segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Olimpíadas´n´roll

Guitarra modelo Les Paul Classic, cor sunburst, posicionada quase na altura do joelho. A pegada de instrumentista de Blues, carregando 62 anos nas costas e nos cabelos brancos, era visível sobre o ônibus vermelho em que ele se apresentou. Jimmy Page foi a alma dos Yardbirds nos anos 1960, foi uma das melhores guitarras daquele período ao lado de Jeff Beck, Eric Clapton e do americano Jimi Hendrix, além de ter feito história no Led Zeppelin de 1970, criando as bases do hard rock, provavelmente um dos gêneros do rock com mais número de influências indiretas (heavy metal, punk rock, etc) e um grande público fiel.

Vê-lo tocar num festival de encerramento pode ser estranho para alguns, mas é agradável para outros. Os solos de guitarra soaram limpos durante toda a Whole Lotta Love, apesar de pequenas modificações na letra (os organizadores não queriam um vocabulário ofensivo à platéia, que não é, necessariamente, apreciadora da música de Page ou dos Zeppelins). No entanto, o único motivo de crítica dessa pequena coluna vai sobre outro aspecto da música apresentada: a melodia básica. Os timbres mais graves da guitarra de Jimmy Page se perderam no estádio de apresentação, ou por um volume baixo proposital ou por falha de algum equipamento.

Após um Reunion Concert em dezembro de 2007, ao lado de Robert Plant e John Paul Jones, os Zeppelins originais, é agradável saber que esse mito da guitarra continua na ativa e, ousadamente, se apresentando em eventos totalmente fora do cotidiano dos shows de rock. Representando o Reino Unido, o músico pode ter recebido um tratamento menos importante na mídia devido a presença de Beckham e de seu chute na bola marcando o começo de Londres 2012, mas seu nome é um mito vivo do século XX.

Junto com essa aparição olímpica e a participação de Page com John Paul Jones nos show dos Foo Fighters, em 9 de junho desse ano (além da turnê de Robert Plant e Alison Krauss que ainda em curso), há a prova que, além de Rolling Stones, Aerosmith e Chuck Berry, outros mitos do rock´n´roll lendário estão no calendário dos grandes eventos. O Led Zeppelin, além da trágica morte de seu baterista, afogado no próprio vômito, era famoso por terem integrantes com insígnias heróicas, além de abordar temas fantasiosos em suas canções, muito além do materialismo que impera no hard rock.

Por isso, a fantasia ainda está viva.

Envelhecida nas mãos enrugadas de Page, mas viva.

Um comentário:

Thiago Dias disse...

Page é Page e ponto. 62 anos tocando como se estivesse com 20. Não sou o maior apreciador de Led no mundo, mas ele é o cara.

Em tempo, curti mais o encarramento do Jogos de Inverto em Salt Lake City: Kiss!!!

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