terça-feira, 2 de setembro de 2008

Um mergulho no heavy metal, sem mais lágrimas


Por Pedro Zambarda de Araújo, 2º ano de jornalismo

Efeitos de mixagem e edição sonora modernos, riffs - as famosas frases musicais - com o peso adequado nas diversas nuances de cada faixa do CD, além de letras diretas e típicas do rock vindas de um vocalista com vida familiar em ascensão. Essa é a realidade de No More Tears, álbum de 1991 do vocalista e showman Ozzy Osbourne. Antes das confusões do que viria ser o reality show The Osbournes, nas intrigas entre a mulher Sharon e os filhos Jack e Kelly, ambos com péssima reputação, a vida de Ozzy passava por uma importante superação nesse material precioso.

Nove anos antes, em 1982, em um acidente aéreo durante a turnê de seu segundo CD solo, Diary of Madman, Ozzy perdeu o principal homem que o inspirou após a sua saída do Black Sabbath, banda pioneira no heavy metal: Randy Rhoads, seu primeiro guitarrista, que tinha apenas 25 anos. Dono de uma técnica invejável vinda de compositores eruditos barrocos como Bach, Rhoads foi, ao lado de Richie Blackmore, um instrumentista que tocava com velocidade, sentimento e riqueza melódica. Esse mito da guitarra deu aulas durante toda sua carreira anterior à banda solo de Ozzy, além do trabalho em uma pequena banda de hard rock norte-americana chamada Quiet Riot.

Randy Rhoads conquistou Ozzy Osbourne por um carisma tímido, mas sempre bem-humorado. Conquistou também com sua técnica original e inimitável portando uma guitarra Les Paul Custom de cor creme, ano 1974. Falar de No More Tears é falar sobre Rhoads. Falar sobre No More Tears é relatar o fim da dor que Ozzy sofreu com sua perda.

Acabada a turnê Diary of Madman, diversos testes foram feitos com outros guitarristas. Jake E. Lee, com muita influência de Randy Rhoads, gravou Bark at the Moon em 1983 e The Ultimate Sin em 1986, CDs com tanta qualidade de composição quanto a virtuose instrumentista do primeiro guitarrista de Ozzy. Apesar do sucesso de Jake, Ozzy ainda se sentia frustrado pela perda do amigo e principal incentivador artístico.

No More Tears, apesar de ser o segundo álbum em que Zakk Wylde participa (o primeiro foi No Rest for the Wicked, em 1988), consolida um novo companheiro e a superação da perda de Rhoads. A saída de Jake E. Lee e a entrada de Wylde trouxeram um novo espírito para a banda: se Randy Rhoads influenciou Lee, Wylde vai ser um discípulo ferrenho desse guitarrista mítico. Além de executar as músicas do instrumentista preferido de Ozzy, Zakk Wylde mostra uma pegada forte com a guitarra, esmurrando com força, técnica de country rock, peso e melodia. No More Tears é o ápice, até hoje, das performances do último e definitivo guitarrista de Ozzy Osbourne.

A primeira música, Mr. Tinkertrain abre com um rock bem dosado e direto, com letras abordando um pedófilo que seqüestra crianças dentro de um parque de diversões. Ozzy convence na interpretação da música, enquanto Wylde modera em determinadas passagens, dando destaque ao vocalista. A pausa no meio da música é o prelúdio de um solo de guitarra de Zakk Wylde repleto de bends, técnicas das quais o guitarrista abusa de notas tocadas com as cordas totalmente deformadas pelos dedos (inclinadas para cima ou para baixo).

I Don´t Wanna Change The World é uma confissão de Ozzy dentro do CD No More Tears. Ele não quer mais mudar o mundo, não quer o ideal dos músicos que existia nas décadas de 1960 e 1970. Não quer mais o mercado do hard rock que imperou nos anos 1980 e moldou sua forma de se apresentar (com cabelo repicado e descolorido). Ele não quer viver as glórias de um passado que não pode ser ressuscitado. Mas Osbourne confessa: “I'm here to stay”. Ele veio pra ficar. Paradoxalmente, Mama I´m comming home, a música seguinte, é o oposto da primeira confissão de Ozzy. Ele gostaria de se despedir melhor de sua mãe porque as coisas mudaram de forma muito drástica. A guitarra de Wylde acalma e o instrumentista passa a tocar uma viola de 12 cordas expressando, tal como as contradições do vocalista, a existência de melodias calmas, dando ao CD um riquíssimo repertório.

Desire traz a natureza de Ozzy, que é incerta e inconstante – presente tanto em sua época de viciado em doses pesadas de entorpecentes quanto nos dias de hoje, pois ele abandonou as drogas e a vida desregrada. Apesar dessa loucura que ele expressa sobre si, ele sabe que é para ser assim mesmo, seguido pela guitarra em sintonia de Zakk Wylde, agressiva e agitada.

No More Tears, a música-tema, merece uma crítica própria e particular, apesar da versão pública de que é uma música de desculpas de Ozzy para sua esposa Sharon, quando tentou matá-la em uma crise nervosa. Não há uma letra muito longa, mas sim um refrão de uma única frase repetindo o título da música. Os demais versos contam sobre como viver uma vida perigosa, medrosa até certo ponto e trágica. A essência de No More Tears está na guitarra rasgada e “poética” de Wylde, que parece dialogar com a voz de Ozzy e o baixo de Mike Inez (que apenas fez as linhas de contrabaixo nessa música, cedendo espaço ao baixista Bob Daisley nas apresentações ao vivo). Dessa forma a música sepulta, de maneira magistral, a época de Randy Rhoads, do hard rock oitentista de Ozzy, para entrar em um heavy metal moderno de Zakk Wylde.

Sem mais nenhum ressentimento, S.I.N começa, soando paradoxal em relação com a música anterior, com um solo de guitarra bem melancólico. No entanto, a melodia adquire ânimo, apesar da letra tratando de déjà vus que atormentam o protagonista e uma busca por paz em companhia dos amigos. Wylde abusa de solos em escalas e bicordes básicos de rock´n´roll abafados.

Fazendo provocações satânicas, apesar de ser cristão, Ozzy contou com a ajuda de Lemmy Kilmister, famoso baixista da banda de rock pesado Motörhead para fazer uma música em homenagem ao filme Hellraiser de 1987, imitando o que Black Sabbath fazia com filmes de terror. Zakk Wylde ajuda nos vocais dessa música, mostrando, além da versatilidade na guitarra, uma potência de voz grave.

Com a mesma calmaria de Mama I´m comming home, Time After Time retoma o tema do atual estado de Ozzy Osbourne. O foco dessa vez é sua mulher, Sharon que, apesar das diversas crises no casamento, é uma constante inspiração para Ozzy. Uma das coisas que ele mais gosta em sua banda solo é a possibilidade de poder compor músicas com tamanho sentimento entre outras mais densas, sem perder seu propósito como músico.

Zombie Stomp, a música mais longa e com mais elementos técnicos instrumentais tem uma percussão quase tribal em sua abertura, acompanhada posteriormente por uma guitarra com som sujo e rítmico. A letra trata de um “estampido de zumbis” que um homem cansado e acabado deve promover, trazendo novamente a temática do terror para as músicas. O solo de Wylde no meio da música soa quase como música eletrônica com a extrema velocidade que ele solta notas, no meio de uma música pesada.

Um slide de ferro tocado junto com uma guitarra acústica gera as notas de blues no começo de A.V.H, irrompido por uma forte melodia de heavy metal e o canto de uma vida sem controle proferido por Ozzy. Após essa faixa, a Road to Nowhere, novamente com um solo de hard rock melancólico, desta vez acompanhado por um teclado com eco, faz a última volta ao passado de Ozzy Osbourne e seu tempo com Randy Rhoads.

“Through all the happiness and sorrow / I guess I'd do it all again / Live for today and not tomorrow”. Ozzy continua o mesmo: romântico, louco e apaixonado pelo que faz. A vida de drogas que o afundaram e o abandono profundo que ele sentiu pela perda de Randy foram, ao contrário do que normalmente se pensa, um aprendizado.

As faixas adicionais do CD, colocadas na produção de 2002, são tão interessantes quanto o conjunto de músicas originais. Don´t Blame Me é uma canção de peso cujo título remete ao documentário que Ozzy Osbourne fez em 1991, durante as gravações de No More Tears. Ele não quer ser julgado por uso de drogas ou por ter mordido a cabeça de um morcego durante sua estadia no Black Sabbath, mas ser lembrado como um músico de qualidade, que promoveu talentos como Rhoads, Jake E. Lee e Wylde.

Party With The Animals é uma música lúdica, sem preocupação com significado profundo. Nesse clima de brincadeira, esse CD encerra com uma mensagem pessoal, a performance de um guitarrista que foi diretamente influenciado pela lenda que foi Randy e um vocalista que não cansa de fazer o que engrandece sua carreira: se reinventar. Mesmo sob seqüelas das drogas ou protagonizando um seriado onde é tratado como estúpido, Ozzy sempre marcou presença e sempre marcará, desta vez sem mais lágrimas ou rancores.

Fotos:

#1: Capa do CD No More Tears.
#2: As apresentações clássicas de Randy Rhoads, com energia.
#3: Zakk Wylde jovem (atualmente ele está barbudo).
#4: Novo visual de Ozzy Osbourne na época, de cabelo alisado e pintado.
#5: Randy Rhoads jovem, quando tinha acabado de ingressar na banda de Ozzy.

2 comentários:

Thiago Dias disse...

O album que fez com que eu dissesse pra mim mesmo: Ozzy é melhor que Sabbath. Simples assim, simples e perfeito como o solo de Wylde em No More Tears

Anônimo disse...

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