domingo, 22 de junho de 2008

Brasileiro não gosta de futebol!

Faz mais ou menos duas semanas desde o desabafo de Luciano do Valle no canal Bandsports. O vídeo está publicado aqui mesmo no Bola da Foca. Recomendo-o a qualquer pessoa que se interessa por jornalismo esportivo. A repercussão sobre o ato não foi pequena. O grande ponto de interrogação foi que naquele mesmo dia, o narrador estava narrando Corinthians x Sport acompanhado justamente dos profissionais que ele havia criticado. Houve quem apoiou Luciano e houve quem o criticou firmemente. Entre a grande maioria dos críticos estava a grande imprensa jornalística da TV. Formada por equipes de redes como RedeTv!, Record e Gazeta, as críticas foram severas contra Luciano do Valle. Isso só nos mostra como tal classe é corporativa e fechada. São os mesmo jornalistas e comentaristas que alternam de emissora entre si, e renegam ao limbo da TV paga aqueles que não entram no esquema .

Qual esquema seria esse? Simples, o bom e velho merchandasing. Comandado por nomes duvidosos como Milton Neves e Flávio Prado, o jornalismo esportivo hoje abusa da falta de ética e da falta dos princípios básicos do jornalismo. Situações armadas, falas adulteradas, sensacionalismo e uma grande incitação ao clima de guerra. Além de tudo isso, a imprensa é bairrista. Nenhum time fora de São Paulo "presta", assim como se o estado fosse um harém de organização. O ápice foi o comentário do “jornalista” Jorge Kajuru. Há algum tempo Kajuru está isolado em programas regionais de emissoras filiais do SBT, mas mesmo assim não abandona o corporativismo da profissão. Em uma declaração digna de um processo penal, Kajuru atacou pessoalmente Luciano do Valle, em uma das declarações mais baixas da TV brasileira.

Mas o ponto é: por que eles ainda estão ai? Por que Milton Neves, Neto, Flávio Prado ou Godoy não são substituídos por PVC, Roberto Noriegua ou Celso Unzelte? Jornalistas sérios de canais também sérios como Sportv e, principalmente, ESPN Brasil, simplesmente não têm espaço na TV aberta. São idolatrados por quem entende e gosta de futebol, mas, e quanto aos brasileiros em si? Sim, pois até agora o que foi perceptível é que brasileiro não gosta de futebol. Gosta de ouvir notícias sobre seu time, mas nada muito profundo. Não quer saber se o Luxemburgo usa duas linhas de 4 ou se o Muricy usou o Adriano como pivô. Ele quer saber de ouvir o Neto gritando e o Dr. Osmar falando que o Corinthians tem uma torcida maior que a do Flamengo, que por sinal, não é um time bom, afinal, não é paulista. Não quer saber dos esquemas ilícitos da MSI com o Corinthians, já que o mais importante é que o argentino Tevez faça gols. Não quer saber que futebol hoje é mercado. Ele quer chamar o cara que sai daqui e vai pra Europa de mercenário. Enfim, brasileiro em si não gosta de futebol!

Brasileiro gosta de bagunça na TV. Gosta do Kajuru falando que o Luciano do Valle trai a mulher e rouba o estado de Pernambuco, mesmo sem provas. Infelizmente essa é hoje a cara do jornalismo esportivo brasileiro na televisão. Pessoas que, no fundo, não acham que esporte seja um assunto sério para ser tratado com a mesma ética que política, por exemplo. Canais como a ESPN Brasil, seguem o que é chamado de modelo americano de jornalismo esportivo. Um modelo criado pela ESPN americana, e que se tornou referência no mundo pelo profissionalismo e seriedade que o assunto é tratado. Com cifras milionárias, os EUA souberam como nenhum outro páis transformar esporte em espetáculo midiático e com administração empresarial. O jornalismo que fazem apenas reflete a seriedade com que tratam o assunto em si. Se seguirmos a regra, não existem motivos para nos surpreendermos com o sucateamento do jornalismo esportivo em um país no qual o esporte se tornou uma grande máquina de repassamento de influência e dinheiro.

E por mais incrível que pareça, é na criticada Rede Globo que reside uma última resistência a isso tudo. Se a Globo tem negócios escusos com a CBF e não bate em Ricardo Teixeira nem se um escândalo estourar, ela pelo menos não incita o clima de guerra nos estádios. Seus comentaristas se não são jornalistas, tem noção do que é jornalismo e analisam o futebol como deve ser analisado. Se ela escolhe mostrar a série B em vez da final da Libertadores, isso é outra historia. Afinal quem manda nisso é o público. Para encerrar, só falta dizer que os rumos do jornalismo esportivo an TV não parecem se alterar a médio prazo, e ainda teremos que aturar o Milton Neves durante muito tempo, pelo simples fato de ser adorado pelo povo.

*Este é um artigo indignado de alguém que algum dia quis ser jornalista esportivo.

8 comentários:

Gabriel Carneiro disse...

Vou até exemplificar o que falei no post do Editorial #5:

- o texto não foi revisado pelo próprio autor, que errou o nome da publicação. "Bola da Boca". Erro de digitação? Sim. Coisa que se pega em revisão, porém.

Thiago Dias disse...

Problema corrigido. Como já disse, todo o sistema de edição é melhorado aos poucos. Isso aqui não eh Zingu Gabriel, e não tem intenção de ser. Ainda é só um blog, que precisa e será melhorado com o tempo.

Qnto ao tema do texto, algum comentário pertinente?

Pedro Zambarda disse...

corrigi um acento no texto, ele tá bem construído. Sua opinião se faz muito válida e precisa diante do que está acontecendo.

Abraços, editor!

Lidiane Ferreira disse...

Acabei de revisar, antes mesmo de ler os comentários. Corrigi algumas outras coisinhas. Me desculpem pelo atraso.

Gabriel Carneiro disse...

Thiago, você ainda não entendeu o que te falei, né? Eu falei que as pessoas não revisam seus próprios textos, e, acredite, uma revisão melhora muito os próprios textos. Independente de ser um blog, ou um rascunho no caderno, você revisa, tira os erros bobos. O erro é natural, mas não é por isso que você vai escrever e por no ar.

E quem falou de Zingu!? Eu gosto da Zingu!, e procuro, quando me é possível, revisar os textos para tirar erros bobos. Eu não sou o editor-chefe, não tenho esse tipo de poder. Edito os textos da Laís e da Stefanie, e os meus. E reviso até mais de duas vezes os textos se for preciso. E a Zingu! não me é padrão de nada, está longe de ser uma das melhores publicações virtuais, e de ser como eu gostaria que fosse. E há muito erros lá. É que não dou conta, e nem é essa minha função.

Pedro Zambarda disse...

Nota mental: o fato do Gabriel colocar exclamação depois do nome Zingu gera erros de leitura homéricos.

Né, Zingu!? XD

Thiago Dias disse...

Exatamente por isso que agradeço a todos que notam os erros. Eu revisei o texto e por uma ou outra falta de atenção (que confesso não ser meu forte) ele acabam passando. Agora eu me mantenho firme em uma coisa: Não tem pré-edição no Bola e ponto. Tenho ctz que as pessoas revisam os próprios textos, só que erros passam, por isso um olha o do outro. É muito mais facil olhar o erro do outro do que o próprio.
Pessoalmente falando, meu problema não são os erros em si, mas a falta de atenção, que é algo que pretendo trabalhar em cima.
Agora acho que deixei claro minha posição..espero

Gabriel Carneiro disse...

Pedro, é que o nome da revista é Zingu!, com o ponto de exclamação mesmo.

Se fez mais claro, Thiago. E eu não falei de pré-edição, isso foi a Laís.

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