sexta-feira, 27 de junho de 2008

50 anos de nosso maior triunfo


2008 é um ano de muitas datas comemorativas. Centenário da imigração japonesa, dois séculos da vinda da família real, 40 anos de 1968. Mas provavelmente nenhum é tão significativo para o nosso povo como os 50 anos do primeiro título da Copa do Mundo. Há exatos 50, no dia 27 de junho de 1958 o Brasil se sagrava pela primeira vez em sua historia campeão mundial de futebol.

A Copa, disputada na Suécia, foi uma das que teve o melhor nível técnico da história, de acordo com especialistas como Orlando Duarte. Apesar de a seleção francesa ser liderada pelo grande atacante Fontaine, quem surpreendeu foi uma seleção desacreditada, sem grandes astros e que tinha um complexo de perdedor que vinha sendo carregado durante 8 anos. O time do Brasil era o retrato de uma seleção que nunca havia chegado a um verdadeiro ápice, e que para o mundo, nunca chegaria. Mas as coisas mudaram durante aquele verão nórdico.

Não é exagero chamar aqueles 23 homens de heróis. Afinal de contas, herói nacional é aquele que luta e conquista algo grandioso em nome de seu país, certo? E eles lutaram como verdadeiros guerreiros. Lutaram tanto que seus nomes merecem ser lembrados um a um. Titulares: Gilmar, Nilton Santos, Djalma dos Santos, Orlando, Bellini, Didi, Zito, Garrincha, Zagallo, Vavá, Pelé. Reservas: De Sordi, Dida, Oreco, Castilho, Mauro, Zózimo, Dino Sani, Moacir, Pepe, Joel, Mazzola.

A seleção formada por estes 22 heróis saiu do Brasil desacreditada. Não havia muito tempo para se treinar e o ataque formado por Pelé e Vavá não gerava confiança, afinal de contas, Pelé era apenas um jovem de 17 anos. Enquanto Zagallo e Bellini eram unanimidades, Zito não era visto com bons olhos. Para piorar, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) teve que bancar amistosos na Itália contra times locais. Enfim, não foi a preparação dos sonhos, mas não se pode negar a garra de todos.

O que houve a partir do início da Copa foi algo único, comparado somente à Hungria em 1954 e à Holanda em 1974. Mas diferentemente dessas seleções, o Brasil venceu. E venceu bem, passando por adversários fortes, como a temida e já citada França e a dona da casa, Suécia. E foi também quando surgiu ninguém menos que o maior jogador da história: Pelé.

A Copa de 58 marca o nascimento do futebol arte. Um futebol jogado para frente, preocupado em marcar gols e apenas isso. Claro que não foi o esquema tático que venceu aquela Copa, mas o talento individual de cada jogador. O garoto Edson Arantes do Nascimento fez o mundo parar. Nas jogadas geniais, dribles fantásticos e chutes mortais, ele se mostrou um atacante completo como nunca existira. Com o apoio vindo de trás por Zagallo e Zito, o ataque do Brasil foi implacável. A Suécia se ajoelhou diante daqueles heróis, assim como o mundo. E partir daquele 29 de junho de 1958, nasceu o "mito Brasil". Um país que supera seus problemas e, com alegria e talento, vence superpotências do esporte. Esse mito ainda persiste, e ainda acreditamos que o Brasil seja assim, embora os atuais tempos do nosso futebol não representem em nada o que essa seleção um dia já foi.

4 comentários:

Pedro Zambarda disse...

gostei do texto, mas, confesso.

Estou cansado dessas comemorações acerca 2008.

Flávio disse...

Gostei muito do texto.
Mas uma correção precisa ser feita.
A data correta do jogo entre Brasil e Suécia, o qual foi a final da copa foi disputado em 29 de junho e não 27 como foi escrito no texto.

Pedro Zambarda disse...

Obrigado pela correção, Flávio!

Thiago Dias disse...

Obrigado pela correção. Eu acabei confundido devido a um artigo escrito pelo Tostão, que também publicou uma errata no dia seguinte.

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