sexta-feira, 9 de maio de 2008

As influências das fontes no jornalismo

Por Pedro Zambarda de Araújo
2º ano de jornalismo
Originalmente para o Site de Jornalismo

Realizado no dia 6 de maio dentro da Faculdade Cásper Líbero, no auditório do 3º andar, o Fórum de Liberdade de Imprensa e Democracia debateu não somente sobre livre-expressão do jornalismo – houve outros tópicos, como direito a informação, a história da censura na ditadura, entre outros assuntos. Foi um evento promovido pela revista Imprensa, que completou 20 anos de existência, junto com apoios institucionais da UNESCO, da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

No primeiro painel do evento, realizado às 11h30 e mediado pelo professor da cadeira de Jornalismo Básico II, Igor Fuser, o assunto discutido foi a “imprensa como mediadora: ao acesso às fontes”. Os profissionais convidados para a mesa foram Márcio Chaer, publisher do site Consultor Jurídico e formado pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), e Heródoto Barbeiro, jornalista da rádio CBN e da TV Cultura formado pela própria Cásper Líbero.

Chaer procurou ser breve em sua apresentação. “Valorizo a comunicação, portanto espero as perguntas do público” frisou, antes de discorrer sobre o assunto das fontes no jornalismo. Sua principal reclamação na apuração dos jornais é a falta de preparo dos profissionais ao receber determinados dados. Falou de falhas do jornalismo policial na internet. “Há siglas bem técnicas nesse ramo, como HNI (homem não-identificado) ou LINS (local de identidade não-segura). Daí vocês concluem quantos criminosos fugiram para a cidade de Lins, e não a sigla, segundo essas matérias”.

O âncora do Jornal da Cultura, Heródoto Barbeiro, ressaltou a importância para o profissional acrescentar, diariamente, uma nova fonte em sua lista de fontes. “Cabe a nós, jornalistas divulgar as divergências de opinião”. Para ele, há na sociedade muitas opiniões que não são ouvidas e que deveriam ser tornadas públicas.

Sobre como a informação se torna pública, Heródoto fez uma reflexão sobre os incidentes recentes em Myanmar, onde ciclones mataram milhares de pessoas. “As pessoas não sabem que essas informações chegaram graças a protestos civis. O país é fechado e dominado por uma ditadura que censura a imprensa, distorce as informações”.

Polemizando, o jornalista Heródoto Barbeiro categorizou o serviço de assessoria de imprensa como não-jornalístico. “O jornalista se priva de isenção, um fundamento principal da profissão”. Essa opinião resultou em perguntas do público, que se questionaram como se apropriar das notícias da assessoria sem, igualmente, deixar que haja tendência dentro da matéria. “Devemos analisar a fonte para definir o que é jornalístico. O que não for, deve ir para a seção de publicidade, de propaganda, não é jornalismo”.

Outra questão levantada pelo público foi a formação nas faculdades de jornalismo. Nesse assunto, Márcio Chaer foi claro: “quando é levantado o assunto sobre essas escolas, eu pergunto aos alunos se os professores são jornalistas. Isso torna o ensino mais proveitoso”. Recordando de sua época de faculdade, Chaer falou que recebeu aulas de “Teoria da Informação”. “Eram interessantes no plano teórico, mas havia pouco significado prático. Na época, eu trabalhava na Gazeta Esportiva e me sentia envergonhado por trabalhar dentro daquele meio intelectual. Mal sabia que estava aprendendo jornalismo ali”.

Finalizando o assunto sobre as fontes, além das formações jornalísticas e os acontecimentos recentes, Chaer defendeu algo além da isenção jornalística. “Objetividade talvez seja impossível de ser alcançada no jornalismo. No entanto, honestidade é possível. Dessa forma, jornalistas honestos cometem menos erros grosseiros. Não custa nada perguntar”. Heródoto Barbeiro, por sua vez, argumentou que há um problema geral em torno da imparcialidade. “Creio que, além do jornalismo, a questão da veracidade e transparência são mundiais. Se você se perguntar sobre governos, fala-se sobre transparência. Se perguntar sobre empresas, transparência. É uma exigência que deveria atender a todos esses setores”.

3 comentários:

Mônica Alves disse...

Acho que imparcialidade jornalística vai sempre existir, pois é o preço que se paga por um sistema informacional democrático. Mas, ao mesmo tempo, é preciso ter uma noção mais ampla do que é certo e errado no jornalismo, pois uma ciência tão aberta exige uma gama de restrições menor.

PS: que inveja de vocês tendo palestras tão legais enquanto eu aprendo Física.

Thiago Dias disse...

Como sempre, muito bom o texto Pedro. Agora, por que esse forum não foi divulgado como deveria para os alunos da Cásper? Muitos nem souberam da sua existencia! Fora a dificuldade para se saber como participar dele. Uma iniciativa louvavel, só que muito mal organizada

Márcio disse...

Eu soube que o gravador do repórter engripou e as frases dos palestrantes sofreram ligeiras adaptações. Mas a sigla LINS, em policialês, é a forma reduzida de "Local incerto e não sabido". Só para registro.
Márcio Chaer

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