sábado, 13 de março de 2010

64 anos da voz melódica do Floyd


David Jon Gilmour fez aniversário no último dia 6 deste mês. Conhecido pelos solos inspirados de Comfortably Numb e até Another Brick in The Wall Pt.2, Gilmour foi tido, tanto pelos companheiros de banda quanto outros músicos, como o lado mais musical do Pink Floyd, um dos maiores expoentes da música psicodélica e progressiva. Enquanto Rick Wright, falecido em 2008, criava harmonias ricas no teclado, ele e Roger Waters dividiam o recheio das músicas.

Gilmour também foi piloto de aviões por sua empresa, a Interprid, vendida em 2007, e produziu inúmeros grandes nomes da música internacional. Kate Bush, famosa pela música cantada em falsete Wuthering Heights, foi um dos talentos ajudados pela produção em estúdio de David Gilmour, assim como os setentista Supertramp, e as carreiras solos dos beatles Paul McCartney e Ringo Starr.

64 anos não apenas de brilho com o Pink Floyd ou sozinho, com sua guitarra Fender Stratocaster preta, mas sim ao lado dos maiores nomes artísticos do fim do século XX.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Um Mississipi

Tratando de um assunto polêmico como a adoção de adolescentes, o filme The Blind Side é delicado, assustador, e real


Baseado na história real de Michael Oher, atual jogador do Baltimore Ravens, o filme Um Sonho Possível (The Blind Side, 2009) traz um elenco brilhante, com Kathy Bates, Tim McGraw, Quinton Aaron, e Sandra Bullock - que levou o Oscar de Melhor Atriz no último domingo (07/03).

O jovem Big Mike, como é apelidado, tem quase 18 anos e vive na rua há tantos outros. Com o pai desaparecido desde seu nascimento e uma mãe viciada em crack, Michael não teve muita escolaridade, e dorme de favor na casa de um conhecido.

Apesar de seu background – e de seu tamanho -, ele tem um coração bom, puro e inocente. Em visita a uma escola católica de um condado branco e burguês dos Estados Unidos, Mike consegue uma vaga como promessa de sucesso no futebol americano. Sua posição seria como left tacle, protegendo o lado cego (em inglês, blind side) do quarterback, o jogador principal.

Não podendo mais ficar na casa onde antes dormia, Michael passa as noites na academia do colégio, e tem consigo – além da roupa no corpo - apenas uma sacola com uma camiseta extra. Com dificuldade para acompanhar a classe, Mike chama a atenção dos professores, que passam pelo dilema de empenhar-se para ajudar, ou não.

Saindo de um jogo da escola, a família Tuohy, dona de 85 lojas de redes de fast food, vê o garoto na rua e resolve levá-lo para casa. Conforme se conhecem, vão criando laços, e passam a mudar as vidas uns dos outros. Adotado legalmente, com investimentos em seus estudos, moradia, alimento, e treinos de futebol, Michael consegue bolsas de estudo em praticamente todas as faculdades do país.

O verdadeiro Michael Oher

Com vários socos no estômago, o filme de John Lee Hancock assusta pelo passado de Mike nos subúrbios, e todo o esforço que fez para chegar onde está. O exemplo da família Tuohy inspira, mostrando que – como no futebol americano - nós podemos fazer a diferença na vida dos outros, protegendo-os e dando abertura para que eles obtenham sucesso. Para isso, basta tomar iniciativa.

Um Mississipi.

sábado, 6 de março de 2010

Deathstars: conheça a banda de rock industrial que virá ao Brasil


Depois de trazer Primal Fear, Grave Digger, Moonspell e Tiamat, a casa paulistana Carioca Club anuncia show da banda sueca de industrial rock Deathstars. Nesta única apresentação no Brasil, o grupo promoverá o mais novo álbum Night Electric Night, lançado em janeiro do ano passado, quando completaram 8 anos de carreira.

Produzido em Estocolmo, o CD demonstra bem as diferenças de uma banda que em 1993 tocava death metal, identificando-se como Swordmaster. De lá para cá, a formação manteve-se intacta senão pela saída do guitarrista Erik Halvorsen (aka Beast X Electric). Sendo assim, Deathstars são o vocalista Andreas Bergh (aka Whiplasher Bernadotte), os guitarristas Emil Nödtveidt (aka Nightmare Industries) e Eric Bäckman (aka Cat Casino), o baixista e vocal de apoio Jonas Kangur (aka Skinny Disco) e o baterista Ole Öhman (aka Bone W. Machine).

A banda possui em sua discografia os álbuns de estúdio Synthetic Generation (2002), Termination Bliss (2006) e Night Electric Night (2009). Logo no primeiro trabalho, Deathstars definiu como hit a música Our God The Drugs, em que a voz arranhada e aguda (próxima da proposta de Dani Filth, de Cradle of Filth, banda com qual fizeram tour em 2005) se mistura a um vocal grave parecido com o de Till Lindemann (Rammstein) e ainda põe em conflito temáticas trazidas do metal com a ideologia cyberpunk presente na música industrial:

What do angels dream, do angels sleep, do demons dream of darkness deep?[…] It's our God the Drugs; It's a new world code of bliss dressed in skin.

Daí em diante, os outros dois álbuns não demonstraram o mesmo estilo de guitarra que em Synthetic Generation. Em Night Electric Night, que estava em preparação desde 2007, alguns fãs consideram que se perdeu o peso original que a Deathstars inseria em suas composições no início da carreira. A faixa que dá título ao cd muito se assemelha às músicas do grupo inglês Cradle of Filth, especificamente com a melodia de Her ghost in the fog.

No entanto, Death dies hard, que ganhou videoclipe, possui um refrão cativante por reforçar a base repetida ao longo da música. Repetindo o pessimismo na letra, esta faixa torna-se mais interessante justamente pelo vídeo, preenchido por uma estética típica da cena industrial, seja pelo cenário de uma metrópole preenchida de publicidade luminosa e prédios grandes ou pela estética dos artistas.

O figurino adotado pelos integrantes da Deathstars é típica e vastamente explorado por bandas relacionadas, como a italiana Dope Stars Inc – que até poderia ser considerada a irmã mais nova e mais pop – e Marilyn Manson, o antichrist superstar. O cap, a maquiagem, as lentes e até mesmo a farda demonstrados no clipe já são elementos explorados pelo astro grotesco em clipes como Fight Song e em alguns photoshoots dos anos 1990. Obviamente, esta combinação não é original do artista que regravou sucessos como Sweet Dreams e Tainted Love, sendo que a eslovena Laibach já adotava o estilo em 1980. As roupas e acessórios militares e fetichistas fazem parte da estética da música industrial, gênero de música eletrônica surgido nos anos 1970.

Outro aspecto visível pelo clipe de Death dies hard é o glamour evocado pelas mulheres. Esse costume vem desde o – literalmente – Glam e Hard Rock, gêneros que também abusavam das calças de couro justas, de maquiagens extravagantes e de vozes escandalosas. Afinal, os cabelos e cores vinham do Twisted Sister, a androginia de Axl Rose e de David Bowie, sendo estes dois últimos considerados galãs de uma era. Trazer as figuras femininas para a ostentação do homem recomposto é uma proposta bastante comum ao Manson que, apesar da polêmica aparência, já namorou a dançarina Dita Von Teese e as atrizes Evan Rachel Wood e Stoya.

Afinal de contas, apesar de levantar sobrancelhas e contorcer os lábios de alguns espectadores e ouvintes, bandas como Deathstars acabam por seguir a filosofia de Patricia Morrison, ex-baixista da banda Sisters of Mercy, atualmente casada com Dave Vanian, do The Damned: “Acho que tenho um gosto bastante eclético. Gosto muito da música dos anos 60, da psicodelia. […] O glamour. Isto é o que eu sempre gostei mais. A cena gótica se divide em várias vertentes, algumas parecem mais grotescas, outras mais pesadas, mas eu gosto do glamour” (do The Tiki Nightmare DVD).

Data: 30/05/2010

Local: Carioca Club

Preço: a partir de 30 reais (pista, meia entrada)

Onde comprar: Lady Snake e Ticket Brasil


Você-mídia

Em abril de 2008 eu criei um microblog para escrever mensagens de celular. Em formato de celular, em pílula, em resumo. Naquela ocasião, criei apenas porque outros criaram. Vi piadas alheias, não as frases de humor apenas, mas piadas de pássaros, que são as mensagens resumidas em microblog. Interagindo com aquelas mini-mensagens, criei o eu-mídia em piados. O eu-mídia que se alimenta de pílulas e oferece pílulas.

Nesses pedaços minúsculos de informação, eu posso me enxergar como provedor e alimentador desse meio. Quando crio algo maior, me dissolvo na minha própria criação, dentro ou fora de internet, em qualquer suporte, em qualquer parte. Na verdade, posso tornar minha pessoa uma mídia em toda a situação, mas optei pelas informações pequenas.

E é isso o twitter: atualmente, é minha presença comunicativa, pelo menos em suporte. É o formato que eu me adaptei para transmitir o que posso pessoalmente. A questão que resta é se a minha pessoa como mídia vai migrar. Vai? E por qual motivo? Sempre existe um espaço de manifestação mais pessoal.

No entanto, mesmo com todas essas implicações, escrever menos não é escrever mais. Escrever é escrever, seja qual for o tamanho. No fim, restam as significações, os significados, as significâncias.

sexta-feira, 5 de março de 2010

"El Secreto de Sus Ojos": orgulho da identidade argentina no cinema


O homem muda de casa, de família, de religião, de trabalho e de tantas outras coisas; mas há algo que nunca troca: sua paixão. É isso que El Secreto de Sus Ojos deixa claro. O filme produzido por Juan José Campanella é a promessa argentina para o Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano. Essa é a segunda chance do portenho levar a estatueta para casa. Em 2001, sua produção El Hijo de La Novia foi indicada ao prêmio da academia, mas perdeu para No Man's Land, de múltipla nacionalidade.

El Secreto de Sus Ojos narra a história de Benjamin Esposio (Ricardo Darín), um oficial recém-aposentado que, para ocupar seu tempo vago, resolve escrever um livro contando o caso que mais marcou sua carreira. Um assassinato cheio de mistérios que afetou intensamente sua vida. Um crime, poucas verdades e fortes amores.

O longa, que tem co-produção espanhola, traz uma essência absolutamente argentina. Além da história principal, que se passa em plena ditadura militar, o enredo apresenta pequenos detalhes que, uma vez bem analisados, podem servir de método de compreensão para muito do que aconteceu na Argentina dos anos 70, como a mal-vista imigração boliviana e a corrupção da justiça. É claro que isso tudo sem deixar de lado fatores do cotidiano, como o movimentado metrô portenho e a eterna paixão argentina pelo futebol - representado pelo Racing Club de Avellaneda.

Talvez seja esse o motivo da imensa identificação do povo com o filme. Recentemente, a obra voltou a ser reproduzida nos mais tradicionais cinemas de Buenos Aires e ao entrar em uma das várias lojas da imensa e cultural avenida Corrientes, nos deparamos com grandes e chamativos cartazes indicando em qual prateleira estão os muitos DVD's do mais recente sucesso.

Depois do revolucionário Nueve Reinas (2000) - que apresentou uma Argentina sem máscaras -, a população passou a valorizar mais seu próprio cinema. Afinal, por mais problemas que sofra nosso país vizinho, uma coisa ninguém pode contestar: a paixão de um argentino por sua pátria, ainda que cheia de problemas e corrupção. E como en El Secreto de Sus Ojos, um homem nunca abandona sua paixão.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um político está preso. Qual o preço?


Desde novembro de 2009, o governador Arruda desvia dinheiro de empresas públicas para parlamentares da Câmara Legislativa. Essa notícia passaria ilesa diante de tantas outras acusações que tramitam pela justiça nacional, além de escândalos envolvendo a cúpula do governo federal e tantas outras instituições. No entanto, a data de 11 de fevereiro marcou tanto o início das festividades do carnaval de 2010 quanto a prisão de José Roberto Arruda pelo Supremo Tribunal Federal, para prevenção de mais crimes.

Suspeitava-se que Arruda conseguisse habeas corpus ou recursos que o liberassem do cárcere. Nada disso aconteceu. Nenhum sinal da impunidade tipicamente brasileira se mostrou, no caso.

Mas a que preço isso aconteceu? Com quais interesses? Arruda era o único governador eleito pelo partido Democratas (DM) em todo o território nacional. A justiça se fez ou ela foi forçada?

Não se trata de absolver a vítima, mas fortalecer o questionamento para nossa própria segurança: houve uma punição justa ou um ato estratégico? Todas as gravações de acusação foram conclusivas e levadas a sério? Mantenham suas perguntas, se isso é possível em nossa polêmica política governamental brasileira.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Alan Moore e a crítica ao conservadorismo

1981. Ronald Reagan torna-se presidente norte-americano por dois mandatos consecutivos, consolidando um retorno às políticas do capitalismo tradicional pelo neoliberalismo e acabando com as disparidades econômicas entre os EUA e a URSS pela queda do Muro de Berlim e a abertura comercial das nações socialistas. Um presidente que aliou reconciliação com conservadorismo, conquistando e consolidando seu eleitorado. Dois anos antes, em 1979, Margaret Thatcher assume o cargo de primeira-ministra britânica, diminuindo a atuação política trabalhista na Inglaterra e, junto com seus parceiros americanos, fortalecendo o poder do mercado sem regulagem do Estado pelo mundo.

Entre 1982 e 1983, o roteirista Alan Moore dá vida aos quadrinhos de V for Vendetta, ambientado em uma Inglaterra opressora. Entre 86 e 87, nasce a liga de super-heróis Watchmen, que é uma paródia dos mascarados norte-americanos durante a Guerra Fria, especialmente nos Estados Unidos. Ambos os desenhos, além de integrarem obras importantes do século XX, mostram uma clara crítica de Moore, um escritor polêmico por suas crenças no obscuro e na bruxaria, questionador quanto aos regimes vigentes e ao conservadorismo em geral.

O herói V é um anarquista que luta contra uma Inglaterra dominada por um ditador, Adam, muito semelhante ao poder popularizado de Tatcher. Os super-heróis de Watchmen não possuem poderes especiais, exceto um homem de pele azulada e brilhante chamado Dr. Manhattan, que sobreviveu a experimentos nucleares e pode desintegrar, integrar e manipular todo o tipo de matéria, sendo praticamente um deus do mundo físico. Outros personagens, como o Comediante e a Espectral, refletem a natureza decadente de heróis afetados por uma sociedade que não os aceita, mais próxima da realidade, se um super-homem existisse.

Moore conviveu com Tatcher e Reagan e, ao contrário deles, teceu uma realidade crítica do fim da Guerra Fria e do mundo real em que vivemos, mesmo através de desenhos. Transformou mitos norte-americanos dos anos 50 e 60, como super-heróis, em espelhos de uma realidade suja das ruas oprimida por políticos que não estão em contato com o cotidiano comum. Seja pelo poder estatal ou das corporações em mercados livres, Alan Moore criou novos mitos críticos no último século que passou. Portanto, mesmo que você não concorde com o anarquismo de V, ou com os heróis comuns de Watchmen, é recomendável ver seus quadrinhos neste começo de século.

Lançado em 2006, a adaptação cinematográfica de V for Vendetta adaptou toda a mensagem anti-fascista em uma história mais contemporânea, envolvendo caça ao terrorismo dentro da trama original, além da poesia e dos dotes artísticos do protagonista. O filme transformou-se em uma interpretação fiel de quadrinhos. A mensagem de que V pretendia tornar a explosão do parlamento inglês um símbolo de sua rebeldia contra o governo e um exemplo para sua população alienada é mantido, revivendo os ideais de Guy Fawkes no século XVII.

Em Watchmen, na adaptação aos cinemas de 2009, o plano de unificação na Guerra Fria é transformado em várias bombas nucleares explodindo em diferentes locais do globo, e não um ataque alien, como no gibi, tirando um pouco da surpresa original. Mas todos os personagens característicos de Moore estão presentes, mantendo sua criatividade como autor do conservadorismo social, estampado em seus heróis errantes.

Apesar de rejeitar as versões cinematográficas de suas obras, Moore é um autor que deve ser reaproveitado em tempos de Barack Obama na presidência, com esperanças que o mundo aguarda de um novo Estado americano. Esses novos mitos na verdade não diferem do mundo pessimista de Alan Moore, que possui sim retratos ideais, mas que estão distorcidos pela realidade em que vivem, não sendo pura fantasia e mantendo sua conexão com a crítica, sempre válida socialmente e individualmente.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Como ver tweets antigos?

Alguns usuários mais nostálgicos do Twitter podem ficar mais tranquilos agora. Existe um pequeno truque que possibilita que o usuário veja seus tweets mais primórdios (e de outros usuários também) sem ter que clicar dezenas de vezes na barrinha de "More".

Apesar de ser extremamente impreciso, esse método é bem simples e funciona também na página das replies (vezes em que você foi citado). É bom lembrar que isso depende também da boa vontade dos bancos de dados do Twitter. Muitos usuários dizem que seus tweets mais antigos sumiram... Enfim, vamos ao que interessa.

AVISO: Esse método não funciona se você quiser ver os tweets de uma pessoa que os mantém bloqueados.

1. Primeiramente, acesse seu endereço (ou qualquer outro) no Twitter. Para isso funcionar, você precisa estar no endereço direto e não na home (ex: twitter.com/Cauefabiano). Isso acontece ao clicar no perfil da pessoa. Ao final da página, você logo verá a barrinha "More".


2. Com o botão direito, clique sobre ela e selecione "Copiar Atalho". Para usuários de Firefox e Chrome, por exemplo, o termo é "Copiar endereço do link".

3. Cole na barra de endereço do seu navegador. Eis que a mágica acontece: quase no final, está escrito page=2. Altere esse número de página, aperte Enter e pronto! Coloquei '100' para demonstrar.


Tudo isso depende do número de Tweets de cada pessoa. Caso o número da página extrapole os tweets, será exibida uma página em branco. Para os nostálgicos, é bacana ir tentando até chegar ao primeiro Tweet.

Existe também um site na internet que diz a quantos dias o usuário utiliza o Twitter. Trata-se do http://www.whendidyoujointwitter.com/ . É possível colocar qualquer usuário do Twitter, e ele informa a data e há quantos dias a conta foi criada.

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