sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Aranhas, criptonita e vampiros


Crepúsculo (Twilight, 2006) é a mais nova sensação adolescente mundial. Depois de High School Musical, dirigido a uma faixa etária pré-adolescente, o livro escrito por Stephenie Meyer levou os jovens à loucura. A saga - composta por 4 livros, Crepúsculo (Twilight), Lua Nova (New Moon), Eclipse e Amanhecer (Breaking Dawn) – conta a história de Isabella Swan e Edward Cullen, os mais novos Romeu e Julieta

Quando vê que sua mãe, recém-casada, se privar de viajar com o marido para ficar com ela, Bella decide mudar-se da calorosa Phoenix para a chuvosa Forks, em Washington, para viver com o pai. A infelicidade com a situação diminui quando, no primeiro dia de aula, tem o primeiro contato com Edward, um vampiro.

Acontece que o Romeu e sua família (Carlisle e Esme, os “pais”; e Alice, Jasper, Rosalie e Emett, os irmãos adotivos) são vegetarianos - vivem a base de sangue animal para sobreviver. Mesmo com esse regime alimentar fixo, o cheiro de Bella não deixa de despertar instintos em Edward, que foge da garota logo depois. É com esse clima tenso que o enredo de desenvolve, com o vampiro dividido entre o amor e o controle absoluto, a natureza selvagem e o medo, e Bella no meio da confusão. O contato, tão simples e tão proibido, é tão tentador e tão letal.

A vida seria fácil sem nenhum vilão por perto. Logo, temos 3: Laurent, James e Victoria são um bando nômade, que não vivem à base de “tofu” e acabam cruzando-se com os Cullen quando a mortal está por perto. Depois de um momento tenso dá-se início ao clímax: para temor de todos, James reconhece o odor da garota e, quando tenta avançar, Edward entra no meio, atiçando os instintos briguentos do inimigo, deixando-o obcecado pela caça.

Quebrando todos os tabus de historinhas de terror – não, o sol não queima, alho e cruz não têm efeito e os vampiros não dormem (muito menos em caixões) – o livro capta a atenção do leitor de tal forma que é impossível parar de ler, pois ele realmente quer “dar com os dentes” na saga. Como Crepúsculo só virou mania neste ano, apenas os 2 primeiros números foram traduzidos para o português e o 3 não será antes de 2009. Em inglês, todos os números estão disponíveis.

Para os fãs impacientes, o tão esperado Midnight Sun (a versão de Edward de Twilight) ficará em espera por tempo indeterminado pelo rascunho ter vazado para a internet. Stephenie disse, em seu site oficial (http://www.stepheniemeyer.com/), estar muito chateada e, para não alterar nada da história, dará espaço a outros planos agora. Ela também disponibilizou o primeiro capítulo-rascunho e, claro, lembrou aos leitores que o livro oficial será diferente e muito melhor. Além do primeiro, há mais 11 capítulos circulando por aí. Os curiosos sedentos que o digam.


Leituras à parte, para provar ainda mais que Crepúsculo é sensação sim - além das camisetas, blogs e comunidades histéricas -, o filme estreou hoje nos cinemas, finalmente dando um sossego aos fãs que esperaram mais de um mês pela chegada do longa. O filme conta com a participação de Robert Pattinson (lembra dele como Cedrico, em Harry Potter e o Cálice de Fogo?) como Edward e Kristen Stewart como Bella.

Se aqui a movimentação foi grande, nos Estados Unidos o estardalhaço foi maior ainda. Com certeza atuar em Twilight foi a grande pedida do casal principal, que virou, instantaneamente, o centro das atenções de Hollywood e estima-se que ganhem 12 milhões para fazer a seqüência, cada. As gravações de Lua Nova estão marcadas para o começo de 2009, com possível estréia no final do mesmo ano, ou no começo do ano seguinte.

A tão-falada estréia provocará as mais diversas reações. Devo admitir ser leitora fiel da saga, e o longa, como a maioria das adaptações cinematográficas de livros, deixou a desejar. O livro é mil vezes melhor (mesmo assim, é impossível não derreter com os dois). Então, se você tiver a oportunidade de ler antes de assistir, faça. Perde-se muitos detalhes no filme.

Não leve a mal, foi ótimo poder, finalmente, visualizar o mundo de Forks, mas as muitas alterações acabaram mudando um pouco a história. Alterações porque ‘adaptações’ seria muito menos do que realmente fizeram. As falas continuaram as mesmas, apenas o cenário mudou – e algumas atitudes também. No filme, Edward passou por grosso, em vez de ausente e cauteloso, como é no livro. Os ataques dos nômades, a visita à estufa, a conversa na floresta ao lado da escola que nunca aconteceram.

Mas o que mais me chateou foi o fato de, no final do filme, quando James morde Bella e Edward suga o veneno de volta, Carlisle o manda parar. Isso não existe no livro, Edward para sozinho, não precisa de ajuda. E o fato de o pai ter que ter entrado em cena para impedi-lo indica coisas diferentes ao leitor/espectador: quando ele consegue sozinho, ele evolui; quando ele precisa de ajuda, ainda não chegou no estágio de evolução necessário.

No final das contas Crepúsculo vai mover milhares às salas de cinema que, apesar das mudanças, vão sair felizes - e estonteados - pelo talento de Meyer e de Catherine Hardwicke (Aos treze), a diretora. Falando em números, o filme, somente no primeiro final de semana, arrecadou o triplo de seu custo nos Estados Unidos. No Brasil as expectativas não são tão grandes, mas ainda são boas para o mais novo tão esperado blockbuster.

4 comentários:

Thiago Dias disse...

Cara, esse livro merece uma análise. Como uma história que prega a castidade juvenil faz tanto sucesso nos dias de hoje?

Mariana Bruno disse...

tem gente que nasce com o talento..Stephenie Meyer é um dos sortudos.

Thiago Dias disse...

Ta legal, sendo sincero e com medo de apanhar. O filme é ruim. Não ruim demais..apenas ruim. Lembra um poko uma versão piorada da finada série Angel e uma mescla mto grande e mal costurada das historias da Anne Rice. Fora os efeitos especiais que dão pena neh..até Anjos da Noite fez melhor

Mariana Bruno disse...

Nossa, mas eu nao achei os efeitos tao ruins..quer dizer, nem tem muitos...pra mim num fez diferença...mas foi o que eu disse, o filme mudou MUITO - nao necessariamente a historia - mas definitivamente o jeito de ver o enredo. Foi uma tentativa nao tao bem sucedida de chamar a atençao do publico que nao leu o livro. Meio desnecessario pq a legiao ´ja daria conta do recado.

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