terça-feira, 14 de outubro de 2008

Mais um francês leva o Nobel de Literatura

Foi anunciado na quinta, dia 9 de outubro o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2008. O agraciado este ano é o francês JMG Le Clézio, 68 anos, autor de mais de cinqüenta livros, em sua maioria romances. A Academia Sueca, responsável pelo prêmio, declarou que Le Clézio é um “explorador de uma humanidade além e abaixo da civilização reinante”. Ele receberá um cheque no valor de um milhão de euros em uma cerimônia em Stocolmo no dia 10 de dezembro.

Nascido em Nice, sul da França, em 1940, Jean-Marie Gustave Le Clézio mudou-se aos oito anos de idade para a Nigéria. Foi nesta ocasião que conheceu o pai, médico militar inglês que trabalhava nesse país durante a Segunda Guerra Mundial. Desta experiência saiu o livro O Africano (2004). Mesclando elementos ficcionais com autobiográficos, é a história de um homem que refaz o caminho do pai do autor, médico militar nas colônias inglesas na África tentando entender sua infância passada entre este continente e a Europa.

Considerado um escritor nômade, ele estudou em universidades na Inglaterra e na França e deu aulas em outras na Tailândia, México e nos EUA. Sua escrita é fortemente influenciada pela cultura dos lugares por onde passou, especialmente a dos índios da América Central, onde morou durante quatro anos. Foi nessa época que Le Clézio decidiu se distanciar das grandes cidades: ele prefere a vida calma e remota, vivendo atualmente no Novo México, estado do sul dos EUA.

Um dos mestres da literatura de língua francesa, Le Clézio é um ecologista engajado, como se percebe em obras como Terra amata (1967), e Les géants (1973). Para ele ler é “uma ótima maneira de interrogar o mundo atual sem encontrar respostas muito esquemáticas. O romancista não é um filósofo nem um técnico da linguagem, é alguém que escreve e se questiona”. No entanto, poucos de seus livros podem ser encontrados em versão brasileira. Entre os títulos em português estão A Quarentena (1995), O Peixe Dourado (1997) e O Africano (2004).

Foto: L'Express

3 comentários:

Pedro Zambarda disse...

Um nobel diferente dos demais, principalmente depois de Orphan Pamuk.

Mas, ainda assim, altruísta e preocupado com causas ecológicas.

Beijão Dé =]

Bem-vinda ao Bola da Foca.

Débora Centoamore disse...

Obrigada =)

Deu a maior vontade de ler os livros dele, mas só tem uns três editados aqui... Espero que agora eles traduzam mais!

José Edgar disse...

Parabéns, Dé. Belo texto. =]

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