segunda-feira, 9 de junho de 2008

Ah Memphis, quantas saudades...

O por–do-sol é quente. As pessoas vão chegando aos poucos. Na maioria são casais jovens, grupos de amigos, tiozões cabeludos e barbudos. Logo na entrada uma verdadeira exposição de máquinas sobre duas rodas estacionadas em fila: Harleys, Hondas, Yamahas, BMW’s and so on. A cada passo se escuta um som vindo de um bar ou de músicos na rua. Sim, estamos no berço do blues, na casa de B.B. King. Estamos na Beale Street, uma das ruas mais famosas do mundo.



Memphis é assim, quente e convidativa. Tudo lá, se não remeter ao Blues, se refere à Elvis. O que mais um fã de boa música (não precisa ser dos mais fanáticos e entendidos) poderia querer?

Em 2005 morei sete meses nos Estados Unidos, em Memphis, no estado sulista do Tennessee. Na verdade, morava no distrito de Germantown, cerca de 30 minutos de downtown Memphis. Como na maioria do país, as maiores cidades possuem distritos, grandes bairros que são essencialmente residenciais, como aqueles que vemos em filmes: a casa revestida de madeira com aquele gramado verdinho, um cachorro, e uma árvore na frente, uma cesta de basquete na entrada da garagem e uma bandeira norte-americana ao lado da porta.

Estando lá, entendi porque Memphis é a cidade com mais músicas dedicadas. A impressão que dá é que para tudo existe uma trilha sonora. O caminho até a cidade se encaixa perfeitamente com o solo da Gibson de BBKing, ou a voz inconfundível de Elvis Presley ou então com a irresistível batida da verdadeira country music.

No caminho para Beale passamos pela ponte “M” que cruza o rio Mississipi, pela pirâmide de vidro e pelo famoso Peabody Hotel, conhecido pelo show dos patinhos que descem do elevador, vão até a fonte, dão uma voltinha e retornam para o elevador, onde, na cobertura, possuem uma “suíte” exclusiva. Acreditem, o hotel lota de turistas americanos que vão até lá para ver os bonitinhos Peabody ducks. Ah! Se você assistiu ao filme Náufrago, a personagem de Tom Hanks, depois de resgatado volta para Memphis, que também é a sede da Fedex nos EUA, fica hospedado no Peabody.


Fachada do Hotel Saguão lotado à espera dos Peabody´s ducks

No trajeto a pé, ora se escuta um “blues” ao fundo, ora se sente aquele cheirinho doce de molho barbecue. Memphis também é a capital do chamado barbecue, o americano, que na verdade é costelinha de porco – ribs- com o molho.

É ao entardecer que as pessoas começam a chegar, bebem cerveja, fumam; artistas de rua tocam saxofone na calçada e te cobram um dólar para foto; jovens dançam na rua, viram piruetas e mortais. As lojinhas se intercalam aos bares. A mais famosa e antiga (desde 1876) dos suneviers shops é a A. Shwab, que, entre outros filmes, o mais recente em que aparece é o Elizabethtow, de Cameron Crowe, com Orlando Bloom e Kirsten Dunst. Mais do que uma loja, a A. Shwab é considerada também um ponto turístico da cidade. Lá vende-se de tudo: de placas de carro grifadas com Beale St. a canecas do Elvis, chaveiros, finger foods, doces, perucas, discos, óculos, tudo, tudo mesmo!



Entardecer na Beale


A rua é fechada. Os carros têm de ficar nos estacionamentos, e menores de idade só podem entrar acompanhados por pais ou maiores.

Foi lá que comemorei os meus dezoitos anos, mais exatamente no bar do B.B. King. Infelizmente ele não estava lá, pois frequentemente dá shows em seu bar. Me restou então curtir a banda, dançar e tomar minha primeira Budwiser. Mesmo não sendo uma fã de cerveja, eu estava lá, festejando a maioridade no bar de um monstro do blues, portanto, não podia passar sem uma Bud Light, não é mesmo?


Fachada do bar do BB.KING

Tiramos muitas fotos, muitas mesmo, mas tem uma da qual me orgulho, um troféu. Meio escondida, já mais no final da rua, encravada na calçada estão as marcas das mãos de Jerry Lee Lewis, outro ídolo, que, assim como Elvis e Jonny Cash começou sua carreira no legendário Sun Studio, localizado também em downtown, na Union Avenue mas isto já rende história para outro post, e isso sem falar do outro rei e de sua amada Graceland. É, não é à toa que Memphis é terra de reis.


Nashville, New Orleans e a fuga do Katrina, High School, jogos da NBA e de baseball e a vida fora do Brasil....tenho ainda muitas histórias pra contar..

Mas esta é a minha Beale St. , e este é um pedaço da minha Memphis, simplesmente, inesquecível. Aroma de barbecue, “sinfonia” do puro blues e do puro rock. Quantas saudades...



...Then I’m walking in Memphis
Walking with my feet ten feet of off Beale
Walking in Memphis
But do I really feel the way I fell …

(Refrão da música Walking in Memphis, de Marc Cohn, lançada em 1991, fez muito sucesso e foi gravada pela cantora Cher).

3 comentários:

Thiago Dias disse...

Lidi, só pelo seu texto eu pegaria um avião agora para Memphis uahuauha. Tá ótimo, ainda mais para quem curte o bom e velho Blues.

Pedro Zambarda disse...

Quando você toca uma "blue note" em uma guitarra elétrica, a essência da música blues, dizem que, se você fica triste, não é porque a melodia é triste, mas porque sua sensibilidade fica aparente.

"Blue note" sugere toque, deslizar, parece uma gota d´água em uma imensidão azul. Seu texto também é assim, Lidiane =]

Beijos!

Larissa Tsuboi disse...

Lidi! Adorei seu texto, apesar de já saber muito do que estava escrito por meio do que vc já me contou antes. Senti falta de fotos maiores para que pudessemos imaginar além do que pode ser visto nelas, e de algumas especificações que talvez só eu mesma tenha a curiosidade de saber, como do que era feito o molho do barbecue (na verdade, acho q vc ja me contou).
Não deixe de postar os próximos capítulos de sua grande experiência nos EUA e as sensações de viver por um tempo nesse polêmico país.
Bjs!

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