quinta-feira, 6 de agosto de 2009

The Conduit: perfeição e decepção em dois extremos

A expectativa em torno de The Conduit foi grande desde o momento de seu anúncio, em outubro de 2008. Isso aconteceu por ser um dos poucos jogos de tiro em primeira pessoa (first person shooter, ou FPS) exclusivos para o Nintendo Wii e por ser o primeiro a usar o periférico Wii Speak online. Após seu lançamento, em 23 de junho, reviews começaram a figurar nos principais sites de crítica surpreendendo a todos, com notas e análises muito abaixo do esperado.

O jogo está longe de ser um fracasso total, mas justifica a decepção dos donos de Wii que esperavam uma nova obra-prima da Sega. The Conduit tem dois extremos: tecnicamente, beira a perfeição, mas seu desenvolvimento é o que fez com que as notas dos sites críticos fossem baixas.

A Sega explorou muito bem as capacidades gráficas do Wii e produziu um dos jogos mais bem detalhados do console. As texturas, apesar de repetitivas, não têm o visual poligonal que alguns jogos da nova geração têm, e a taxa de quadros não cai nem um pouco mesmo com a tela infestada de inimigos. Embora simples, os efeitos sonoros estão no mesmo patamar dos gráficos e contribuem com a atmosfera do jogo.

É nos controles, entretanto, que o jogo tem seu maior mérito. O sistema de controle do Wii permite que a experiência de FPS seja única em relação a dos outros consoles, já que o jogador tem controle absoluto do cursor. Em The Conduit, essa capacidade fica evidente. Com a sensibilidade do Wiimote ajustável e vários comandos de movimento, a ação no jogo é levada a outro nível.



O problema é que todo o trabalho em torno da parte técnica do jogo não tem para onde evoluir, já que The Conduit é curto, repetitivo, raso e cheio de clichês. Tratar de uma invasão alienígena na capital norte-americana com o envolvimento de uma organização secreta do governo em fases nas quais o objetivo é avançar até o próximo ponto eliminando todos os inimigos no caminho resume o que vai acontecer nas curtas nove missões do jogo. Em termos de ação, The Conduit dá conta do recado, mas não traz nada além do básico "atirar-avançar". Na verdade, há alguns poucos extras secretos para serem encontrados durante o jogo, mas nada que altere o andamento ou a experiência, apenas caprichos para quem gosta de completar os 100% do modo campanha.

O modo multiplayer online segue os mesmos parâmetros do modo para um jogador – oferece ação e perfeição com os controles, mas poucas opções e monotonia, embora contemple espaço para até 12 jogadores simultâneos. A começar pelas frequentes falhas na conexão com o servidor e na demora para encontrar jogadores. Os mapas são mal construídos e não oferecem nenhuma margem para planejamentos estratégicos, fazendo com que os confrontos sejam decididos mais pela sorte de encontrar um inimigo desprevinido que pela habilidade. Em alguns deles, se um dos times dominar certa área, é praticamente impossível de virar o jogo. Por fim, o Wii Speak, pode ser usado somente com em jogos com seus amigos (através dos Friend Codes) e não representou uma grande novidade. O interesse pelo multiplayer se esvai após algumas poucas partidas.

A Sega mostrou com The Conduit que, mesmo estando fora do mercado dos hardwares desde o fim do Dreamcast, ainda acerta a mão nos jogos. Explorou a parte técnica, mas faltou trabalhar em questões que não dizem respeito à tecnologia, como o enredo, a inclusão de puzzles e objetivos mais específicos nas missões. Também deram uma melhora no design territorial dos mapas multiplayer para oferecer uma experiência mais rica e duradoura nesse modo, que é o grande atrativo dos novos consoles.

2 comentários:

Pedro Zambarda disse...

João, parabéns pelo equilíbrio e os diversos argumentos envolvidos no review :]

Tá muito bom mesmo.

Thiago Dias disse...

Essa geração marcou o quebra definitiva dos FPSs como eles costumavam ser. Hj em dia um bom jogo precisa algo alem do que mtos inimigos, armas e a necessidade de sair atirando por ai. Killzone 2, Halo e Gear of War 2 conseguiram isso. Infelizmente, parece que The Conduit não.

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