segunda-feira, 27 de julho de 2009

Um Século de Grenal


No linguajar futebolístico, um "derby" é quando duas equipes rivais de uma mesma cidade se enfrentam. Enquanto no Brasil, o nome mais usado para esse tipo de confronto é "clássico", no exterior esse termo caracteriza um confronto entre duas equipes arquirrivais de cidades diferentes, como no caso de Real Madrid e Barcelona. No Brasil cada cidade grande tem o seu, mas há de convir que não há rivalidade maior que a de Grêmio e Internacional, que completou neste mês um século de história.

Em um século de existência, foram 376 confrontos, com 141 vitórias coloradas, 118 gremistas e 117 empates. Ambos são campeões nacionais (o Inter tem três nacionais e uma Copa do Brasil enquanto o Grêmio tem dois nacionais e quatro copas), da Libertadores e até um Mundial Interclubes pra cada lado. O primeiro confronto ocorreu no extinto Estádio da Baixada em Porto Alegre no dia 18 de julho de 1909, com o placar apontando uma goleada de 10 a zero do Grêmio em cima do Internacional.

Ambos não figuram entre as maiores torcidas do país e estão longe demais das capitais. Por que é a maior rivalidade do país? Há uma série de fatores. Uns apontam o equilíbrio e a intensidade da disputa dentro e fora do campo, embora isso faça parte do confronto entre rivais em vários lugares. O diferencial pode estar no fato do clássico dividir severamente ao meio o Rio Grande do Sul, já que em outros lugares há mais de dois times grandes e tradicionais. Apesar de alguns estados terem dois times grandes rivais como no Rio Grande do Sul, muitos de seus habitantes preferem torcer pra times de outras regiões, coisa rara na terra do gre-nal.

Um sempre leva a vantagem no outro em algum quesito. Se um tem, o outro se mobiliza e corre atrás pra conquistar também. Não importa se é uma taça ou até mesmo um projeto de modernização de seus estádios, visando a copa de 2014. No Sul, ou você está de um lado ou de outro e isso se aprende desde cedo, ou, como diz o colorado Luís Fernando Veríssimo, a escolha acontece no exato momento em que você pisa no aeroporto.

Essa dicotomia tão radical foi capaz até mesmo de mudar atitudes de empresas patrocinadoras. Basta ter como exemplo uma marca de refrigerantes que teve de mudar a placa de publicidade no Olímpico só por ter as cores do Inter. Houve casos em que o patrocinador - principalmente se tiver sede em Porto Alegre - teve de ser o mesmo para os dois times, pra evitar perda de clientes e consumidores. Outro exemplo que ilustra bem o teor da rivalidade são os documentários. O Grêmio produziu um contando a saga da "Batalha dos Aflitos", quando o time voltou à primeira divisão e em resposta, o Inter fez outro documentário tendo como tema a conquista do Mundial de Clubes no Japão.

Uma típica rivalidade tem em seus ingredientes disputa acirrada: revanchismo eterno, provocações e relações de amor e ódio. No caso gre-nal, as coisas são mais profundas e dificilmente um jogador que teve identificação com um lado terá com o outro. Os que chegam aos clubes imediatamente são tomados pela rivalidade. É justamente essa intensidade capaz de derrubar imparcialidades que faz a diferença. Quando se fala em grenal, a coisa tende a passar dos limites.

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