quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Na trave

Sabe aquele dia que você faz tudo certo e no final o resultado é péssimo? A Seleção Brasileira feminina de futebol descobriu como é passar por isso. O ouro ficou muito próximo de ser conquistado, mas não veio.

O início foi nervoso de ambas as partes. Brasil e Estados Unidos erravam muitos passes, porém o domínio brasileiro apareceu claramente nas oportunidades de gol do primeiro tempo, restritas à nossa seleção.

O segundo tempo, mais aberto, destacou as duas goleiras: Hope Solo e Bárbara. A americana trabalhou demais, principalmente em jogadas individuais das brasileiras. O Brasil pressionou as adversárias durante todo os últimos 45 minutos, exigindo participação ativa da goalkeeper. Os Estados Unidos jogaram recuados durante os dois tempos. No entanto, a maior chance de gol ocorreu ao seu favor no último minuto da etapa final; Bárbara fez milagre e evitou a derrota no tempo normal.

Na prorrogação, sofrimento e emoção. As americanas mostraram melhor preparo físico, voltando melhor para o primeiro tempo do tempo extra. Logo aos seis minutos, Carli Lloyd acertou um chute de fora da área e o imprevisível aconteceu: os EUA abriram o placar.

Após o gol, a pressão virou desespero. As brasileiras atacaram, atacaram e atacaram, mas Solo impediu qualquer chance de empate. Marta, Renata Costa e Cristiane tiveram suas oportunidades, mas o choro delas ao fim decreta o resultado final do jogo: Estados Unidos 1 x 0 Brasil. Mais uma vez o ouro escapou.

A prata nos campos teve um gosto amargo, mas na vela ela deve ser comemorada, e muito. Robert Scheidt e Bruno Prada iniciaram a medal race na terceira colocação no geral, após reagirem de uma forma impressionante na competição. Os brasileiros terminaram a regata final na segunda colocação, garantindo o bronze no peito. Mas para nossa felicidade, os suecos Loof/Ekstrom – até então líderes no geral – chegaram na última posição da etapa, o que garantiu a prata para Scheidt e Prada.

Com a medalha, a vela retomou a liderança das medalhas brasileiras na história. A conquista dos brasileiros é a de número 16, iniciada por Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes, que conquistaram o bonze da classe Flying nos Jogos de 1968, realizados na Cidade do México.

Um dos principais responsáveis pelo acúmulo de medalhas na vela é Robert Scheidt. O velejador conquistou ao lado de Bruno Prada sua quarta medalha olímpica. A trajetória iniciou com um ouro em Atlanta, 1996; em seguida a decepção da prata em Sydney, 2000; a consagração em Atenas, 2004, confirmou a hegemonia do brasileiro na sua antiga classe, a Laser. Em Pequim, Scheidt encarou um novo desafio ao velejar na classe Star, e fez muito bonito. A prata tem que ser valorizada, e daqui a quatro anos com os dois realmente ambientados a classe, podemos subir um lugar no pódio.

Em Hong Kong, outro atleta brasileiro consagrado não conseguiu trazer-nos outra medalha. Rodrigo Pessoa conseguiu chegar ao desempate no concurso de saltos individuais, mas o bronze ficou com o americano Beezie Madden por finalizar o percurso em um menor tempo. O hipismo brasileiro não ficava fora do pódio desde os jogos de Barcelona, 1992; desde então muitas conquistas: Bronze nos concursos por equipes (1996 e 2000) e o ouro no individual de Rodrigo Pessoa, conquistado em Atenas, 2004.

Jadel Gregório fracassou – pela segunda vez – no salto-triplo. Mostrado como um dos favoritos a medalha, o brasileiro terminou na modesta sexta posição. Jadel esteve muito abaixo do seu potencial, sua técnica parecia meio “travada”. Sua melhor marca na final foi de 17,20, setenta centímetros abaixo do seu melhor salto no ano. O vencedor foi o português Nélson Évora, que marcou 17,67 metros. Se o brasileiro estivesse em um bom dia certamente conquistaria uma medalha, mas novamente ele ficou fora do pódio.


Arrasadora, a Seleção Brasileira de Vôlei Feminino atropelou a China, 3 sets a 0 (27/25, 25/22 e 25/14), e espantou o fantasma das semifinais (nas últimas quatro olimpíadas o Brasil havia sido eliminado nessa fase). O time de José Roberto Guimarães está empolgando e jogando como campeão, pois arrasar as donas da casa em plena arena lotada, não era uma missão das mais fáceis. A final será contra os Estados Unidos, que surpreenderam ao vencer Cuba por 3 sets a 0, parciais de 25/20, 25/16 e 25/17. Tecnicamente e individualmente somos melhores, se o apagão de Atenas não se repetir, penduraremos o ouro no peito.

A novidade também invadiu a areia, porém ela não foi boa para o Brasil. Renata e Talita perderam a disputa do bronze para as chinesas, Tian Jia e Wang. O placar de 2 a 0, parciais de 21/19 e 21/17, sacramentou um fato inédito: pela primeira vez o Brasil ficaria fora do pódio no vôlei de praia.

Principais resultados:
Maratona Aquática – masculino
1 - Maarten van der Weijden (HOL) - 1h51m51s6
2 - David Davies (UK) - 1h51m53s1
3 - Thomas Lurz (ALE) - 1h51m53s6

Atletismo
Marcha Atlética – 20 km - feminino
1 - Olga Kaniskina (RUS) - 1h26m30s (OR)
2 - Kjersti Platzer (NOR) - 1h27m06s
3 - Elisa Rigaudo (ITA) - 1h27m41s
Arremesso de dardo – feminino
1 - Barbora Spotakova (TCH) - 71.42
2 - Maria Abakumova (RUS) - 70.78
3 - Christina Obergfoll (ALE) - 66.13
200m rasos – feminino
1 - Veronica Campbell-Brown (JAM) - 21s74
2 - Allyson Felix (EUA) - 21s93
3 - Kerron Stewart (JAM) - 22s00
Salto-triplo - masculino
1 - Nelson Evora (POR) - 17.67
2 - Phillips Idowu (GBR) - 17.62
3 - Leevan Sands (BAH) - 17.59
400m rasos – masculino
1 - LaShawn Merritt (EUA) - 43s75
2 - Jeremy Wariner (EUA) - 44s74
3 - David Neville (EUA) - 44s80
110m com barreira – masculino
1 - Dayron Robles (CUB) - 12s93
2 - David Payne (EUA) - 13s17
3 - David Oliver (EUA) - 13s18

Vôlei de praia – feminino
Disputa do bronze
Xue e Zhang Xi (CHN) 2 x 0 Talita e Renata (BRA) - 21/19 e 21/17
Disputa do ouro
Walsh e May (EUA) 2 x 0 Tian Jia e Wang (CHN) – 21/18 e 21/18

Handebol feminino
Disputa do 5° ao 8° lugar
China 20 x 19 Suécia
França 36 x 34 Romênia
Semifinais
Noruega 29 x 28 Coréia do Sul
Rússia 22 x 20 Hungria

Vôlei feminino
Semifinais
Estados Unidos 3 x 0 Cuba - 25/20, 25/16 e 25/17
Brasil 3 x 0 China - 27/25, 25/22 e 25/14

Basquete feminino
Semifinais

Estados Unidos 67 x 52 Rússia
Austrália 90 x 56 China

Vela
Classe Star – masculino

1 – Grã-Bretanha (Percy/Simpson )– 45
2 – Brasil (Scheidt/Prada) - 53
3 - Suécia (Loof/Ekstrom)- 53

Futebol feminino
Disputa do Bronze
Alemanha 2 x 0 Japão
Final
Estados Unidos 1 x 0 Brasil

Pólo Aquático
Final
Holanda 9 x 8 Estados UnidosBronze – Austrália

Softbol
Final

Japão 3 x 1 Estados Unidos
Bronze – Austrália

Hipismo – saltos individual
1 - Eric Lamaze (CAN) - Não perdeu pontos
2 - Rolf-Goran Bengtsson (SUE) - Não perdeu pontos
3 - Beezie Madden (EUA) - 4 pontos perdidos - 35s25 no desempate





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