para ambos do que o Mickey arrancando a cabeça do Homem-Aranha.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Cadê o Pai dos Blogs?


Vídeo um pouco antigo, de maio deste ano, comemora 10 anos de existência oficial dos Blogs, retomando a história que falei neste outro post. Apresentado por Scott Rosenberg, o curta-metragem coloca em cheque a versão oficial de que o primeiro web log teria sido criado por Jorn Barger, blogueiro do Robot Wisdom que oficializou a prática de linkar páginas que lia e comentar assuntos do cotidiano, em dezembro de 1997.

Nada melhor do que conferir esse vídeo em pleno Blog Day, hoje. Entre outras personalidades que Rosenberg apresenta como possíveis pioneiros está o site Offhand Remark, de Harold Check do Six Apart, que começou em setembro de 1997. The Obvious Filter, de Michael Pachter, foi criado em maio do mesmo ano com atividades similares de leitura web. Steve Bogart fez outro blog anterior, pessoal, em fevereiro de 1997.

Desde abril de 1996, Dave Winer sustenta o Scripting News, um dos pioneiros ao abordar informática e internet em uma página de notícias, que inspirou pessoas a começarem seus blogs. Justin Hall, em janeiro de 1994, criou o Justin Links from the Underground, sendo provavelmente um dos blogueiros mais novos de sua geração. No entanto, Justin só começou a desenvolver material próprio em janeiro de 1995, inspirado por outro blogueiro, Ranjit Bhatnagar, que começou sua página em novembro de 1993.

Retornando ainda mais no tempo, Marc Andreessen, co-fundador da Netscape, foi autor do site, ou blog, What´s New?, em meados de 1992. Até mesmo Tim Berners-Lee, inventor da World Wide Web, que tornou a internet internacional, pode ter iniciado os blogs nas primeiras páginas que fez em sua criação.

Rosemberg dá ainda exemplos fora da internet de possíveis origens dos web logs, sem fechar com certeza absoluta um criador desse conceito. Mais detalhes podem ser conferidos em seu livro, Say Everything, que enaltece a tese, pelas origens incertas, que blog ainda vai evoluir muito justamente por esse começo incerto e imprevisto.

Blog Day 2009 e Bola da Vez #3


Com o intuito de comemorar a existência dos Blogs pela quinta vez consecutiva, anualmente, e divulgar novidades na internet, o Blog Day foi criado no final do mês de agosto. Para prestigiar o dia de forma bem apropriada, vamos fazer outra coluna, mas seguindo as regras da campanha:
1. Liste cinco novos Blogs que você ache interessantes.
2. Notifique por email esses cinco bloggers de que serão recomendados por você no BlogDay 2009.
3. Notifique por email esses cinco bloggers de que serão recomendados por você no BlogDay 2009.
4. Publique no BlogDay (no dia 31 de Agosto) esse post.
5. Junte a tag do BlogDay usando este link: http://technorati.com/tag/blogday2009 um link para o site do BlogDay: http://www.blogday.org

O Bola fará 5 recomendações em nome do Blog Day:

- OxenTI: geekangaceiros 2.0 (@ioxenti): Blog novato de tecnologia, com atualizações constantes, idealizado por Gustavo Ats, meu colega do Wii Are Nerds, e uma equipe de blogueiros recrutada nos melhores lugares da internet. Vale a pena pelo bom humor nordestino e por reflexões relevantes que ele sempre traz à tona

- Raposa na Quebrada (@cauefabiano): Com toda a desenvoltura da Zona Leste de São Paulo, aliada com a crítica na internet, o blog jovem do jornalista Cauê Fabiano reúne humor, bastante vídeo e material com personalidade. Vale a visita, o incentivo e o comentário.

- Wii Are Nerds (@wiiarenerds): Um blog de tecnologia que, ultimamente, está se expandindo até os confins da cultura geek. Tem podcast, uma mesa-redonda nerd repleta de humor sagaz, e, em breve, terá um videocast. Idealizado pelo Naftali Andrade e conduzido por inúmeros colaboradores, mas tendo na edição o Gustavo Ats e o Pedro Zambarda do Bola (embora eu escreva pouco por lá).

- Macaco de Fralda (@rafa_lacerda): Outro blog de humor, mas com um mascote bastante peculiar. Pensado nas dependências da Faculdade Cásper Líbero, o Macaco de Fralda tem potencial para marcar a mente de muitos leitores.

- Campinaremos (@Zanfa): Um blog de humor que pode ir da piada mais sútil e "limpa" para pegadinhas totalmente pornográficas. Inspirado em Worms Armageddon, o famoso videogame das minhoquinhas de guerra, esse espaço é um fenômeno.

E o Bola da Foca ainda recomenda mais dois probloggers - blogs profissionais - para que alguns visitantes conheçam nomes que geram discussões na internet.

- Contraditorium (@Cardoso): Famoso pelo avatar do personagem House em seu twitter e por ganhar dinheiro através de publicidade em seus blogs, Carlos Cardoso é um ex-publicitário que traz contribuições interessantes de tecnologia e curiosidades no Meio Bit. Contraditorium traz inúmeras polêmicas em seus posts, muitas vezes sendo paradoxais, mas sempre com a vantagem de promover a discussão, um assunto que deveria ser mais disseminado na blogosfera brasileira, sem muitas desavenças pessoais.

- Jovem Nerd (@jovem_nerd): A grande fama do Jovem Nerd está hoje, na verdade, em seu podcast, o Nerdcast. No entanto, reunindo o que há de melhor nas notícias do mundo geek/nerd, incluindo tecnologia, seriados e curiosidades, esse blog é uma referência de profissionalismo e pioneirismo nesse asusnto dentro da internet brasileira. Eles possuem, além de inúmeros patrocínios, a Nerdstore, uma loja virtual totalmente voltada para seu público.

Por fim, recomendamos uma das blogueiras de comunicação vencedoras do Certificado TOP100 do concurso TOP BLOGS deste ano: Ariane Fonseca e seu Diário de um Repórter (@arianef).

Dois lados do "fracasso da esquerda do século XX"

Uma história de amizade entre intelectuais, além do rompimento em si. Essa é a definição que traz o livro Camus e Sartre - O Fim De Uma Amizade No Pós-guerra do historiador Ronald Aronson, professor da Wayne State University e americano de Detroit, Michigan. Retomando os anos de 1943 até o lançamento do livro O Homem Revoltado e o singular ano de 1952, Aronson disseca as carreiras do escritor franco-argelino Albert Camus e de um dos intelectuais que melhor o recebeu na França, o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre. De maneira direta, sem separar muito as aspas e citações de seu raciocínio central, o autor busca compreender como esses expoentes se tornaram, dentro da esquerda política e na situação da Segunda Guerra Mundial, pensadores fora dos pólos Estados Unidos - União Soviética.

No material, não é possível concluir se Aronson toma mais partido de um ou do outro protagonista, mas é claro que ele considera pontos positivos de ambos os lados. O fato é: Camus causou uma transformação no engajamento político ao tornar-se jornalista do renomado jornal Combat, entre 1944 e 1947. No entanto, sua imagem pública ficou comprometida após o contato com o intelectual húngaro Arthur Koestler, autor de O Zero e o Infinito. A crítica de Koestler ao totalitarismo stalinista foi totalmente incorporada na abordagem filosófica e mítica de O Mito de Sísifo, ensaio contundente de Camus sobre o absurdo que legitima qualquer atitude, mesmo sob a justificativa histórica. Essas conclusões vieram de encontro às teorias que Sartre estava formando, primeiro criticando os socialistas comunistas para, enfim, depois, juntar-se a eles pela luta contra o capitalismo, legitimando a violência.

Aronson traz trechos de conversas entre os dois intelectuais, discursos, relatos de outras personalidades como Simone de Beauvoir (esposa de Jean-Paul Sartre e uma grande existencialista feminista), além de trechos de diversas obras que explicam o período, as argumentações políticas e suas consequências sociais. Camus lança O Homem Revoltado em 1952 e arranca uma crítica negativa feita por Francis Jeanson no periódico Les Temps Modernes, editado por Sartre. Motivo: o livro condena toda e qualquer forma de revolução, acreditando que elas levam para a matança sistemática, que é usada pelos governos totalitários. Mesmo com essa lógica anti-revolucionária, Albert Camus continua comprometido com a esquerda francesa, mas tendendo mais para democracia, enquanto Sartre rompe definitivamente com seu amigo de guerra através de uma tréplica publicada em seu veículo.

Depois desse clímax, o livro penetra no período de recuperação de Camus, abalado pela exposição pública promovida por Jean-Paul Sartre. O lançamento de A queda mostra um Albert Camus revigorado, mas outras polêmicas incluindo seu envolvimento no jornal L´Express e seu silêncio diante das revoltas árabes da Argélia, sua terra natal, no final dos anos 1950 acabaram enaltecendo a figura de Sartre. Ambos são intelectuais reconhecidos, mas, no começo de 1960, Jean-Paul Sartre gozava de maior fama por ter apoiado as revoluções em países do chamado Terceiro Mundo, incluindo Che Guevara em Cuba e os próprios argelinos, transformando sua visão pró-soviética em anti-repressão a qualquer preço.

No entanto, com a queda do Muro de Berlim em 1989, novamente as obras de Albert Camus voltaram a ser valorizadas, tanto pela esquerda quanto pela direita política. Seu senso de humanismo e anti-violência sistemática está simbolizado em textos memoráveis, como sua reflexão sobre as bombas atômicas atiradas no Japão no jornal clandestino Combat ou o romance sobre resistência chamado A Peste.

Se você quer referências de leitura, Aronson fornece dados satisfatório de títulos tanto de Sartre quanto Camus, além de obras correlacionadas. De Jean-Paul Sartre, é importante ressaltar O Ser e o Nada, um de seus principais tratados filosóficos, além das peças As Moscas e Entre Quatro Paredes, que possuem personagens referenciais de seu pensamento e de suas críticas.

O ideal não é tomar partido do moralismo de Camus ou do engajamento comprometido de Sartre com a esquerda, mas enxergar os dois como lados distintos do "fracasso da esquerda do século XX", com alguns argumentos ainda válidos para a crítica atual da globalização. E não é qualquer tipo de socialismo, mas uma corrente que questionou o sonho comunista da União Soviética e que foi contra o capitalismo pelo caráter corrupto de muitas grandes corporações durante a Segunda Guerra Mundial, como a Renault e muitos jornais financiados por norte-americanos após o conflito.

Esse trecho final é esclarecedor sobre o valor de ambos os autores: "podemos imaginar alguém falando a verdade todo tempo, e se opondo à opressão em todo lugar, unindo a capacidade perspectiva característica de ambos sob um único padrão moral. Tal intelectual iluminaria a violência sistêmica de hoje aceitando o desafio de que a luta não deve criar novos males. Um Camus-Sartre?".

Agradecimento a Priscila Jordão pelo empréstimo do livro.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Crime sem passado ou futuro

O Sol, um revólver, a indiferença perante à perda da mãe e o subdesenvolvimento da Argélia. Em uma ficção breve, com frases secas e personagens enigmáticos, o escritor, jornalista e intelectual pied noir (argelino de origem francesa) Albert Camus marcou o século XX com o livro O Estrangeiro (nome original: L´Étranger), em 1942. Seu enredo aborda a vida do personagem Mersault, um homem que comete um cruel assassinato sem uma única justificativa. Essa história rendeu ao autor o Prêmio Nobel de Literatura de 1957, sendo o primeiro africano a receber tal reconhecimento.

Começando por um velório, que deveria supor um sentimento de angústia, somos apresentados ao protagonista que vê a situação de uma forma mais sistemática. "Tudo se passou, então, com tanta rapidez, certeza e naturalidade, que já não me lembro mais de nada" exclama Mersault, sem nenhuma forte afirmação de lamento ou perda. No desenvolvimento da história, ele possui uma relação supostamente sentimental com a namorada Marie, mas a descrição de seus encontros revela um interesse mais carnal do protagonista.

Com uma narrativa que parece retirar os fatos do cotidiano, como uma espécie de diário, a trama segue até uma praia argelina onde Mersault, Marie e os amigos Raymond e Masson são abordados por um grupo de árabes. O confronto na praia termina com o protagonista disparando cinco tiros de seu revólver contra uma vítima desarmada, sem ter aparentemente um motivo plausível para tal reação. Um tiro derruba o suposto inimigo e mais quatro são disparados contra um corpo inerte. "Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz" narra Mersault, fazendo uma descrição que transforma o Sol, o calor e seu ato horrendo em um único retrato, com um significado que não está descrito nos tribunais que vão julgá-lo.

Essa mudança central no roteiro, que se torna fonte de todas as situações na prisão de Mersault, mostram que o personagem não se arrepende do que fez, mesmo diante da sociedade e da cobrança de uma ética em sua recuperação. E ele ainda teoriza sobre a vida na prisão, tendo um raciocínio totalmente fora da normalidade: "compreendi, então, que um homem que houvesse vivido um único dia, poderia sem dificuldade passar cem anos numa prisão".

O que Mersault revela, sendo uma criação distinta de Albert Camus, é que ele é um indivíduo que vive o chamado "estado de absurdo", explorado tanto na filosofia como nas artes, especialmente a dramaturgia. A pessoa absurda não está ligada ao passado histórico e cultural e, por isso, é livre de qualquer lógica e pode cometer qualquer ato impensado. Quando não há ligação com o futuro, essa pessoa também deixa de temer possíveis consequências de seus atos.

Do crime aos tribunais, Camus mostra nesse romance o retrato de seu tempo: ele foi um jornalista engajado na época da Segunda Guerra Mundial e das bombas atômicas. Mersault é a encarnação das aberrações que surgiram no século XX, fruto de um pensamento que rompeu com as tradições da modernidade, apesar do absurdo não ser um tema exclusivo de determino período histórico.

Pode-se condenar Mersault por seu assassinato, mas sua mente não sente culpa ou remorso. Ao transferir seu ponto de vista ao do personagem, porém, não podemos mais recriminá-lo, especialmente porque ele não acredita na justiça dos homens. "Durante as falas do promotor e do meu advogado, posso dizer que se falou muito de mim, e talvez até mais de mim do que do meu crime. Eram, aliás, assim tão diferentes os discursos?"

Um bom livro para ler em uma única tarde, tendo pouco mais do que 120 páginas em média, com frases e parágrafos curtos e diretos, embora o personagem seja fruto de análise profunda para muitos outros processos, situações ou mesmo épocas distintas.

O dia em que o twitter deu lição de jornalismo

Ou, traduzindo, o dia que eu fiz burrada como jornalista.

Tudo começou com um humilde tweet (mensagem de 140 caracteres no twitter) que meu colega jornalista Diego Cabral Camara enviou, sendo devidamente divulgado em minha página. Era uma informação bastante polêmica envolvendo a apresentadora Xuxa Meneghel, alvo de várias discussões no twitter, seja por escrever em caixa alta ou por permitir sua própria filha que atualizasse sua conta. Não vou dissecar essas outras histórias. Vamos diretamente ao tweet:

Justifico: cliquei sim no link, especialmente por abordar um processo contra essa rede social que está em expansão no Brasil. Li a matéria. Muito bem escrita, ela acabou sendo aceita por mim em uma leitura rápida. Quando você lê alguma coisa apenas para repassar informação no twitter, nessa grande rede que é vítima do atual momento da internet, muitas vezes se fere um mandamento fundamental no jornalismo, a checagem. Por isso:

Revise tudo o que você viu. Na dúvida, não poste. Teve certeza? Olhe de novo.


Meus dois erros: não prestar atenção nome do blog e não checar no Google Search. O texto possuía citações tipicamente jornalísticas, de três linhas, e tinha um apelo semelhante ao processo que Daniela Cicarelli sobre o Youtube, que ameaçou fechar o sistema ano passado.

Foi então que a jornalista Rosa Pellegrino fez o alerta que me fez rever todos os dados relativos ao suposto processo de Xuxa Meneghel contra o twitter:

Hoax são correntes e boatos que enganam grandes públicos na internet.

Verifiquei no sistema de busca da Google. Folha de S.Paulo e nenhum dos veículos "oficiais" tinham a notícia. Foi então que, ao rever a matéria, eu notei a tarja vermelha que passou desapercebida:


Ficou marcada, novamente, uma lição básica: verificar. Na hora que reparei, muitas pessoas já tinham encarado meu tweet como uma mensagem verdadeira, seja por eu ser um jornalista, seja pelo twitter estar se tornando uma fonte de informações. Tive que me retratar sobre a informação.

Duas lições ficam nítidas: não é porque a informação vem rapidamente que ela não deve ser verificada, mesmo quando outras pessoas encaram como verdadeira. E, por último, ao cometer um erro, ao cometer realmente uma burrada, não hesite em se corrigir.

Muitos podem me recriminar, mas não podem dizer que eu não avisei. O incidente durou menos de 10 minutos, mesmo sendo uma falha enorme da minha parte. Por isso, continuem usando o twitter, mesmo com suas controvérsias.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Muito bom e arge... não! Uruguaio!!

Simples. É essa a descrição da comédia Gigante. O filme uruguaio, estreado no Brasil em 21 de agosto, conta a história de Jara, o vigia noturno de um supermercado que ocupa suas madrugadas de tédio olhando a faxineira Julia pela tela do computador. Com o passar do tempo, uma paixão vai surgindo e a moça passa a ser a dona da atenção de Jara 24 horas por dia.

O filme se diferencia das outras comédias românticas por tratar de temas do cotidiano humano com um humor delicado e sensível. A produção ganhou o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim. E há uruguaios dizendo que os argentinos querem se apropriar deste sucesso.

Adrián Biniez, o diretor, é nascido em Buenos Aires e vive em Montevidéu desde 2004. Ao descobrir que sua obra havia sido selecionada para a competição em Berlim, o mesmo se encarregou de dizer que se considera o representante da cinematografia uruguaia, que é mínima – com só 3 filmes ao ano – perto da argentina, que produz 60.

Alheio a isto, o produtor - uruguaio - do filme, Fernando Epstein, diz que sentia “uma boa vibração” do festival em relação a Gigante. Disse ele: “A boa vibração que havia em relação ao filme, em geral, era imensa; as pessoas o adoraram. Tivemos críticas muito boas”.

Festa Nacional do Tropeiro é cancelada por causa da gripe suína

Foto: Robson Siqueira/ Arquivo pessoal de 2008

Pela primeira vez em 29 anos, a Festa Nacional do Tropeiro, que acontece anualmente no último final de semana de agosto na pequena cidade de Silveiras (SP), foi cancelada. O motivo é a preocupação com o vírus H1N1, mais conhecido como gripe suína.

No inicio do mês, vereadores, representantes da prefeitura e cerca de 200 moradores se reuniram na Câmara Municipal para uma audiência pública a fim de debater se haveria ou não a festa, que já virou tradição no Vale do Paraíba. A decisão entusiasmou os moradores, que estavam preocupados com os cerca de 35 mil visitantes esperados para a ocasião.

Mas, como nem sempre é possível agradar a todos, um lado da história se sentiu prejudicado.Os comerciantes, que já tinham se preparado para a manifestação popular, contestaram o cancelamento. De acordo com diretor de eventos da cidade, Edson Motta, o município terá um prejuízo de R$ 500 mil.

A festa seria realizada neste final de semana, entre os dias 28 e 30 de agosto. Segundo a organização, não há previsão do evento ser feito em outra data ainda este ano.

OBS: Para evitar transtornos entre os menos informados, a prefeitura de Silveiras está veiculando um comunicado na TV Vanguarda, filiada da Globo na região, avisando sobre a decisão.

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