quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Aniversário do poeta e crítico sujo

Fez 79 anos hoje o escritor maranhense José Ribamar Ferreira. O pseudônimo famoso veio da junção dos sobrenomes de seu pai, Ferreira, e de sua mãe, Goulart (que se pronuncia da maneira diferente).

Gullar é um dos mais influentes intelectuais no Brasil. Dono de uma poesia intimista, que apela para metáforas físicas e sexuais, muitas vezes, o autor também é crítico literário e de artes plásticas. Entre suas obras consagradas está O jogo corporal e João Boa-Morte, cabra marcado para morrer, poesia em cordel, ambas da primeira fase de sua obra, quando fazia uma arte engajada com os ideais da esquerda brasileira e alinhada com o movimento de poesia concreta dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. Poema Sujo e Muitas Vozes são obras suas de uma fase de prolongadas desilusões, entre as décadas de 1970 e 1990, especialmente pela perda do filho caçula Marcos devido a sua esquizofrenia.

Em seu tempo livre, costuma fazer réplicas de quadros. A expressão facial desgastada pela idade do maranhense de São Luís sucumbe diante de sua risada igualmente marcante. Escreve colunas no caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo, aos domingos.

O fim de uma carreira

Dizem que não existe esporte mais cruel que a Fórmula 1. As pressões são insuportáveis, crescendo de forma proporcional à injeção de dinheiro. E, falando de F1, é realmente muito dinheiro. São poucos os que suportam uma longa vida nesse esporte. Quando conseguem, jamais o fazem sem passar por conflitos, suspeitas e escândalos. Diante de tantos pilotos que sucumbem, Nelson Ângelo Piquet acaba de ganhar seu lugar na história.: da forma mais triste possível.

A FIA divulgou nesta quinta-feira o depoimento que Nelsinho deu à instituição no fim de julho, detalhando o plano elaborado por Flávio Briatore e Pat Symonds para que ele batesse na volta 13 do GP de Cingapura em 2008, favorecendo o companheiro Fernando Alonso. O espanhol venceu aquela corrida, e, no fim do ano, Nelsinho teve seu contrato renovado. A bomba havia sido plantada por Reginaldo Leme durante a transmissão do GP da Bélgica, e agitou o mundo da F1.

Segundo investigações posteriores da revista Autosport, foi o pai de Nelsinho, Nelson Piquet, quem repassou a informação para Reginaldo. Foi ele também quem abordou o presidente da FIA, Max Mosley, relatando todo o episódio. Foi a partir daí que a FIA iniciou uma investigação que durou dois meses, colhendo depoimentos de vários pilotos, mecânicos e dirigentes. Resumo da história: Briatore perdeu a paciência com a falta de pontos de Nelsinho e o demitiu. Em uma vendetta pessoal, os Piquets resolveram jogar a merda no ventilador.

A única desculpa que Piquet Jr usa nas quatro páginas de depoimento se restringe a apenas duas linhas: “eu estava em momento emocional e mental frágil.(...)Resolvi aceitar porque pensei que melhoraria meu momento na equipe(...)”. Alguns mais complacentes enxergaram uma honestidade categórica no depoimento do (ex?)piloto. No país que vivemos, isso já é motivo para perdoar. Em um esquema arquitetado pelo pai, provavelmente Nelsinho não será punido. Delação premiada é o nome da coisa. Alonso também se safará, sendo poupado pelo brasileiro no depoimento, pois aparentemente não sabia mesmo de nada.

A F1 é, com muitos elogios, suja. A grande maioria das pessoas que estão lá não vale muito. É um efeito colateral das montanhas de dinheiro. No entanto, esse papel sempre ficou restrito aos dirigentes, aos chamados falcões que brigavam com armas muito acima do que os pilotos poderiam fazer, sendo verdadeiras guerras com espiões e tudo que se tem direito. Nelsinho Piquet acaba de entrar na história como um piloto que sucumbiu da pior forma possível a todas as pressões. Um jovem que sempre teve tudo se viu perdido quando foi pressionado ,e teve seu caráter testado. Mostrou-se uma sombra melancólica do grande piloto que o pai foi.

A FIA não irá puni-lo e legalmente ainda poderá correr. No entanto, sua carreira estará enterrada. O esporte acabou para ele. Amigos na categoria já se dizem decepcionados e chocados. Seria uma pena ver tudo isso, se não sentíssemos um justo sentimento de “bem-feito” em relação a um homem que manchou um dos maiores sobrenomes do automobilismo. Resta a esperança de que usará sua longa vida para repensar tudo e, talvez, se arrepender e fazer algo que preste para o esporte que maculou.

Pequenas considerações sobre a educação no Brasil

Há tempos discute-se sobre a educação pública no Brasil: melhorias, pontos fracos e soluções. É claro que ela não é modelo para nenhum país – visto que ocupa a 76ª posição entre as 129 nações avaliadas pela Unesco no que se refere à situação da educação básica. Mas, antes de investir nela, é preciso trabalhar a mentalidade daqueles que serão o futuro deste país.

Não adianta comprar os tijolos, o cimento e começar a construir, sem antes criar uma planta e fazer o alicerce da casa. Na educação, o fundamental é a colaboração e empenho do estudante. Se ele não tem consciência de suas responsabilidades, a escola cai! Eu sempre estudei em instituições do governo e, desde pequena, percebi que não adianta ter a melhor escola e os professores mais capacitados. É preciso gostar de estudar.

Essa mentalidade ficou mais evidente no ensino fundamental, quando estava entrando na adolescência. Minhas amigas só sabiam fofocar sobre os gatinhos e, os meninos, jogar futebol e tacar papel nos professores. Tínhamos o cimento e os tijolos nas mãos, mas, como para muitos faltava a planta com o alicerce, não existia pedreiro que fizesse a obra render.

Sempre fui CDF. Gostava de aprender e compartilhar conhecimentos. Mas isso só se tornou uma vantagem quando consegui uma bolsa no Prouni (Programa Universidade para Todos) e ingressei numa instituição de ensino superior privada. Até então, sofria o preconceito dos meus amigos que me consideravam careta e sem graça. Para os meninos, eu não passava de uma garotinha sem jeito que adorava devorar os livros, ao invés de fazer isso com eles. Pobre mentalidade!

O ensino fundamental acabou e veio o médio – a última etapa da educação básica. Minha escola era considerada a melhor da região em infraestrutura e conteúdo, mas quanto aos alunos... Era uns 1,2 mil estudantes nos três períodos, sendo que destes dava para contar no dedo aqueles que realmente queriam aprender alguma coisa.

Se na pré-adolescência o foco era admirar os gatinhos para as meninas; e zoar os professores para os meninos; nessa fase a moda era usar drogas e promover orgias. A farra era tanta que três amigas ficaram grávidas com 16 anos, sem contar dois colegas presos por tráfico de entorpecentes. Ir a escola era só uma desculpa para sair de casa e colocar o papo em dia – visto que grande parte dos pais desses amigos colocavam-os de castigo depois do horário das aulas para ver se eles criavam juízo.

Enquanto eles discutiam futilidades, eu e alguns raros gatos pingados discutíamos fórmulas, teorias e ideias. Resultado: o Ensino Médio acabou com 17, dos 50 alunos que começaram a caminhada, e eu e mais alguns esforçados colegas ingressamos no Ensino Superior. E os outros? Bem, os outros estão colhendo os frutos que plantaram na adolescência. Quiseram aproveitar demais e se esqueceram que a Educação Básica é apenas o primeiro passo nessa longa caminhada que é a vida.

A culpa é da escola? Não, porque se fosse, eu, que tive a mesma educação, não estaria onde estou hoje – cursando o 3 ano de Jornalismo, na melhor faculdade da área da minha região, tendo os meus estudos pagos pelo governo e ainda trabalhando numa das maiores empresas de comunicação do Vale do Paraíba. A diferença é que eu levei a sério a escola e, além disso, busquei conhecimento em casa, além do que me era cobrado. Posso até ter perdido minha adolescência em alguns aspectos, mas agora já estou prestes a concluir a lage da minha casa, enquanto a maioria nem começou a levantar as paredes.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Quem quer ser um rockstar?!

No dia do ano (09/09/09) é lançado o jogo mais esperado: The Beatles RockBand


Na onda trazida por Guitar Hero, em 2005, o semelhante RockBand (que começou em 2007) nos dá a possibilidade agora de não só tocar - em guitarras, bateria e baixo super estilosos - e cantar músicas inesquecíveis, mas também fazer parte de uma das maiores (se não A maior) bandas que já existiram: The Beatles.

A digitalização - outra forma de eternizar os meninos - dos Beatles está muito bem feita e o visual dos integrantes vai mudando, desde os terninhos do começo, aos trajes 'paquitos' e psicodélicos para finalizar com os looks hippies e cabeludos. Os cenários são 6: Cavern Club, Shea Stadium, Abbey Road Studio, The Ed Sullivan Theater (imagem abaixo), Budokan e Apple Corps Rooftop (a última apresentação ao vivo).


Os controles são réplicas dos instrumentos usados pela banda: O baixo Höfner modelo 500/1 de Paul McCartney; a bateria é inspirada no modelo Ludwig de Ringo Starr; a guitarra Rickembacker 325 de John Lennon; e a Gretsch 6128 "Duo Jet" de George Harrison. As músicas são 45 e vão desde 1963 até 1970 (e uma de 2006), com clássicos como Twist and Shout, Sargent Pepper Lonely Heart's Club Band, Don't Let Me Down, Something, I Want To Hold Your Hand, A Hard Day's Night, Ticket to Ride, e Yellow Submarine.


Sobre Guitar Hero e RockBand

Você pode acordar um dia e resolver ser um Kiss, ou então, se preferir algo mais suave, cantar na melodia de Hotel California. Enfim, você pode viajar pela história da música, principalmente do rock, com a série Guitar Hero (I, II, III - Legends of Rock, GH 5, World Tour, Metallica, Smash Hits, On Tour, On Tour: Decades, Aerosmith, Encore: Rocks the 80s, Dj Hero, e Band Hero) ou RockBand (1, 2, AC/DC Live, Track Pack Volume 1, Track PAck Volume 2, Track Pack Classic Rock, LEGO, Country Track Pack, Unplugged, e claro, o The Beatles). Os jogos são compatíveis - principalmente - com os consoles Xbox 360, Nintendo Wii e PlayStation 3, mas alguns podem ser jogados também no PlayStation 2, no PSP (PlayStation Portable) e no Nintendo DS. O RockBand Unplugged, por exemplo, só serve para o PSP.

As semelhanças entre as duas têm um porquê: a Harmonix Music Systems está envolvida no desenvolvimentos dos dois conjuntos de jogos. O Guitar Hero foi feito em parceria com a RedOctane, de onde saiu o GH I, II, e o Encore: Rocks the 80s. Em 2007 a MTV Games comprou a Harmonix, e a RedOctane foi comprada pela Activision - que levou o GH. Logo, foi desenvolvido um novo jogo. A grande jogada (haha, pegaram?) da Harmonix-MTV foi superar o jogo anterior, que só permitia o controle da guitarra, incluindo jogos com uso de guitarra, baixo, bateria e voz - técnica que o GH acatou depois.

Para jogar basta seguir a tela e pressionar os botões juntamente com ela, como aquele jogo de dança, no qual você pisa ao mesmo tempo que a seta chega no alto.


Nos EUA, o jogo custa U$60. A caixa com o jogo, bateria e contrabaixo sai por U$250, e a versão com o jogo, guitarra genérica e microfone sai por U$160. As guitarras estão disponíveis separadamente por U$100 cada.

O jogo chega ao Brasil no dia 25 deste mês. O preço deve ser aproximadamente R$ 269.

Fontes:

Pequeno Dicionário Estiloso

Porque a vida é complicada, mas a moda não precisa ser

Por Roxane Teixeira

Depois de um longo e não tão tenebroso inverno, eu volto ao espaço do Bola para decifrar os pormenores do dress-code, e trazer as últimas tendências do mundo fashion. E para começar, escolhi minha pedida favorita da estação – o jeans boyfriend.

Ao pé da letra, ele seria a “calça do namorado”, com modelagem masculina, cós mais largo e pernas soltas. As lavagens aparecem surradas, e detalhes como tachas e pespontos de barbante são comuns. O jeans é mais básico, encorpado, bem confortável, e mais do que um passeio pelo guarda-roupa dos homens: é um retorno às origens do denim.

O famoso blue jeans, vale lembrar, surgiu como uma roupa exclusivamente masculina, espécie de uniforme utilizado por mineiros americanos do século XIX. Uma invenção de Levi Strauss (o industrial, não o antropólogo), que começou como forma de desentulhar seu estoque de lonas e aos poucos foi adaptada para um tecido mais macio.

Lá pelos anos 30, o jeans se consagrou como o visual dos cowboys, ainda muito limitado a uma imagem... Máscula. A guinada só se deu 20 anos depois, quando Marilyn Monroe apareceu em O Rio das Almas Perdidas (1954) com um modelo índigo bem justo ao corpo, e trouxe sensualidade à peça.

De lá pra cá o jeans é, cada vez mais, sinônimo de moda, encarnando diversas modelagens: cintura alta, saint-tropez, carrot (com formato parecido com uma cenoura), clochard (bem larga e arrematada com um cinto), baggy (uh! Você se lembra do visual poperô?), e skinny, rainha dos últimos tempos. Realeza que pode perder a coroa.

Nos Estados Unidos e na Europa, o jeans boyfriend já é primeiríssimo no voto popular. Não marca as gordurinhas, disfarça o culote e não aperta a barriga. Para não ficar parecida demais com o namorado, a sugestão é trocar o tênis por saltos ou sapatilhas coloridas. Blusas mais ajustadas ao corpo e de tecidos fluidos também efeminam o visual. Agora, se quiser encarar um estilo total andrógino, por que não atacar com sapatos Oxford, outra vedete da estação?

Aqui no Brasil ainda não é certeza se a moda vai pegar. Marcas mais descoladas – e caras – têm investido no modelo, mas os grandes magazines ainda dão prioridade às skinnies, deixando o boyfriend numa fase de testes... Uma boa idéia é comprar no setor masculino - em geral, a numeração é correspondente.

Na hora de compor o visual, um bom jeito de usar é dobrando a barra – encolhe a nossa altura um pouco, mas nada que um saltinho médio não resolva. E para quem procura tendência, as lavagens destruídas são as mais recorrentes na passarela.

Look pronto, eu vou ficando por aqui. Espero que você encontre um boyfriend pra chamar de seu – é paixão garantida.

Dúvidas, críticas, sugestões? O que você quer ver na coluna?
Escreva para o Bola!

Jeans boyfriend da foto: DKNY. Imagem retirada do Google Imagens.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cobertura via twitter do Intercom 2009

Diretamente de Curitiba, capital paranaense, Pedro Zambarda de Araújo fará uma cobertura completa do Congresso Nacional de Comunicação Intercom 2009 na Universidade Positivo, que começará hoje às 19hs com a palestra do sociólogo francês Dominique Wolton sobre Comunicação, Educação e Cultura na Era Digital.

As palestras serão descritas resumidamente no twitter do Bola da Foca. Matérias completas serão feitas após o fim do congresso, dia 7 de setembro, feriado de Independência do Brasil.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Qual o verdadeiro peso de uma universidade pública?

No Brasil, o segundo semestre é marcado pelos maiores vestibulares do país, resultando em aulas extras e correria nos cursinhos pré-vestibulares. Também não é nenhuma novidade que os professores incentivam os estudantes sempre com o intuito de vê-los sendo aprovados em uma universidade pública, seja pela crença de que as mesmas sejam melhores que as particulares ou pela propaganda criada com as aprovações. A realidade, porém, às vezes se encontra muito distante do sonho da boa educação gratuita, principalmente nos cursos de Comunicação Social.

A Universidade Estadual de Londrina, a qual eu frequento, não foge disso. O CECA (Centro de Educação, Comunicação e Artes) sofre por falta de equipamentos, salas adequadas e, infelizmente, professores. Contratações tardias e concursos públicos que nem sempre selecionam os mais bem preparados são problemas que aparecem com frequência no dia-a-dia dos estudantes, que perdem aulas por falta de professores. Em algumas matérias, os alunos são obrigados a se dirigir a outros centros por falta de salas.

O descaso com os cursos de Comunicação Social, porém, não se restringe ao Paraná. A Universidade Estadual Paulista, por exemplo, abriga o curso de Jornalismo na cidade de Bauru, interior do estado, que é o maior campus da universitário do local. Infelizmente, o departamento não conta com computadores sequer razoáveis e a carência de professores é ainda maior, o que causa revolta no estudantes que se prendem a greves constantes como tentativa de resolver o problema.

Deixar na mãos dos estudantes e Centros Acadêmicos a responsabilidade de buscar melhorias em seus cursos é uma realidade no mínimo irônica. Após enfrentar a concorrência elevada, provas de assuntos que nada inteferem no desenvolvimento acadêmico da comunicação em si e gastos muitas vezes maiores do que a mensalidade de uma Universidade particular, ainda é necessário brigar por uma formação de qualidade? Teoricamente, essa obrigação não estaria nas mãos do Ministério da Educação agora? Será que já não basta o não reconhecimento do nosso diploma? O revoltante aqui é a diferença de tratamento entre os cursos, principalmente se compararmos com os mais tradicionais, como Direito e Medicina, que contam com maior parcela de rescursos e atenção das reitorias responsáveis.

Assim, fica difícil encontrar o verdadeiro peso e valor a ser pago por uma formação acadêmica satisfatória, que divide e afasta ainda mais a educação pública e particular, causando um claro déficit na qualidade dos profissionais da área.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Fabrica dos Sonhos compra a Fabrica de Idéias

4 bilhões para não mudar (quase) nada?

E a Disney comprou a Marvel. A bomba explodiu ontem, no começo da manhã, praticamente madrugada na costa oeste americana. Foi suficiente para que o mundo do entretenimento ficasse perdido. Afinal, o que teria acontecido nos últimos meses de forma tão sigilosa? Sem nenhum boato ter vazado? E o que vai acontecer com Fabrica de Idéias agora que está nas mãos do maior conglomerado de mídia do mundo? Duas perguntas tão pertinentes que foram a síntese da blogosfera e do twitter no dia de ontem.

O que mais espantou na nova aquisição não foi apenas a forma surpreendente que ela ocorreu, mas os valores envolvidos. A Disney pagou 4 bilhões de dólares para ter controle total da Marvel e suas ramificações. Ou seja, entra ai no pacote a Marvel Studios - responsável pelos filmes próprios – e a Marvel Publishing, que nada mais é que a editora de quadrinhos da empresa. De uma forma um pouco simplista, a coisa fica assim: Issac Pelmuter, presidente da Marvel, agora responde à Bob Iger e ao senhor Steve Jobs, chefes da Disney (embora o segundo não de forma oficial).

Outra coisa que chama atenção é o tamanho das empresas envolvidas. Quando a Disney comprou a Pixar, no início da década, o estúdio de animação era um prodígio em ascensão, responsável pelos melhores filmes animados da época, mas pequena quando falávamos em termos empresariais. Em uma jogada de gênio de Steve Jobs, a Disney adquiriu a Pixar, até então sob as mãos de Jobs e de John Lasseter, mas logo em seguida teve boa parte de suas ações adquiridas pelo próprio Jobs. Resultado disso: a Pixar se tornou o braço mais independente da Disney, com total liberdade criativa, e John Lasseter se tornou o diretor de criação da casa do Mickey. Este molde pode ser um bom exemplo do que poderá ocorrer com a Marvel.

Desde a década de 80 a Marvel surra anualmente a DC quando o assunto é venda de quadrinhos. Com exceção de grandes eventos, como as infinitas Crises no mundo da DC, a Marvel sempre vendeu mais. Pertencente a Time Warner, a DC nunca se preocupou muito com isso. Mas a Marvel deu um salto gigantesco nos últimos 3 anos graças ao cinema. Depois fechar acordos com diversos estúdios para licencias seus personagens nas telonas, a Marvel resolveu abrir seu próprio estúdio, e daí saiu o sucesso de Homem de Ferro e o bem recebido Incrível Hulk. Ainda estão por vir Homem de Ferro 2, Thor e Capitão América. Uma mina de ouro feita com a competência de quem criou estes personagens.

No entanto, apesar de seu sucesso, a Marvel Studios ainda encontrava problemas para financiar seus filmes. As gravações de Homem de Ferro 2 só ocorreram depois de muita negociação de custos. Os atrasos de Thor e Capitão América também estavam ligados a isso. Por fim, analisando este “viés cinematográfico” da história, não é muito difícil de imaginar o que cada parte queria. Com a maior parte dos próximos projetos definidos, difícil imaginar que a Disney irá mudar muito estes filmes, além de injetar mais dinheiro e publicidade. Se antes havia alguma dúvida que veríamos Os Vingadores juntos no cinema, com direitos a astros interpretando os heróis, duvido que exista alguma a partir de agora.

E quanto aos quadrinhos, o que é o que a Marvel realmente sabe fazer? Veremos o Dr.Fantástico participando do próximo Fantasia? Piadas a parte, a coisa deve mudar muito pouco, embora uma ou outra mudança de curso possa ser esperada. Tenho um forte pressentimento de que nada na estrutura hierárquica da Marvel se alterará e, assim sendo, Joe Quesada continuará sendo o editor-chefe a Marvel Publishing. Por mais que Quesada seja odiavel em alguns pontos, não se pode negar que o cara entende do mercado de quadrinhos e suas histórias vendem como água para os padrões atuais. No entanto sua filosofia pode esbarrar com o padrão Disney.

Tudo na Disney é certinho. Embora seus produtos televisivos e musicais atualmente sejam de qualidade questionável. Agora, quando o assunto são quadrinhos e filmes de personagens, a história é outra. Quesada faz tudo para vender, até apagar sagas inteiras e jogar no lixo anos de edições. Há de se imaginar que alguns atritos podem ocorrer na definição da linha editorial da empresa daqui para frente, mas se algo mudar, acredito que será para melhor. Estava na hora de alguém colocar Quesada na coleira.

Bom, mas tudo são apenas conjunturas. Hoje pela manhã Stan Lee aprovou a compra. Ontem, pelo Twitter, Joe Quesada disse que espera um espelho da relação Pixar/Disney. Enfim, nada de muito ruim irá acontecer com a Fábrica de Idéias daqui para frente, como alguns teóricos e anti-conglomerados disseram pela internet. Obviamente não são todas as relações da Disney com seus empregados que sempre deram certo, mas levando-se em conta o perfil de ambas as empresas, dá pra apostar muito mais em algo bom para ambos do que o Mickey arrancando a cabeça do Homem-Aranha.

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