sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O dia em que o twitter deu lição de jornalismo

Ou, traduzindo, o dia que eu fiz burrada como jornalista.

Tudo começou com um humilde tweet (mensagem de 140 caracteres no twitter) que meu colega jornalista Diego Cabral Camara enviou, sendo devidamente divulgado em minha página. Era uma informação bastante polêmica envolvendo a apresentadora Xuxa Meneghel, alvo de várias discussões no twitter, seja por escrever em caixa alta ou por permitir sua própria filha que atualizasse sua conta. Não vou dissecar essas outras histórias. Vamos diretamente ao tweet:

Justifico: cliquei sim no link, especialmente por abordar um processo contra essa rede social que está em expansão no Brasil. Li a matéria. Muito bem escrita, ela acabou sendo aceita por mim em uma leitura rápida. Quando você lê alguma coisa apenas para repassar informação no twitter, nessa grande rede que é vítima do atual momento da internet, muitas vezes se fere um mandamento fundamental no jornalismo, a checagem. Por isso:

Revise tudo o que você viu. Na dúvida, não poste. Teve certeza? Olhe de novo.


Meus dois erros: não prestar atenção nome do blog e não checar no Google Search. O texto possuía citações tipicamente jornalísticas, de três linhas, e tinha um apelo semelhante ao processo que Daniela Cicarelli sobre o Youtube, que ameaçou fechar o sistema ano passado.

Foi então que a jornalista Rosa Pellegrino fez o alerta que me fez rever todos os dados relativos ao suposto processo de Xuxa Meneghel contra o twitter:

Hoax são correntes e boatos que enganam grandes públicos na internet.

Verifiquei no sistema de busca da Google. Folha de S.Paulo e nenhum dos veículos "oficiais" tinham a notícia. Foi então que, ao rever a matéria, eu notei a tarja vermelha que passou desapercebida:


Ficou marcada, novamente, uma lição básica: verificar. Na hora que reparei, muitas pessoas já tinham encarado meu tweet como uma mensagem verdadeira, seja por eu ser um jornalista, seja pelo twitter estar se tornando uma fonte de informações. Tive que me retratar sobre a informação.

Duas lições ficam nítidas: não é porque a informação vem rapidamente que ela não deve ser verificada, mesmo quando outras pessoas encaram como verdadeira. E, por último, ao cometer um erro, ao cometer realmente uma burrada, não hesite em se corrigir.

Muitos podem me recriminar, mas não podem dizer que eu não avisei. O incidente durou menos de 10 minutos, mesmo sendo uma falha enorme da minha parte. Por isso, continuem usando o twitter, mesmo com suas controvérsias.

3 comentários:

Fernanda Briones disse...

E não vai ser a primeira vez a cometermos um ato falho assim... o legal é, como você disse, saber se retratar depois.

Nadiesda Dimambro disse...

Errar todo mundo erra... a diferença está em o que vc faz com seu erro!
Se corrigir é bom, e é raro!

Diego Camara disse...

Sem dúvidas a pesquisa é necessária para evoluir enquanto profissional, principalmente hoje que com a internet qualquer ser ignóbil pode falar baboseiras por aí em nome de outras pessoas.

Mas neste caso o texto foi mais uma pegadinha... o dito blog criou o texto e publicou ele com uma mensagem no final dizendo para "não acreditar no conteúdo deste blog" ou algo parecido (não me lembro agora).

Ficou valendo no final o teste, e uma nota para aqueles que querem dar furos jornalísticos e fazer divulgação de coisas a qualquer custo! O que vale é sempre saber dosar e voltar atrás se cometer um erro.

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