terça-feira, 3 de junho de 2008

Uma rua movida por duas rodas

Reportagem Relâmpago

Um turista qualquer não daria muita coisa pela Rua General Osório. Cravada no centro da cidade de São Paulo, espremida entre o Largo Gen. Osório e a Av. São João, uma das mais famosas da cidade, o endereço parece perdido entre construções antigas, camelôs, e um alvoroço de pessoas. Mas se este mesmo turista parar durante apenas um segundo para reparar na rua, verá que existe algo especial nela, e um motivo para tal desorganização. Seus quarteirões quase que temáticos concentram variadas lojas de variados produtos, e são o habitat para, na mesma rua, se encontrarem amantes da música, de eletrônicos e, principalmente, de motos.
A rua pode ser facilmente dividida em blocos. Entre o Largo Gen. Osório e a Rua Sta. Ifigênia, enfileiram-se lojas de instrumentos finos como violinos, pianos e violãocelos. No quarteirão seguinte, entre a Sta. Ifigênia e a Av. Rio Branco, um verdadeiro pólo eletro-eletrônico. Mas são os quarteirões entre a Av. Rio Branco e a Alameda Barão de Limeira que fazem a fama da Gen. Osório. É o maior pólo de venda de peças e acessórios para motos do país. São 300m de lojas que vendem os mais variados artigos para as mais variadas motos, seja uma Yamaha 125cc ou uma Harley-Davidson 1968.
Para transitar neste espaço, o melhor que o visitante pode fazer é deixar o carro em algum estacionamento na Av. Rio Branco, ou ir de Metrô, descendo na estação da Luz. Existe uma alta concentração de motos paradas e pessoas transitando pela calçada e pelo asfalto. A rua é apertada, assim como as lojas. As menores têm em media 4 ou 5 metros de largura, enquanto as outras são pouco maiores que isso, sendo comum encontrar lojas que ocupam dois ou três estabelecimentos. E estas são as que mais chamam atenção, como a Moto Center, no número 537, que ocupa três estabelecimentos além de um grande espaço interno. De todas, é uma das lojas mais variadas da região, com variados artigos, desde roupas e capacetes, até venda de peças e uma invejável coleção de escapamentos presa à parede. Um dos clientes, Edson, com aparência que gira em torno dos 40 anos e vestido com jaqueta de couro chega a comentar que costuma passar 2 ou 3 horas na loja, que costuma visitar 3 vezes por mês. Quando perguntado qual sua moto, se orgulha em dizer que é uma Kawasaky 750cc de 1998.
Outro interessante aspecto é a forma como o publico alvo das lojas se altera conforme os números aumentam. Ou seja, se uma pessoa andar no sentido Rio Branco- São João, ela primeiro terá a impressão que somente encontrará acessórios para motos básicas, de 125 e 250cc, mas se andar por mais um quarteirão, verá o foco mudar para motos esportivas e acessórios mais diferenciados, como roupas e capacetes mais caros, destinados àqueles que “andam de moto por paixão, e não profissão”, como diz a gerente da loja Moto Racer. Ela, que não quis ser identificada, ainda afirma que loja é uma das mais antigas da Gen. Osório e completa 30 anos em Julho próximo. Ela ainda diz que a loja sempre foi um negocio da família Benette, e sempre será. “Não há motivos para vender, o negócios vão muito bem, e a concorrência não nos assusta” completa ela. De fato a Moto Racer impressiona. Dona da maior loja da rua, ela se estende pelos números 595, 603 e 609. Nos dois últimos números se encontram uma loja de peças e rodas, além de uma coleção de capacetes, e uma loja que vende acessórios de marca própria, como luvas e macacões. Por fim, no número 595 se encontra a única oficina da Rua Gen. Osório. Com uma porta dupla de vidro, encoberta por centenas de adesivos de marcas e emblemas de “grupos” de motoqueiros, a oficina, segundo a gerente, é especializada em estradeiras e Choppers.
Exatamente em frente à Moto Racer, no número 604, se encontra uma pequena galeria com 7 lojas. Segundo Vera, de 28 anos e atendente da loja América Sports, todos ali são uma pequena associação que alugam o espaço em conjunto, mas não soube dizer o valor. Mas continuou dizendo que existe muita pouca concorrência entre as lojas da galeria, já que os preços são equivalentes. Mas o que realmente chama atenção na galeria sem nome, não são as lojas, mas sim seu corredor. Nele estão expostas 3 motos e duas fotos que resumem o espírito do homem apaixonado por motos. A primeira é uma Honda de 1940, com uma gaiola (compartimento lateral para passageiro) acoplada. A segunda, outra Honda, desta vez da década de 50, um modelo imortalizado pelo tempo. E por último, a personificação da palavra liberdade em duas rodas: Harley-Davidson 1968. Junto a elas as imagens de James Dean e Marlon Brando falam por si mesmas.
*peço desculpas pela falta de imagens. Se as encontrar, editarei o post

Um comentário:

Luma R. Mesquita disse...

Só não gostei dos 5 "mas" do último parágrafo. Gostei da matéria, dos detalhes e das curiosidades como a importância da direção das pessoas.

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