sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Fantástica e exuberante


Tão bela e tão organizada. Jamais uma abertura olímpica marcou tanto quando esta. Tecnológica e surpreendente, a China caprichou nas “boas-vindas”, pois quem viu jamais esquecerá.



O país inventor dos fogos de artifício impressionou no show pirotécnico e a simpatia dos chineses conquistou a todos. Considerada uma nação fechada, a China pretendia mostrar uma nova cara para o mundo. E conseguiu.

O “ninho de pássaro” recebeu noventa e uma mil pessoas - as quais participaram diretamente da festa, com lâmpadas coloridas – em um espetáculo digno de filmes “hollywoodianos”. As apresentações misturaram uma tradição de aproximadamente 5 mil anos com a recente explosão de modernidade e tecnologia.

Outra nova característica demonstrada (ou fantasiada) foi a aceitação dos chineses perante outras etnias diferentes, mas residentes no mesmo território. Essa miscigenação, representada por 52 crianças (inclusive tibetanas) procurou mostrar definitivamente um novo país, mais unido (elas carregaram a bandeira juntas) que apagava (ou tentava apagar) a má fama chinesa de burlar os direitos humanos.

Iniciando às 20h8, horário local, a cerimônia iniciou com pessoas tocando fous (instrumento de batuque) e uma queima fantástica de fogos de artifício, retratando pegadas oriundas da Praça da Paz Celestial e sendo direcionadas ao Estádio Olímpico de Pequim.

Tradicional em todas aberturas, o lado histórico foi mostrado. A China focou as suas invenções. Pólvora, papel, bússola e a escrita principalmente, associaram o antigo, ao moderno e luxuoso.

Os artistas ensaiaram durante muito tempo, e trouxeram um encanto dificilmente visto. Adereços, alegorias e um show de luzes e efeitos especiais deram o tom. Outro tema, debatido em demasia atualmente, foi metaforizado na abertura olímpica. Uma pipa representava o sentimento dos chineses em relação à preservação do meio-ambiente, que estão ativos e procurando solucionar o problema.

Conforme o protocolo, após as apresentações artísticas, a cerimônia prossegue com o desfile das delegações. A Grécia – percussora do evento – abre tradicionalmente a caminhada dos atletas pelo estádio. Muito se especulava sobre a reação do público perante as nações “inimigas” da China, porém o comportamento da população foi exemplar. Japão e Estados Unidos – inimigos históricos dos chineses – receberam aplausos. Vimos uma única reação hostil: quando o presidente norte-americano George W. Bush apareceu no telão do estádio, e conseqüentemente, foi vaiado.

Momentos marcantes ocorrem na passagem dos países. Nessa edição, o gigante Yao Ming – que por si só já chama a atenção – carregou a bandeira dos donos da casa acompanhado pelo garoto Lin Hao, de 9 anos. O menino é aluno de uma escola primária em Sichuan, e sobrevivente do terremoto avassalador que atingiu esta província. Muito lesionado e correndo risco de vida, Lin arriscou-se a salvar colegas e desconhecidos dos prédios destruídos. Com esse ato mítico, ele é considerado herói entre o bilhão de chineses.

Coube a Robert Scheidt, bicampeão olímpico de vela (classe Laser), a honra de carregar o nosso mastro. Duzentos e setenta e sete atletas – recorde nacional – nos representarão em Pequim.

As notas negativas da festa foram: ausência de Brunei, que não inscreveu seus atletas à tempo, e o desfile separado das Coréias, algo que não ocorria desde Atlanta, 1996. Ao todo, 204 nações passaram pelo Ninho de Pássaro.

Ursinho Mischa, em 1980. O astronauta, ou homem foguete, em 1984. O arqueiro paraplégico, Antonio Rebollo, acendendo a pira olímpica, em Barcelona, 1992. Muhamad Ali, emocionando o mundo, Atlanta 1996. A aborígine, Kate Freeman, derrubando preconceitos, e protagonizando a cerimônia, em Sydney 2000. Agora, Pequim 2008 entra para a história com Li Ning, – o príncipe dos ginastas (três medalhas de ouro olímpicas) – que atravessou o estádio de uma forma graciosa, abrindo um pergaminho, que refletia toda a passagem da tocha pelo mundo, refletindo a expectativa do mundo para essa competição. Como o slogan dos Jogos: “One world, one dream” (Um mundo, um sonho).

6 comentários:

Pedro Zambarda disse...

Legal o texto, Edgar, mas tome cuidado com adjetivos, principalmente no título, e com as vírgulas.

Eu editei bastante. Veja se essa versão te agrada =]

Thiago Dias disse...

Ah Pedro, aqui eu to com o Edgar, não tem problema nenhum usar adjetivos em um texto como esse. Foram amplamente usados pela grande mídia

Nadiesda Dimambro disse...

Ah... essa abertura foi mesmo muito emocionante, criativa, organizada e bem feita! e dá-lhe mais adjetivos bons, pq é merecido :)

Pedro Zambarda disse...

Thiago, eu acho problemático.

Não é porque a grande mídia usa que, jornalisticamente, está correto.

Mas claro, isso é uma recomendação, não uma censura. Só parar pra refletir sobre.

Thiago Dias disse...

Mas qual o problema em classificar a abertura? A gnt tem que tomar cuidado não nos tornarmos maquinas de criar textos frios, isso sim

Pedro Zambarda disse...

Não é questão de nos tornarmos frios. Se eu quisesse isso, teria censurado o José Edgar ou algo nesse nível.

Mas recomendações são válidas, não exatamente para falar mal do texto, mas para pensar em outras formas de compor.

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