quarta-feira, 30 de julho de 2014

Os 42 demitidos do Metrô

Por Mídia NINJA
Creative Commons

Os vagões seguem carregando 4,6 milhões de pessoas todos os dias em São Paulo. Mas para esses 42 trabalhadores demitidos a greve histórica do metrô não acabou.

Diego Guimarães Pereira, Camila Ribeiro Duarte Lisboa, Ricardo Senese, Celina Mara Araújo Maranhão e Alex Alcazar Fernandes 
Está nos olhos de cada um dos retratados a coragem necessária de parar São Paulo há alguns dias da estreia da Copa do Mundo. Nesta cidade de 20 milhões de habitantes, o enorme déficit no transporte público e um clima de insegurança - orquestrado por uma campanha apocalíptica da grande mídia - foram os elementos que possibilitaram uma das mais importantes greves do ano no país.

Em terra de maquinista grevista é rei

O sangue frio, o jogo de xadrez, as táticas e estratégias para protagonizar mudanças trabalhistas em um ambiente dominado por ganância. A demissão sumária dos 42 grevistas foi a última cartada do governo, de um estado dito democrático mas que permite a criminalização e o esmagamento das lutas sociais.

Foram demitidos com base nos artigos 260 a 262 do Código Penal, que trata do impedimento ao funcionamento de transporte público e de estradas de ferro, e 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que prevê justa causa por "incontinência de conduta ou mau procedimento".

Conquistas, vitórias. Demissões à parte

A empresa que comanda o Metrô não conseguiu comprovar nenhuma das acusações contra os metroviários e chegou ao absurdo de emitir uma segunda justificativa das demissões, numa tentativa de corrigir o erro cometido.

Uma campanha nacional de luta pela readmissão foi proposta pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que teve como deliberações o uso do adesivo da campanha pela readmissão, a suspensão das horas extras, um abaixo-assinado, a realização de ato-show e atos públicos pela readmissão. Entre as iniciativas está também uma ação na Justiça, cujo documento foi protocolado na última quinta-feira (16).

A primeira vitória da campanha foi a reincorporação de dois trabalhadores demitidos "por engano", o que mostra, segundo o informativo do Sindicato, que é possível reverter as outras demissões.

A multa milionária solicitada pelo Ministério Público Estadual (MPE) aos metroviários de São Paulo no valor de R$ 354,4 milhões foi rejeitada pela Justiça. Na decisão foi avaliado que a Justiça Comum não pode analisar a ação que julga o direito de greve da categoria.

Nós somos metroviários

“Nossa luta não é só pela readmissão dos metroviários. É também pela readmissão dos trabalhadores do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], pela libertação dos presos políticos e contra a repressão imposta aos movimentos sociais”, disse o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino Prazeres.

A luta dos metroviários é contra os ataques ao direito de liberdade de manifestação e de organização, em defesa do direito de greve e em defesa do transporte público de qualidade.

Nenhum comentário:

Posts mais lidos