quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sérgio Dias conversa com fãs no CCJ Ruth Cardoso

"Mutante" esclarece por que não lançará o novo álbum da banda no Brasil

Neste mês do rock, o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (zona norte de São Paulo) recebeu, no último sábado (dia 18), o guitarrista dos Mutantes Sérgio Dias. Por quase duas horas, ele falou sobre o passado e o presente do conjunto, além de classificar a divulgação na internet de material da banda sem autorização como "um tiro no pé".

Fãs de diversos lugares compunham a plateia. Desde o bairro da Pompeia (zona oeste de São Paulo), que é bairro natal de Sérgio Dias, até São José dos Campos (interior do estado), os admiradores dos Mutantes levaram discos de vinil para serem autografados pelo músico.

Dias relembrou a influência familiar no processo de composição do grupo. "Meu pai tinha uma livraria imensa. Quando fiz 13 anos, ele me deu Os Lusíadas. Eu li o negócio e não entendi merda nenhuma, mas alguma coisa entra. O lado cultural da gente era muito forte. A gente vivia no Teatro Municipal assistindo à minha mãe, às óperas. Minha casa sempre foi um centro de cultura."

Uma pessoa da plateia perguntou sobre o efeito das drogas na carreira do conjunto. O guitarrista declarou ter feito uso do ácido lisérgico (LSD) em apenas um álbum. "O único disco feito à base de drogas foi O A e o Z (gravado em 1973 e lançado em 1992). Todos os discos que são reverenciados e do qual eu acredito que sejam os mais criativos foram completamente caretas. Quando a gente tomou os ácidos, aconteceu uma coisa muito séria. Tem músicas do O A e o Z que foram compostas na hora, com três letras separadas ao mesmo tempo e cada um cantando a sua letra, o que para nós era 'mágico' ou 'impossível'."

Junto do baterista Dinho Leme, Sérgio Dias é o único remanescente da formação original do grupo, formado no final dos anos 60. Trinta e cinco anos depois de Tudo Foi Feito Pelo Sol (1974), o último álbum de inéditas, os Mutantes lançarão Haih, no dia 8 de setembro, com novos integrantes. Dias comentou a semelhança do novo trabalho com o auge da carreira. "Uma coisa eu te garanto: é Mutantes. Agora, é Mutantes do século XXI. É Mutantes comigo com 58 anos de idade. É Mutantes com garotos de 22 anos tocando."

Um parceiro na nova fase dos Mutantes é Tom Zé, que já colaborou com o conjunto 40 anos atrás. Sérgio Dias não esconde sua admiração pelo compositor. "Quando conheci o Tom Zé, eu tinha 16 anos. Não conseguia nem conversar com ele. O Tom Zé sempre foi um mestre, um gênio. Eu fui entender letras dele 20 anos depois. Quando a gente se encontrou no show [do aniversário da cidade de São Paulo, em 25 de janeiro de 2007] do [Museu do] Ipiranga, eu disse: 'Eu quero fazer música nova'. E ele disse: 'Vamos nessa!'".

Sérgio Dias elucidou os motivos pelos quais não assistiu ao documentário Loki – Arnaldo Baptista, sobre seu irmão e ex-parceiro dos Mutantes, ainda com as sequelas da queda do quarto andar de um hospital psiquiátrico, em 1982. "É muito dolorido para mim. Não aguento mais ver meu irmão se desenvolvendo ou coisa do gênero. Isso para mim beira o masoquismo. Prefiro guardar os momentos bons [com o Arnaldo] do que ficar vendo o depoimento da minha mãe, o meu depoimento. É chato".

O "mutante" criticou a atitude de muitos fãs que publicam conteúdo de artistas na internet sem autorização. "Imaginem uma banda nova que vocês admirem. Você diz: 'Puxa, essa banda é demais, é genial, vou colocar no YouTube, na internet.' Como é que o cara vai fazer o segundo disco? A ideia da 'democratização' da música é muito bonita, mas, ao mesmo tempo, é um tiro no pé, porque é o trabalho dele".

Para o guitarrista, grandes artistas saem do Brasil por conta da exposição indevida de seus trabalhos na rede. "Onde está todo o manancial da música brasileira, que está viva e desaparecida? Onde está Milton Nascimento, Edu Lobo, essas pessoas que são tão sérias e importantes? Cadê esses caras? Eles são a essência disso tudo. É uma pena ver esse tipo de talento ter que ir embora do Brasil, que, no fim das contas, é isso que acontece. Essa é a questão maior que vocês estão vivendo: se vocês querem ter a música popular brasileira aqui ou fora do país, o que é um negócio muito chato."

Haih será lançado mundialmente no dia 8 de setembro, exceto no Brasil. O "mutante" se justifica: "Quando fui falar com os diretores da Sony, os caras já não acreditaram. 'Bixo', eu conheço a indústria [fonográfica] brasileira. O negócio que não tem sucesso cai por terra. Imagina se ninguém pagasse ônibus, não teria ônibus. Estamos vivendo um momento extremamente sério. Como é que isso vai ser resolvido? Por que os Mutantes não estão lançando o disco no Brasil? É uma questão de debate para vocês".

6 comentários:

Pedro Zambarda disse...

Não concordo com a visão dele de internet, mas concordo com o fato do público brasileiro ser zoado.

Não é o pior do mundo, mas poderia se apropriar melhor de sua cultura. Tem coisa boa que não recebe atenção aqui.

Danton K disse...

francamente, serginho calado é um poeta! graças a internet, qualquer poessoa em qualquer lugar do mundo pode ouvir mutantes, legal ou ilegalmente, sem depender da boa vontade quase inexistente dos meios de comunicação tradicionais. e tenho dito.

Pedro Zambarda disse...

O comentário acima complementa meu comentário.

Anônimo disse...

Deveria ficar de boca fechada mesmo. Se ele quer falar de arte, então falemos... cadê as várias músicas inédias que ele guarda no c* dele? Pq ele não libera essa porr* logo.... quer encher o rabo de dinheiro! isso sim

mmjiaxin disse...

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