quinta-feira, 22 de maio de 2008

Sopa de Letras

Cotidiano de faculdade de comunicação. Rostos tristes. Restos de papel, telas brilhantes e mentes supostamente pensantes. Rostos e lustres imaginários. Abstração, atração por dramas.

É estudante universitário em um mundo capitalista concorrido, que comete excessos em se auto-culpar ou se auto-vangloriar: aquele que possui esse sistema de eterno ciclo de insatisfação completamente satisfeita. Não é ausência de protestos da década de 60, são os mitos que os jovens criam em cima de um passado que não existiu e em cima de falhas que não existem neles.

Caldo das letrinhas dissolve em reportagens feitas no SPTV, jornal regional quase-diário (exceto em sábados e domingos) na Rede Globo de Televisão - perguntas estúpidas feitas para vestibulandos com respostas prontas. Estamos em uma tevê de perguntas prontas, respostas repetidas que o povo, tanto os que prestam vestibular quanto os que não prestam, precisa receber. O ser humano tem tara por ciclos.

A novidade não está na reportagem esdrúxula, cheia de novidades e "jeitos novos" de filmar, ou gravar. A novidade não está no jornal, não está no tratamento normal dos cotidianos. A novidade não está nas crônicas que falam mais do mesmo. Talvez uma ponta do novo esteja no falho em senso, no sem sentido. O real inovador seria pegar fatores aparentemente desconexos e, finalmente, botar pra rodar a realidade. O real das comunicações é como um "céu azul" dos dias claros: reluzente, mas reflexo do mar. Transparente, na verdade.

Os estudantes não podem baixar a cabeça. Podem não ter um puto, digo, dinheiro, no bolso. Mas não podem abaixar, cessar. Se a verdinha fosse o fim do caminho, seria outra repetição maldita.

Sopa de Letrinhas são crônicas publicadas às quintas-feiras.

Falam de comunicação, de protesto e contra-protesto.

5 comentários:

Will disse...

Não basta só olhar para aquela movimentação de 68 como anos heróicos do movimento estudantil... Na realidade, ela nem foi heróica, talvez tenha sido necessária - mas minha falta de conhecimento me impede de formular algo mais substancial.

Ao passo que sabemos da indignação contida em cada pessoa, mas quando a inquirimos sobre o que ela fará quanto a isso, desiste de ser indignada.

Vivemos numa apatia generalizada onde os poucos que resolvem se mover pisam em todos aqueles que ficam imóveis, imóveis ao ponto de não sair sequer de baixo dos pés...

Estamos todos passivos, só movemos nosso traseiro gordo quando chegamos a um nível absurdo de insuportabilidade... Os poucos que têm uma real vontade de se movimentar acabam contagiados por essa apatia (Legal! Mas se fizer algo sozinh serei tachado de louco, ou até preso...).

Sem lembrar que nesse país só é preso aquele que não tem influência o suficiente para sair tão logo quanto entra... O tiozinho que roubou um sorvete penou 5 anos de sol-quadrado, enquanto o doutor esquartejador está aí, livre, e não ficara 10 anos no xadrez.

De fato que não podemos ter outra expressão facial senão a tristeza ou o ódio...

Will disse...

Conversar no MSN e escrever nos faz cometer assassínios literários...

Remova o 'ao passo que' do parágrafo II.

Gabriel Carneiro disse...

Dinheiro é o fim do trabalho, e o meio da vida, assim como o trabalho.

Vivo sem trabalho, não vivo sem dinehiro.

Pedro disse...

Fim do trabalho, mas não da Universidade.

Universidade são gastos.

Thiago Dias disse...

Discordo, dinheiro não é o fim do trabalho, é a consequencia dele. O fim do trabalho é a auto realização, o orgulho. Dinheiro e sucesso são consequencias de um espirito auto-competidor.

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