domingo, 18 de maio de 2008

A falta de auto-crítica da imprensa

Título de conceito meio óbvio, mas pouco explorado. Tecem comentários muito superficiais sobre o assunto no Brasil ou, quando adentram em suas particularidades perturbadoras, as pessoas tendem a encaixar uma solução reducionista, simplista, simpática. Dentro da imprensa, os jornalistas recorrem aos sensos comuns ou ao ponto de vista dos sindicatos e instituições jornalísticas. De fora, alguns odeiam os comunicadores, outros se aliam e poucos ficam neutros. Com esse contexto, a coisa termina em um acordo muito cômodo.

Um caso típico de "lugares-comuns" e muita falta de "tato" e a relação imprensa e as instituições policiais. Acusa-se, sem provas, que a polícia teria uma relação direta ao passado brasileiro da ditadura militar. O caso discorre em preconceitos pouco debatidos. Não foi o exército, não os policiais, que realmente reprimiu os jornais no período 1964-85?

Com esse álibi alicerçado em uma base pouco certa, mas concreta, jornalistas se acham no direito de julgar profissionais dessa área sem levar em conta que a repressão que ele teve, ou mesmo a que não teve, está sob o comando de um delegado que, por sua vez, está sob o comando do diretores e decisões políticas aliadas aos governos estaduais, ou municipais.

Esse pequeno exemplo ilustra, na verdade, a falta de senso e incentivo dos jornalistas para entender as hierarquias de qualquer sistema. Para muitos, um mero impedimento na investigação jornalística significa culpar uma instituição. E deixar de informar determinada coisa, segundo esses mesmos hipócritas, é deixar de informar a população. Só que a desculpa não se solidifica diante de uma verdade que pouco aparece nos jornais: há informação demais para leitores que não irão ler, uma matéria que caia por repressão policial não faz diferença e nem mesmo desinforma alguém. Faltam, claro, matérias que causem reações em leitores. A perda de um texto desse naipe é, realmente, uma "baixa" dentro do jornalismo. Não é o caso dessas matérias.

Saindo dessa situação de repressão e perda de serviço, caímos em outro tópico: a enorme quantia de notícias não está relacionada com a falta de critérios jornalísticos? Que tipo de jornalismo é feito no Brasil? No mundo? Um texto inocente como esse é capaz de demonstrar, sem citar nomes e sem recorrer às aspas que tanto os editores nos pedem, uma realidade crítica, profissionalmente deficiente e, ainda assim, jornalística.

A imprensa, em si, deveria deixar de se imaginar "protetora", "paternalista" de certa forma, e adentrar na realidade que é paradoxal para todos os jornalistas: somos submissos ao sistema e, acima de tudo, substituíveis. Uma indignação imaginária, uma briga de categorias baseada em anacronismos históricos infelizes, só pode resultar em péssimos profissionais, em notícias meramente polemizantes e muito pouco literais, fiéis ao criticismo que o mundo necessita e sempre colocou diante de nossos olhos.

Um comentário:

Thiago Dias disse...

eu sempre fui um grande crítico do corporativismo no jornalismo. A imprensa não erra, são os fatos que mudam. Esse é o mote da imprensa brasileira nos dias de hoje, e ele está em cada segmento dela. Desde a economia até o esporte, passando por entretenimento e principalmente politica. Costumo dizer que não existem profissionais mais arrogantes que os jornalistas

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